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Com pouco menos de um mês até ao fecho do mercado e com o início de um novo campeonato por horas, convidamo-lo a uma viagem pelos plantéis da Primeira Liga e a apontar algumas falhas ou posições a colmatar para que os objetivos de cada equipa sejam alcançados.
No seguimento desta ideia, destacamos uma equipa que se reforçou tão bem que não conseguimos apontar qualquer sugestão… E não se trata de um “grande”.
FC Porto – lateral esquerdo e ponta de lança. Os campeões nacionais partem para a nova época com o plantel praticamente fechado. Na baliza abundam opções, algumas delas ainda à procura de colocação, e o meio campo permanece quase intacto. Depois das críticas ao plantel curto do ano passado, das dispensas já nesta pré-temporada e das contratações para render Diogo Dalot, Ricardo Pereira e Iván Marcano, os dragões precisam ainda de um lateral esquerdo que possa concorrer com Alex Telles e de um ponta de lança. A lesão prolongada de Soares e o capítulo disciplinar no percurso de Marega deixam Aboubakar como a única referência ofensiva, uma vez que Adrián López, André Pereira ou Marius Mouandilmadji não parecem aptos para assumir tal preponderância.
SL Benfica – defesa e ponta de lança. Os encarnados não precisariam efetivamente de comprar. Isto é, têm soluções em bom número, mas resta saber se se afirmam e constituem cartas valiosas para o baralho de Rui Vitória. As águias precisam que uma ou mais contratações se afirmem como alternativas ou entradas diretas no onze, tanto na baliza como no eixo da defesa. Vlachodimos parece partir na frente dos colegas de posto, mas nem Conti ou Lema se afiguram perigos às titularidades de Rúben Dias ou Jardel. A confirmar-se o regresso de Krovinovic, o meio campo encarnado sofrerá um aumento substancial de qualidade naquela zona do terreno, mas carece ainda de uma alternativa a Fejsa. Para já, essa esperança recai sobre Alfa Semedo. No entanto, o maior problema reside no ataque. Confirmando-se a saída de Jonas, será um risco esperar que Facundo Ferreyra ou Castillo assumam a pronto o papel do brasileiro. Um risco que as águias, até ao momento, parecem querer correr.

Fonte: SL Benfica
Sporting CP – guarda redes, laterais, ponta de lança. A revolução em Alvalade, afinal, não resultou numa remodelação tão grande. Por entre ponderações e regressos, o plantel leonino está próximo de estar fechado e a qualidade, à partida, está garantida. O maior problema está no substituto de Rui Patrício. Um dos melhores atletas do plantel do ano passado, e de muitos outros anos, saiu e deixou um lugar exigente por ocupar. As chegadas de Renan Ribeiro e Viviano não descansam por completo os adeptos, e Salin ou Luís Maximiano também não oferecem as garantias do campeão europeu de seleções. Apesar de bem ocupadas, as laterais defensivas precisam de concorrentes à altura e capazes de competir pela titularidade. O mesmo acontece na posição mais avançada no terreno. Ainda que Bas Dost tenha regressado, a segunda opção teima em não aparecer no reino do leão; nem Fredy Montero se assume como uma segunda escolha credível, nem Doumbia parece estar com ideias de ficar.
SC Braga – ninguém. Os minhotos realizaram uma época interessante e com momentos bonitos e de puro futebol. A intenção será, presumivelmente, a de repetir e talvez melhorar os resultados na época que agora se aproxima. Apesar de algumas saídas importantes no meio campo, os arsenalistas parecem ter, a esta altura, um plantel equilibrado, mas, sobretudo, forte. Os dois principais elementos da baliza conseguem ser boas opções para a titularidade ou como reserva. A defesa foi bem reforçada, mantendo peças importantes de outros anos. O meio campo sofreu algumas baixas, mas compensou-se com juventude e qualidade – João Novais, João Palhinha, Assis, Eduardo… O ataque constitui um dos mais diversos e ricos da competição; Dyego Sousa, Paulinho, Wilson Eduardo, Luther Singh, Hassan, Murilo… A curiosidade vai para a possibilidade ou não de intrometer Trincão neste plantel e dar mais minutos e protagonismo a Bruno Xadas.
