Publicidade

Análise política à descida do Portimonense SC na Primeira Liga

Mário Silva da Costa · 3 min

Análise política à descida do Portimonense SC na Primeira Liga
Foto: Portimonense SC

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Para início de conversa, é importante referir que todos os atletas envolvidos nesta luta pela manutenção são autênticos heróis de guerra. Eu, que estava apenas a assistir, acabei com uma luxação no ombro por culpa das constantes mudanças de canal, portanto imagino como terão ficado os atletas que estavam mesmo lá nos relvados a dar pontapés no esférico. Depois de uma luta tão acesa, quem acabou por descer foi o Portimonense SC. Mas acho que devemos analisar esta noite desportiva como se de uma noite eleitoral se tratasse. Não, não estou a solicitar ao caro leitor que me considere um analista político de muita categoria, até porque eu de político tenho pouco. Peço apenas que siga o seguinte raciocínio:

Numa noite eleitoral, em princípio, há um partido que vence e há os outros que perdem. Esta noite, o CD Tondela e o Vitória FC conseguiram manter-se na Primeira Liga, ou seja, venceram esta luta pela manutenção, e o Portimonense desceu de divisão e perdeu esta luta. No entanto, na política são sempre feitas análises nas quais se diz que os partidos tiveram todos grandes vitórias, e, em simultâneo, também se diz que todos tiveram grandes derrotas. E é exatamente isso que o inexperiente redator com uma luxação no ombro vai fazer.

No caso do Portimonense, é evidente que saíram derrotados, porque efetivamente desceram de divisão, e, após uma revisão dos regulamentos da FIFA, da UEFA, da Liga, da federação e dos insultos em tabernas, constatamos que tal significa uma derrota. No entanto, o mesmo Portimonense foi umas das equipas a praticar melhor futebol após a retoma, sendo que não foi propriamente uma tendência muito comum às restantes equipas da prova. A juntar a este consolo do bom futebol praticado, é importante acrescentar ainda que, no jogo de hoje, o Portimonense ganhou 2-0 ao conjunto de heróis que envergou a camisola do CD Aves, o que, parecendo que não, é uma vitória.

 

No caso do Vitória FC, o facto de continuarem no principal escalão do futebol português na próxima época indica uma bela vitória. O jogo com o Belenenses SAD em específico foi também uma vitória. Mas, não podemos deixar de reparar que ao longo do campeonato foi uma equipa que simpatizou bastante com a prática de terminar jogos 0-0 (sete vezes), aquele tipo de resultado que empolga qualquer adepto do desporto-rei. A juntar a esse detalhe, constatamos que o Vitória foi também uma equipa forte na prática do célebre e até mítico antijogo. Portanto, no âmbito da qualidade do jogo, podemos considerar uma derrota a prestação do Vitória FC.

No caso do CD Tondela, são também os vencedores da noite, porque na próxima época continuarão na primeira liga. Venceram em Moreira de Cónegos e alcançaram a manutenção. E com mérito, afinal, certamente que o caro leitor conhece equipas que treinam a marcação de grandes penalidades para as grandes decisões, é normalíssimo. Ainda assim, foi um sofrimento forte até final, sendo que a dada altura da época parecia que iam efetuar um campeonato bastante tranquilo, longe daqueles sufocos já habituais para as gentes de Tondela. Ou seja, conseguiram quase “borrar a pintura” da boa época que estavam a realizar, pelo que de certa forma se considera também uma derrota.

Neste momento, é bastante importante parabenizar os vencedores. Por isso: “Parabéns, Tondela. Parabéns, Vitória de Setúbal. Parabéns, Portimonense”. Mas é também importante dar uma palavra de apreço aos que saíram derrotados. Por isso: “Muita força, Portimonense. Muita força, Vitória FC. Muita Força, Tondela.”

Bem, agora que acabou o campeonato, vou tratar de curar a minha luxação.

Mário Silva da Costa

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

O atalho de 16 mil euros que abalou o futebol brasileiro— e chegou a antigos jogadores de FC Porto, Sporting e Benfica

Thiago Silva, antigo jogador do FC Porto, Roberto Assis, que representou o Sporting, e Diego Souza, com passagem pelo Benfica, estão entre os nomes ligados a uma investigação que está a abalar o futebol brasileiro. No centro do caso está a alegada comercialização irregular de licenças de treinador, com uma promessa de certificação rápida por cerca de 100 mil reais — aproximadamente 16 mil euros —, sem cumprir o percurso de formação habitual. A investigação foi publicada pelo portal brasileiro UOL e tem como figura central Alejandro Mancuso, antigo internacional argentino, ex-jogador de Flamengo e Palmeiras e antigo adjunto de Diego Maradona na seleção argentina. Segundo a reportagem, Mancuso terá apresentado uma via alternativa para a obtenção de quatro certificações de treinador atribuídas à Associação de Técnicos do Futebol Argentino (ATFA). A entidade argentina, porém, nega reconhecer os documentos em causa e afirma que Mancuso não tinha autorização para a representar. O antigo jogador, por seu lado, nega ter vendido licenças ou recebido dinheiro dos interessados.

João Esteves · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.