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B1 QB: A Bactéria que o Braga Apanhou

Pedro Nuno Sousa · 4 min

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Cabeçalho Futebol Nacional

Ultrapassada cerca de metade da época, o sentimento maior que paira pelo ar, entre os vales que ladeiam a cidade de Braga, é de alguma tristeza. O Braga encontra-se em quarto lugar do campeonato, com trinta e seis pontos e menos um jogo que os que ocupam o pódio. Amanhã será posto à prova frente ao Rio Ave para se averiguar se tem andamento para os três primeiros lugares. Esperemos que sim.

No início da semana, domingo, disputou a final da Taça da Liga frente ao Moreirense: perdeu e falhou a conquista de mais um troféu. Sejamos realistas. O Moreirense venceu e mereceu, ainda para mais tendo em conta o caminho de sonho que realizou. Mas, obviamente que não deixo de ficar preocupado com a falta de ambição e a postura da equipa bracarense à entrada para este jogo. Era preciso mais! Depois de ganhar a bola é preciso saber o que fazer com ela, tratá-la bem para resultar em golo. Oportunidade desperdiçada, sem grande tempo para justificações ou lamentações. Depois, é necessário responder de forma positiva: agarrar aquele terceiro lugar com as duas mãos é um pequeno pedido de perdão aos adeptos. Não chega, mas pode ajudar. Mesmo que não sejamos terceiros, lutar por esse posto já é qualquer coisa. Não acho que sejam só jogadores, treinador ou outros recursos humanos que estejam a falhar. Atitude, ambição, criatividade e alguma falta de sorte são, para mim, os fatores primordiais.

Ainda durante a estadia de Peseiro, a liga europa desapareceu aos noventa minutos com a vitória do Gent fora de portas e a derrota em casa frente ao Shaktar. Pois… Esperar pela última jornada não seria o passo mais indicado, visto que as fracas exibições eram constantes e a necessidade de vencer, seja em que competição for, é essencial.

Nova altura para decisões cedo chegou, quando, frente ao Sporting da Covilhã num jogo referente à Taça de Portugal, o Braga tremeu e saltou fora desta importante competição. Eu já sei o que está a falhar, pois já chegou o resultado das análises… Bactéria do quanto baste… B1 QB ataca em alturas de grandes mudanças na sua vida e de forma implacável. Destrói as suas defesas q.b. e ataca sem piedade. Os sintomas são maus resultados, fracas exibições e algum desalento…  Como jornalista, compete-me apresentar-lhe os dados que daqui resultam, juntando tudo numa «bimbi» para que o leitor saboreie o prato no seu pleno direito. Como médico, não sou nem nunca serei grande conselheiro. Como Braguista, digo-lhe que estou um pouco desiludido. Depois do que tem vindo a acontecer, quero estar por perto para dar todo o meu apoio, mas, sinto que alguma retribuição terá de existir.

A minha bússola aponta noutra direcção e pede-me para falar um pouco da equipa, que até tem muitos traços de conjunto e de união, mas não produz o suficiente para vencer. Os reforços que chegaram neste mercado de inverno são recheados de valor e têm tudo para singrar no plantel. Cartabia parece ser uma boa cartada e Assis o jogador que há muito falta. Paulinho tem qualidade mas é irregular e Batagllia tem muito que provar. Talento não chega. Simão chegou cheio de vontade e com um bom discurso, mas está visto que a ideia não entrou na cabeça de todos. A rotatividade tem sido uma das armas do Braga ao longo destas últimas épocas, mas restando somente o campeonato quero perceber o que vai realmente acontecer e que oportunidades surgirão.

Os bracarenses estão desejosos de ver Cartabia Fonte: SC Braga
Os bracarenses estão desejosos de ver Cartabia
Fonte: SC Braga

As saídas foram, e serão, cirúrgicas no que ao rendimento da equipa diz respeito. Xeca não parece ser um bom passo, mas ao nível individual, compreendo a atitude, e respeito. Hassan saiu para a CAN e deixou um posto por tapar na equipa. As lesões constantes no eixo ofensivo ditaram que a escassez iria provocar maus resultados. Bakic e Pedro Tiba nunca conseguiram afirmar-se no plantel, embora sejam casos muito diferentes. O primeiro custou tanto que me custa ainda mais vê-lo sair sem nada provar: que aproveite para enriquecer o seu futebol. Já Tiba, passou por uma fase em que era indispensável com Sérgio Conceição, atravessando a época de Paulo Fonseca emprestado, e voltava agora para provar o que vale. Não chegou para Simão, que viu Assis como melhor solução. Por fim, resta-me falar de André Pinto. Se assim o quer, assim será. O Sporting viu a oportunidade de o contratar e chegou-se à frente. A não renovação fez com que o treinador o riscasse dos seus planos e deixasse de contar. Não faltarão interessados nem concorrentes para o seu lugar.

Por fim, queria salientar ainda as palavras do presidente do Sporting de Braga, António Salvador, que através das suas declarações deu a entender que pretende construir uma base estrutural forte capaz de disputar e ombrear com os denominados «três grandes» num futuro próximo. Penso existirem capacidades e condições, mas com algumas ressalvas. É verdade que o Braga se tem afirmado como um clube vencedor e ambicioso, intrometendo-se sempre que pode, mas ainda tem um longo caminho pela frente. Os jogo decisivos têm sido uma constante, comprovam-no as consecutivas presenças em finais e a luta por um futuro grandioso também. Aqui, concordo integralmente com o Presidente, quando este diz que o clube precisa de estabilidade e que, ao mínimo desaire, não pode haver contestação. O facto de querer intrometer-se em lutas pelo pódio permitirá ao clube crescer, mas também terá se saber posicionar face ao mercado e às grandes exigências deste.

Numa nota final queria ainda acrescentar que existem dezasseis jogos por disputar e que é essencial uma resposta afirmativa. Vamos lá rapaziada! Afinal, o Braga somos nós! Lutar como Guerreiros é o que se pede!

Artigo revisto por: Diana Martins

Pedro Nuno Sousa

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