Rio Ave FC – baliza e defesa central. Como ficou claro na eliminatória da Liga Europa contra o Jagiellonia Byalstok SSA, os problemas primários deste Rio Ave FC estão na zona defensiva. Tanto na baliza como na zona central da defesa. Makaridze tem qualidade e realizou grandes exibições ao serviço do Moreirense FC, mas substituir Cássio é uma tarefa ingrata. O mesmo se aplica à saída de Marcelo, a voz de comando na defensiva do ano passado. Além destas saídas, também o meio campo e o ataque sofreram alterações, no entanto, prontamente resolvidas. As recentes lesões podem ter encurtado as opções no meio campo, mas é no ataque que os vilacondenses mais podem confiar.

Fonte: Rio Ave FC
GD Chaves – extremo. Os transmontanos chegam à nova época com novo treinador e procuram, novamente, um campeonato tranquilo, com qualidade e, se possível, o acesso europeu. Apesar do aparente equilíbrio transversal a todo o plantel, é de notar a ausência de Matheus Pereira. Se a saída de um médio completo como Pedro Tiba foi resolvida com novas entradas, a devolução do extremo brasileiro parece não ter substituto à altura, apesar da contratação de Avto e da promoção de Mika à equipa A.
CS Marítimo – defesa central. Os verde e rubros constituem sempre uma grande ameaça às formações que lutam pelo título. Chegam mesmo a figurar nos lugares cimeiros em certas épocas. Para que tal aconteça, seria essencial que os comandados de Cláudio Braga contassem com mais um defesa central. Esta zona do terreno foi desfalcada com as saídas de Pablo Santos para o SC Braga e de Diney Borges para o GD Estoril Praia e foram colmatadas com as entradas de Marcão e Lucas Áfrico. No entanto, apesar das permanências de Zainadine e Draúsio, os insulares valorizar-se-iam incomparavelmente mais com a presença de um atleta habituado e conhecedor do nosso campeonato. Na baliza permanecem duas boas opções, assim como as laterais se mostram como zonas seguras e repletas de qualidade. A zona central conta com um reforço de peso, o internacional Danny, e o ataque apresenta variadas opções.
Boavista FC – defesa esquerdo e central. Mais uma vez, um defesa central. Parece repetição, mas a verdade é que as equipas deste nível, do meio da tabela e com aspirações europeias, precisam mesmo de contar com “patrões” experientes e de qualidade, como acontece com o SC Braga e o CD Tondela. Só o facto de ter uma voz de comando mais experimentada naquela zona vai trazer outra segurança e confiança nos momentos decisivos de cada partida, traduzindo-se em pontos. Além disso, os axadrezados deviam encontrar um lateral esquerdo promissor que pudesse rivalizar e crescer com João Talocha. No meio campo está a zona mais populosa, mas também desconhecida, do plantel de Jorge Simão. Se por um lado nomes como Fábio Espinho, Idris, David Simão e Rochinha não precisam de dar provas, outros nomes mais recentes como Obiora e Rafael Costa, constituem incógnitas para o espectador comum. O ataque foi muito e bem reforçado, pelo que não deverá haver problemas com a produção ofensiva das panteras negras. Nele constam reforços como Matheus Índio e André Claro (ex-GD Estoril Praia), Rafa Lopes (ex-AS Omonia), Federico Falcone (ex-CD Aves) ou Idé Coulibali (ex-CD Cinfães, regresso de empréstimo) e as permanências de Matheus e Yusupha Njie.

Fonte: Boavista FC
Vitória SC – ninguém. Este será, provavelmente, o plantel mais equilibrado e completo do novo campeonato. Pelo menos à partida e à primeira vista, a opinião poderá mudar, evidentemente, com o decorrer do mesmo. Cada posição apresenta uma excelente escolha e um suplente de grande valor. Salta à vista o facto de parecer representar uma reunião de jogadores outrora rotulados de craques e agora à procura de uma boa época de afirmação. Aqui contam-se nomes como Osório, Rafa Soares, André André e João Carlos Teixeira (ex-FC Porto), Dodô (ex-FC Shakhtar Donetsk), Davidson (ex-GD Chaves) e Ola John (ex-SL Benfica), entre muitos outros. No entanto, o maior desafio reside em articular tantos potenciais jogadores com aqueles mais experientes e conseguir extrair deste conjunto de atletas uma verdadeira equipa.
