Publicidade

Como nunca perder o mercado?

Tiago Serrano · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho Futebol Nacional

Ora, quem acompanha o futebol português, deve ser a perfeita noção que o mercado sul-americano sempre foi bastante apetecível para os clubes nacionais., principalmente devido às questões financeiras, e também porque o com aparecimento de jogadores como Paulo Futre, Rui Costa, Paulo Sousa, Fernando Couto e Luís Figo, o futebol português começaria a ser visto como uma escada para o topo. E foi através da exploração do mercado sul-americano que alguns clubes da Primeira Liga ganharam visibilidade do mercado.

Nesta década, o Sport Lisboa e Benfica potenciou alguns jogadores desse mercado, tais como Ramires, Dí Maria, Garay, Enzo Pérez ou Nico Gaitán, bem como potenciou alguns jogadores europeus, tais como Javi Garcia, Rodrigo, Axel Witsel e Matic.

No entanto, o Futebol Clube do Porto é que foi o grande pioneiro da exploração do mercado sul-americano no futebol português. Foi essa política de contratações que permitiu ao clube azul e branco manter o domínio do futebol português durante anos a fio. Através do recrutamento, potencialização e valorização de jogadores sul-americanos, o FC Porto conseguia manter uma equipa forte e competitiva ano após ano.

Só que a uma certa altura, essa estratégia de mercado deixou de surtir efeito. Porquê? Porque, muitos clubes espalhados pela Europa fora começaram a aperceber-se daquilo que o FC Porto fazia, e passaram a adoptar a mesma estratégia. E tendo em conta o maior poderio financeiro desses clubes, o FC Porto acabaria por perder o mercado, e esse é um dos motivos pelo qual, o clube azul e branco viria a perder a hegemonia do futebol português.

Diogo Dalot é dos laterais-direitos mais promissores da Europa Fonte: Football Talent Scout
Diogo Dalot é dos laterais-direitos mais promissores da Europa
Fonte: Football Talent Scout

Dadas as circunstâncias, os três grandes teriam de pensar numa solução de se manterem actualizados no mercado, sem perderem a competitividade em relação aos principais campeonatos europeus, nem correrem o risco de terem grandes quebras de lucro com vendas de jogadores. Por incrível que possa parecer, a solução para isso está bem mais perto do que se imagina: está na cantera.

Como muitos devem saber, o Sporting CP foi o primeiro dos três grandes a destacar-se no futebol europeu pela produção dos seus próprios jogadores e com isso, conseguiu também fazer boas vendas nos casos de Simão Sabrosa, Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma e Nani. Isto não acontecia por acaso. Isto acontecia porque o Sporting é o clube que investe nas camadas jovens há mais tempo.

Mas actualmente, os três grandes (e não só) têm investido muito nas camadas jovens e esse investimento já tem vindo a colher os seus frutos. As boas prestações de jogadores da cantera nas equipas B, na Youth League, e também nas selecções jovens levaram a que as camadas jovens dos três grandes ganhassem visibilidade e que houvesses jogadores a ganharem pretendentes ainda em tenra idade.

No entanto, existe uma coisa da qual se tem falado e que pode fazer a diferença neste processo de formação dos jogadores da cantera. Nalguns casos de jogadores, estes seguem a sua evolução passo a passo e a uma certa altura, é natural que estes sejam emprestados a um clube da Primeira Liga para continuarem a crescer e começarem a ganhar experiência na elite do futebol português.

Entretanto, na primeira reunião do G15, uma das regras propostas, foi a proibição de empréstimos de jogadores a clubes do mesmo escalão. Esta medida, caso seja posta em prática, acaba por ser uma faca de dois gumes, tanto para os clubes envolventes, como para o jogador em questão.

Porque numa certa fase da sua evolução, os jogadores dos três grandes já não se sentem motivados nem estimulados a jogarem na equipa B e como tal, o empréstimo a um clube da Primeira Liga seria o passo seguinte nas suas carreiras. De maneira que a existência desta regra poderia ser um obstáculo no crescimentos dos jovens atletas, forçando-os a procurar outras paragens.

Rafael Leão é um dos jogadores mais promissores da cantera de Alcochete Fonte: Football Talent Scout
Rafael Leão é um dos jogadores mais promissores da cantera de Alcochete
Fonte: Football Talent Scout

Em contrapartida, a proibição de emprestar jogadores a clubes do mesmo escalão, também poderia incentivar os três grandes a apostarem mais nos seus jovens atletas em vez de irem gastar dinheiro em jogadores vindos de fora, levando assim a que estes clubes poupassem dinheiro.

E depois neste aspecto, os clubes nacionais até têm uma vantagem em relação aos clubes de topo: é que os clubes de topo também têm infraestruturas de topo e como tal, também jovens jogadores de grande potencial. Mas depois, são raros os casos em que os conseguem aproveitar. Só mesmo em circunstâncias muito especiais é que um clube de topo aposta num jogador da sua cantera no onze.

Mas, com a matéria-prima que possuem nas camadas jovens, com infraestruturas de topo para o seu crescimento e desenvolvimento, os três grandes possuem condições para produzirem alguns dos melhores jogadores de cada geração todos os anos. Caso os três grandes permaneçam na vanguarda do futebol de formação, nunca irão perder o mercado.

Foto de Capa: SL Benfica

Tiago Serrano

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quatro pontos de distância, muito mais em jogo | Braga x Sporting

O Estádio Municipal de Braga recebe, esta sexta-feira, 9 de outubro, às 20h15, um dos encontros mais aguardados da oitava jornada da Primeira Liga portuguesa 26/27. Braga e Sporting estão separados por quatro pontos, num duelo que pode ter consequências importantes nas ambições das duas equipas. Os leões ocupam o terceiro lugar, com 15 pontos, ainda sem derrotas, mas já a seis do líder FC Porto. Os arsenalistas seguem na sexta posição, com 11 pontos e um jogo em atraso, procurando aproveitar o fator casa para se aproximar dos lugares cimeiros. A equipa de Carlos Vicens chega ao encontro depois de um empate sem golos diante do Santa Clara, numa temporada em que tem revelado consistência defensiva, mas também algumas dificuldades na concretização. Com apenas sete golos marcados em seis jornadas, o Braga apresenta números ofensivos modestos para as suas ambições. Do outro lado, o Sporting de Rui Borges continua invicto, mas os empates consecutivos frente a Famalicão e Arouca impediram os leões de acompanhar o ritmo do FC Porto. A formação leonina soma 17 golos em sete partidas, mas já consentiu oito, um indicador das dificuldades que tem sentido para controlar determinados momentos dos encontros.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.