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Cair, mas cair de pé

Ruben Brêa Marques · 3 min

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Imperou a lei do mais forte no Estádio da Luz e o SL Benfica derrotou o CD Tondela com um golo aos 84 minutos de Haris Seferovic. Depois de, na época passada, a equipa Beirã ter vencido por 2-3 no Estádio da Luz, com show de Miguel Cardoso (atualmente no Dynamo de Moscovo), a equipa do CD Tondela voltou a fazer uma excelente exibição num dos palcos mais difíceis de se jogar como visitante no nosso país e foi por muito pouco que não voltou de Lisboa com pontos pelo segundo ano consecutivo.

É impressionante como Pepa, atual técnico do CD Tondela, voltou a montar uma estratégia que, não só anulou em grande parte do jogo a superioridade individual e coletiva do SL Benfica, como deu fluidez e argumentos ofensivos para ganhar o jogo. Pelo segundo ano consecutivo, Pepa dotou a equipa de valências que a fizeram sonhar com mais um resultado histórico na Luz.

Ricardo Costa, de 37 anos, está longe do final de carreira e fez uma exibição tremenda
Fonte:CD Tondela

Alicerçada num 4-4-2, a equipa de Viseu apareceu afoita e descomplexada no Estádio da Luz. Cláudio Ramos, novamente em grande nível, na baliza, quarteto defensivo com David Bruno e Joãozinho nas laterais, Ricardo Costa e Jorge Fernandes a centrais. No meio campo, corredor central entregue a Bruno Monteiro e João Pedro, com António Xavier e Juan Delgado mais descaídos. Na frente, Tomané e Jhon Murillo. Estes onze jogadores apresentaram-se a um nível individual muito bom, o que se espelhou numa exibição coletiva deveras interessante.

A diferença entre os ativos do SL Benfica e do CD Tondela é abismal, mas a equipa de Pepa soube disfarçar ao máximo essas diferenças, com um futebol “simples”, à primeira vista, e com pedras fulcrais no seu conjunto a destacarem-se.

Houve duas unidades que estiveram a um nível tremendo. João Pedro encheu o campo e foi a chave da grande exibição dos Beirões. O ex-LA Galaxy, que tinha sempre as coberturas atentas do experiente Bruno Monteiro, esteve em todo o lado. Cumpriu defensivamente, sobretudo na ocupação de espaços e a cortar linhas de passe, mas também se exibiu a um bom nível ofensivamente, revelando toda a sua qualidade de passe e visão de jogo, fazendo a ligação perfeita nas transições ofensivas.

Na frente para além de Tomané, sempre fortíssimo nos duelos, esteve um endiabrado Jhon Murillo. O internacional venezuelano, dispensado pelo SL Benfica no passado verão, jogou na Luz espicaçado e extremamente motivado. Em constantes procura de espaço, deu sempre solução aos colegas, sobretudo ao nível da profundidade, tendo estado inspiradíssimo também no um para um com os defesas encarnados.

O jovem talento procura relançar a carreira aos 25 anos e esteve intratável na Luz
Fonte: CD Tondela

Estas duas unidades, João Pedro e Jhon Murillo, marcaram a diferença e permitiram ao CD Tondela, não só defender o 0-0, como sonhar com nova vitória na Luz. Foram eles que permitiram a equipa se distinguir de todas as outras que lutam para não descer e que vão à Luz sofrer dois ou três no mínimo. Pepa teve o condão de dar à equipa argumentos para competir realmente com o SL Benfica. De resto, Bruno Monteiro, Ricardo Costa e Jorge Fernandes “secaram” Félix, Jonas e Seferovic, “secaram”, entenda-se, dentro do possível, e Cláudio Ramos encheu a baliza quando necessário.

Mais uma vez, o CD Tondela de Pepa provou como se joga num estádio de um grande, num jogo onde ativos como João Pedro e Murillo mostraram que podem e conseguem mais nas suas carreiras.

 

Foto de Capa: CD Tondela

Ruben Brêa Marques

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