Portimonense SC – lateral esquerdo e ponta de lança. Os algarvios trocaram de treinador e, à sua semelhança, também alguns atletas deixaram o clube de Portimão. Tais saídas ainda não foram totalmente reestabelecidas. Por exemplo, o lado esquerdo da defensiva conta apenas com Guilherme Lazaroni, recém-chegado do Figueirense FC, e o meio campo parece curto de opções. No entanto, conta com uma figura que poderá ser uma das revelações do campeonato; trata-se de Rafael Barbosa, médio emprestado pelo Sporting CP. O ataque conta ainda com Shoya Nakajima, Manafá e Tabata, das figuras mais importantes da campanha passada, mas perdeu, entre outros, Pires e Fabrício. Torna-se, portanto, imperativa a contratação de uma ou mais opções para o ataque da equipa de António Folha.
CD Tondela – ninguém. Os auriverdes parecem prontos para uma época sem grandes sobressaltos. O trabalho de Pepa tem vindo a revelar-se uma agradável surpresa e é cada vez mais uma surpresa. No entanto, a “pressão” este ano é maior, já que conta com um plantel mais equilibrado e com potencial, ao contrário da malha de retalhos de outros anos. A baliza está entregue a um dos melhores guarda redes portugueses da atualidade. A defesa é relativamente jovem, mas em harmonia com certas peças de experiência e elevada qualidade. No meio campo, bastante reforçado, nota-se a ausência de Pedro Nuno, um elemento importante, mas prontamente rendido por Sergio Peña (jovem emprestado pelo Granada CF), que poderá ser uma das surpresas do campeonato. O ataque recebe dois reforços encarnados, Murillo e Arango, para compensar as saídas de Tyller Boyd e Murilo.
Os Belenenses Futebol SAD – defesa esquerdo e extremo. Após momentos conturbados entre SAD e clube, o emblema do Restelo, que utilizará o Estádio do Jamor como casa, está um pouco distante de estar pronto para a nova época. Reforçou a baliza com Mika, ex-UD Leiria, mas na lateral esquerda conta apenas com um nome; Zakarya Bergdich, marroquino ex-FC Sochaux-Montbéliard. O meio campo apresenta um número considerável de opções, tal como o ataque. Contudo, este último sector carece de um jogador rápido e criativo, capaz de desequilibrar os jogos frente a equipas mais niveladas. Esse jogador poderá ser Dálcio, jovem emprestado pelo SL Benfica, mas ainda assim é pouco.
CD Aves – ninguém. Os últimos vencedores da Taça de Portugal iniciam o campeonato com o plantel praticamente fechado. A baliza recebeu dois reforços de qualidade, a juntar à experiência que já tinha. A defesa conta igualmente com reforços e chega a ter três jogadores por posição. Manteve peças importantes da temporada anterior e acrescentou juventude e potencial ao plantel. O meio campo é igualmente numeroso, com apontamentos de grande qualidade aqui e ali, mas com algumas incógnitas, nomeadamente alguns dos reforços. O ataque é outro ponto forte da nova edição do CD Aves. É um misto de experiência e juventude, conseguindo aliar “matadores” a “desequilibradores”. São eles Nildo Petrolina, Sami, Amilton, Elhouni (SL Benfica), Kevin Asare, Luquinhas, Derley, Michel Douglas e Rodrigues.

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
Vitória FC – ponta de lança e extremo. O Vitória procura a tranquilidade de outras épocas e evitar as aflições mais recentes. A baliza aparenta ser um posto seguro; além de Cristiano, os sadinos recebem por empréstimo do Manchester United FC Joel Pereira, jovem guardião português de elevada qualidade. A zona central da defesa foi bem reforçada, tal como as laterais. O meio campo manteve os jogadores mais rodados da época passada e conta ainda com Rúben Micael e Éder Bessa, experiência e qualidade q.b.. No entanto, é no ataque que os sadinos precisariam de alguns reforços. Os empréstimos de Gonçalo Paciência e André Pereira na época passada resultaram em melhorias significativas no ataque. Para além das suas saídas, Edinho abandonou também o Bonfim. Para esta época seria necessário uma referência ofensiva, um ponta de lança experiente e um extremo técnico, jovem e promissor, uma vez que as figuras constituintes do ataque dos vitorianos de Setúbal são ainda uma incógnita.
