Última horaTorreense ‘Til I Die On The Beach
Publicidade

Associação Académica de Coimbra: o que falta para regressar à Elite?

Tiago Serrano · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho Futebol NacionalA Associação Académica de Coimbra é um dos clubes com mais história do futebol português. Conquistando um segundo lugar no campeonato na época 1966/1967 e duas Taças de Portugal, A Associação Académica de Coimbra, para além de ser um dos clubes mais populares do futebol português, é também um dos clubes com a massa associativa mais fiel, conhecida como a Mancha Negra, que presta um apoio exemplar e incondicional à sua equipa a cada jogo.

Na última temporada viveu-se um momento triste na história do representante da Cidade Universitária com a despromoção à Segunda Liga, dando assim fim a um ciclo de 14 anos no escalão maior do futebol português, que teve como ponto alto a conquista da Taça de Portugal em 2011/2012.

Consumado o último lugar do campeonato e com a contestação em alta, José Eduardo Simões demitiu-se da presidência da Académica, sendo sucedido por Paulo Almeida. No entanto, há poucas semanas, Paulo Almeida também se demitiu, alegando razões pessoais para tal decisão, sendo sucedido por Pedro Roxo, antigo jogador nas camadas jovens do clube.

Costinha foi o escolhido para dar início ao novo projecto do clube. Fonte: Associação Académica de Coimbra – site oficial
Costinha foi o escolhido para dar início ao novo projecto do clube
Fonte: Associação Académica de Coimbra OAF

Regressado à Segunda Liga 14 anos depois, era preciso repensar o projecto do clube. Tendo tido na sua história recente alguns jovens treinadores de qualidade como André Vilas-Boas, Pedro Emanuel e Sérgio Conceição, a aposta para um novo projecto recaiu em Costinha, uma escolha que se revelou algo surpreendente, visto que o antigo jogador do FC Porto já se encontrava afastado dos relvados há algum tempo.

A nível do plantel para atacar a Liga Ledman Pro, este doseava a experiência de jogadores como João Real, Nuno Piloto, Marinho e Nuno Santos, com a juventude de Leandro Silva, Ernest, Yuri Matias e Jimmy. Outra das novidades neste novo projecto tem sido uma aposta na formação mais vincada, com jogadores como João Simões, Leandro Cardoso e André Vidigal (sobrinho de Luís e de Lito Vidigal) a irem ganhando minutos na equipa principal, bem como o resgate de alguns jogadores formados no clube como João Traquina e Rui Miguel (melhor marcador da equipa com 10 golos).

Em termos de estilo de jogo, a Briosa tem-se destacado sobretudo pela sua coesão na defesa, que lhe confere o estatuto de defesa menos batida da Segunda Liga com 33 golos sofridos em 39 jogos, sendo também uma das equipas mais perigosas nos lances de bola parada. Por outro lado, é uma equipa que tem revelado dificuldades em construir jogadas de ataque em bola corrida, estando algo dependente dos lances de bola parada para criar ocasiões de perigo.

No entanto, existe uma palavra que pode definir a época da Académica: irregularidade. Durante boa parte da época, a Briosa tem mordido os calcanhares ao Portimonense SC e ao CD Aves, mas a sua irregularidade impediu que se tornassem numa verdadeira ameaça. À 32ª jornada, a Briosa ocupava a terceira posição a 7 pontos do CD Aves, mas após esse período, sucedeu-se a pior fase da época para a equipa da Cidade dos Estudantes, que vai actualmente em seis jogos sem ganhar.

Para além disso, a equipa ressentiu-se da saída de alguns jogadores influentes a meio da época, como Pedro Nuno, Fernando Alexandre e Tozé Marreco. Depois, as constantes alterações e adaptações que Costinha tem feito na equipa ao longo da época dificultaram a criação de rotinas e de uma equipa estável. E é esta irregularidade que faz com que Costinha não seja um nome consensual por parte da “Mancha Negra”.

A Mancha Negra é incansável no apoio ao seu clube. Fonte: Associação Académica de Coimbra – Facebook Oficial
A Mancha Negra é incansável no apoio ao seu clube
Fonte: Associação Académica de Coimbra OAF

Para que o clube consiga afirmar-se como um verdadeiro candidato à subida e possa regressar à Primeira Liga, existem algumas arestas por limar. Primeiro, Costinha terá que trabalhar os pontos fracos da equipa, de modo a torna-la mais equilibrada e menos previsível. Depois, também há que tentar os jogadores mais influentes desta época, tais como Rui Miguel, João Traquina, Kaká, entre outros. Mas os aspectos a melhorar não estão apenas dentro das quatro linhas.

Sem raízes fortes, uma árvore não cresce. E é também na raíz que o clube precisa de se fortalecer, e muito. As alterações na sua estrutura, inclusive na presidência, deram início a uma nova era na Briosa, mas para que o clube possa realmente crescer e ser mais do que um candidato à manutenção na Primeira Liga, é preciso uma estrutura estável e com a casa arrumada e isso não é algo que se consiga de um momento para o outro. É algo para o qual é preciso trabalho, paciência e saber.

Este projecto ainda está de início e há um longo caminho a percorrer. Só com muito trabalho, suor e dedicação é que se conseguirá dar seguimento à tradição de fazer muito com pouco. Mas uma coisa é certa: os adeptos “de capa e batina” merecem mais e melhor e ver o seu clube novamente entre os melhores do futebol português.

Foto de Capa: Associação Académica de Coimbra OAF

Tiago Serrano

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Torreense ‘Til I Die On The Beach

O Sunderland é uma das equipas mais românticas desta edição da Europa League. Não pelo futebol, mais próximo da ideia genérica do futebol inglês e britânico e pouco dado a estéticas e modernidades, mas pela história de um clube tradicional que, aos olhos de todo o mundo, desceu à 3.ª Divisão, fez o caminho das trevas e, à primeira, garantiu o acesso às competições europeias. Nesta caminhada, a série «Sunderland ‘Til I Die» ajudou o clube do Nordeste de Inglaterra a tornar-se mais global, solidarizando e sensibilizando adeptos de todo o mundo. No que toca a ter as ruas do seu lado, há poucos clubes mais bem posicionados do que o Sunderland. Um deles, ainda assim, é o Torreense. Por mais que seja interessante olhar para lá do óbvio, não nos podemos esquecer, em qualquer análise, que a competição para o emblema de Torres Vedras é altamente desigual. Enquanto se debela com um arranque de época delicado na Segunda Liga, o Torreense vai usando a Europa League como uma diversão cada vez mais competitiva, como uma montra de luxo para se publicitar enquanto clube e como uma recompensa merecida a um feito extraordinário. Este carinho natural para com o outsider roubou algum do protagonismo à primeira deslocação europeia do Sunderland em 53 anos. E, mais do que os dados lançados antes do jogo, o rumo dos 90 minutos ajuda a ganhar um sentimento de identificação com o Torreense.

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.