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Adequar o recinto ao espetáculo

Diogo Pires Gonçalves · 3 min

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Cabeçalho Futebol Nacional

Não se procura arrumar as claques para um canto, mas sim dar-lhes as condições ideais para que produzam o seu próprio espetáculo, garantindo a segurança do resto da assistência.

As claques, por muito criticadas que sejam, fazem parte, hoje em dia, do espetáculo que é o futebol. Já não se vê um jogo de futebol nas primeiras divisões sem aqueles cânticos em uníssono que tentam empurrar a equipa para os três pontos, fim de semana após fim de semana.

As safe standing, bancadas destinadas para se assistir ao evento em pé, eram muito populares nos campos do Reino Unido, mas uma série de episódios fatais levou à proibição deste tipo de bancadas. Para que fossem novamente permitidas, várias claques e grupos associados de claques tentaram reverter esta decisão junto da FIFA e UEFA alegando que os novos modelos de cadeiras e as novas estruturas destas bancadas garantiam a segurança dos seus utilizadores. Embora exijam bancadas uniformizadas e todas repletas de lugares sentados para as competições europeias, estas entidades reguladoras e tutoras do futebol não obrigam ao mesmo procedimento nas provas caseiras.

O Orlando City SC, da MLS, fez obras num setor do seu estádio de forma a adotar as zonas em pé Fonte: MLS
O Orlando City SC, da MLS, fez obras num setor do seu estádio de forma a adotar as zonas em pé
Fonte: MLS

Muitos clubes têm adotado este tipo de bancadas para certos setores dos seus redutos de forma a permitir uma melhor organização e acomodação das suas claques, que passam todo o tempo do jogo em pé a entoar cânticos e a movimentar as suas bandeiras. O Orlando City SC, da MLS, permite, até, o uso de pirotecnia nestas zonas e os seus jogos em casa são característicos pelos “fumos roxos” provenientes de um dos topos do estádio. Uma das vantagens desta medida evidencia-se quando, de um momento para o outro, todas as bandeiras são recolhidas e dão lugar aos famosos tifos que voltarão, mais tarde, a ser substituídos pelas bandeiras. Exemplo disso é a “Yellow Wall”, o extraordinário cenário montado a cada jogo do BV Borussia Dortmund e cujos vídeos e imagens correm o mundo a cada partida realizada.

As opções para alternar o tipo de bancada entre jogos europeus e nacionais são várias e não passará por aí o problema de implantação desta medida. Por um lado, existem as cadeiras fixas através de parafusos e que podem ser removidas conforme a intenção, mas isso levanta um outro problema; em situações de extrema violência, a facilidade de as retirar e usar como objeto de arremesso é elevada e isso é algo que não se quer.

Por outro lado, pode adaptar-se as tradicionais cadeiras dobráveis e “bloquear” o seu movimento de dobra, deixando, assim, um corredor desocupado a cada fileira das bancadas; é este o procedimento adotado que serve os 25 mil espetadores de um setor do Signal Iduna Park (BV Borussia Dortmund) e de muitos outros clubes da Primeira Liga alemã, como o FC Schalke04 ou o BV Mönchengladbach.

Os adeptos do BV Borussia Dortmund em mais uma demonstração de apoio incondicional ao seu clube, no Signal Iduna Park Fonte: BV Borussia Dortmund
Os adeptos do BV Borussia Dortmund em mais uma demonstração de apoio incondicional ao seu clube, no Signal Iduna Park
Fonte: BV Borussia Dortmund

Por um lado, isolam-se as claques, muitas vezes perigosas, numa zona com as condições que pretendem para reproduzirem as suas coreografias e por outro protegem-se as crianças, mulheres, homens e famílias que queiram ir ao estádio assistir a um jogo de futebol. Essas zonas estariam, naturalmente, despidas de objetos que pudessem ser arremessados ou utilizados para ferir quem esteja nas bancadas imediatamente ao lado ou abaixo. Claro que esperar que o nosso campeonato se aproxime dos outros através destas medidas é uma utopia. Desde logo pelas constantes problemáticas levantadas “por tudo e por nada”. Os clubes e adeptos nunca se contentam, na sua totalidade, com as alterações que se possam propor. A verdade é que nem só aí residem os obstáculos a esta experiência.

É preciso não esquecer que muitos clubes lutam de início a fim para pagar aos seus atletas, nunca terão vontade de dispor do seu curto orçamento para alterar os seus estádios. Aliás, queriam os clubes ter o dinheiro necessário para melhorar as condições dos seus edifícios, dos seus campos de treino… Sobre tudo isto, está a fraca afluência aos estádios portugueses. Tirando destas contas, obviamente, os “três grandes”, seria um investimento que não se justificaria. Se os três clubes mais representativos quiserem avançar neste sentido… pois que avancem! Seria interessante ver a moldura humana de um Dérbi ou Clássico com esta adição.

Foto de Capa: STV News

Diogo Pires Gonçalves

Redação Bola na Rede · ver artigos