Moreirense FC – defesa central. Os cónegos apresentam o plantel quase completo. Para a baliza encontraram uma boa alternativa a Jhonatan; Pedro Trigueira, ex-Vitória FC. As laterais serão bem ocupadas, quer pelos titulares, quer pelas segundas escolhas. É no centro da defesa que os de Moreira de Cónegos mais beneficiariam com um reforço. O empréstimo de Ivanildo (Sporting CP) e a contratação de Halliche (ex-GD Estoril Praia) não são suficientes para garantir segurança e confiança à defesa, que já conta com Iago e Abarhoun. O meio campo estará resolvido e com aceitável qualidade. Já no ataque, as perspectivas são outras; será o ponto forte desta equipa. Junta a experiência de Nene, melhor marcador da Primeira Liga pelo CD Nacional em 2008/09, à juventude e qualidade de atletas como Caleb Gomina, Zizo, Dramé, Heriberto ou Fati.
CD Feirense – defesas centrais e médio centro. Os fogaceiros, tal como as equipas anteriores, procuram a manutenção o mais cedo possível. Na baliza seria de esperar um nome forte para concorrer com Caio Seco (como já tiveram Vaná). No entanto, é na zona central que urgem reforços. Mesmo com a agradável surpresa que foi a qualidade de Briseño, seriam necessários mais dois centrais, de preferência com provas dadas e com capacidade de liderar o plantel. As laterais receberam dois reforços do Boavista FC e devem estar preparadas para uma época dura. Ainda que se tenha assistido a três entradas, o meio campo da Feira precisava ainda de um médio criativo e com qualidade no passe que pudesse servir constantemente o ataque fortemente apetrechado. É na zona adiantada do terreno que está a maior virtude da nova versão do CD Feirense; Sturgeon (ex-Vitória SC) e Edinho (ex-Vitória FC) vêm trazer qualidade e conhecimento e fazer companhia a nomes como Edson Farias, João Silva ou Ibrahim.
CD Nacional – defesa central e médio centro. No regresso à divisão máxima do futebol português, o CD Nacional traz consigo as tardes e noites de jogos adiados devido ao nevoeiro, mas também as dificuldades inerentes às deslocações à ilha da Madeira. Apresenta-se com um plantel bem constituído, mantendo a maioria do plantel da época passada e que devolveu os insulares a este escalão. Até que os centrais atuais subam de rendimento, algo conseguido apenas com alguns jogos disputados, seria interessante alguém disponível com bagagem e calo no nosso campeonato. Apesar de curto, o meio campo é de qualidade bastante satisfatória e precisa apenas de mais um elemento que possa compensar as incursões ofensivas. Na frente de ataque surgem alguns “atletas-incógnitas” e à procura de afirmação conjugados com algumas certezas. Será uma época dura, mas interessante de acompanhar.

Fonte: Bola na Rede
CD Santa Clara – médio defensivo e ponta de lança. Nova época, novo regresso, novo ponto geográfico. Desta vez são os Açores a marcar presença no itinerário da Primeira Liga. Claramente com o objetivo primordial da manutenção, os açorianos revolucionaram grande parte do plantel. Mantendo, é certo, algumas peças fulcrais, reforçaram bastante a defesa, nomeadamente as laterais, onde todos os atletas são novos. A zona central do terreno também recebeu caras novas mas, até afirmação em contrário, carece de um médio defensivo indiscutível. Com as contratações de Ukra, Zé Manuel e Arroyo, o CD Santa Clara fecha quase por completo o seu plantel, faltando ainda um ponta de lança também indiscutível. Só dessa forma se pode aliviar o trabalho árduo que é a luta pela manutenção.
Foto de Capa: FPF











