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Seria, no entanto, através da equipa B dos encarnados que Maniche teria o seu primeiro contacto com a AD Camacha, que disputava, à altura, a Zona Sul da II Divisão B. Anos mais tarde, os caminhos do agora ex-jogador e da coletividade madeirense voltam a cruzar-se e o antigo internacional português prepara-se para assumir a presidência da futura Sociedade Anónima Desportiva (SAD) da Camacha, emblema que milita na Série B do Campeonato de Portugal.
Depois de uma carreira de jogador que se estendeu à Rússia, Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha, Maniche prepara-se para vestir agora a pele de dirigente e escolheu a Madeira para dar o próximo passo, mais concretamente na vila da Camacha. Pelo meio, a aventura enquanto treinador adjunto na equipa técnica do amigo e antigo companheiro Costinha, que agora reencontra na Região.
Segundo direção e investidor, esta não se trata apenas de uma parceria financeira, mas, sobretudo, de um projeto desportivo que pretende manter a identidade de formação, dotando o clube de melhores condições para alcançar os objetivos traçados, numa relação que ambas as partes esperam se revele duradoura. Na origem do interesse de Maniche estão aspetos como a capacidade organizativa e a estabilidade diretiva, que deixaram o antigo internacional português bem impressionado, além da forte presença social de um clube intimamente ligado ao Bairro da Nogueira, um dos mais carenciados da ilha. Também ele oriundo de um bairro social pobre, o agora empresário mostrou-se sensibilizado e compreensivo com as origens humildes de clube e jogadores e salientou a importância desse facto na sua decisão.

Fonte: AD Camacha
Num primeiro ano que será essencialmente de adaptação, Maniche procurará conhecer melhor o clube, que no passado sábado aprovou, em Assembleia Geral, a constituição da SAD, cuja maioria do capital social será detida pelo antigo jogador, numa percentagem que deverá rondar os 70 a 80 por cento, segundo várias fontes. De modo a garantir uma gestão permanente, Maniche vai passar a residir na Madeira e assumirá em breve a administração da equipa principal e da equipa B, contando com a colaboração de Filipe Azevedo, antigo colega de equipa no FC Alverca, que será o novo diretor desportivo.
A aposta ambiciosa, rumo ao futebol profissional, foi olhada com alguma desconfiança, mas bem recebida pela maioria dos sócios e simpatizantes, orgulhosos e esperançosos numa nova etapa de crescimento desportivo na história do clube da terra, onde pela primeira vez se jogou futebol em Portugal. O principal objetivo passa, por agora, por colocar a formação camachense na Segunda Liga, embora, ressalvam os dirigentes, sempre de forma sustentada e ponderada, sem comprometer a estabilidade e o equilíbrio financeiro.
Depois de vários anos marcados por uma gestão rigorosa, a Camacha procura assumir-se definitivamente como um dos maiores clubes da Região, apoiada num projeto que visa sustentar a afirmação desportiva, ao mesmo tempo preservando as preocupações sociais, de formação e integração de jovens, conforme referido por dirigentes e investidor.
Para a Camacha, a parceria com o antigo internacional apresenta-se como uma grande oportunidade de crescimento financeiro, desportivo e até patrimonial. A associação do clube à imagem do ex-jogador garante uma nova visibilidade e mediatismo pouco usual para a modesta coletividade insular, mas também à freguesia da Camacha, ao concelho de Santa Cruz e à Madeira.
Orgulho na formação
A Camacha é uma freguesia do concelho de Santa Cruz, situada a poucos quilómetros do Funchal, com cerca de sete mil habitantes, conhecida por ser o local onde se jogou pela primeira vez futebol em Portugal, no ano de 1875.
Fundada a 1 de agosto de 1978, a Associação Desportiva da Camacha é dirigida por Celso Almeida, médico de profissão, que permanece no clube desde a sua formação.
Sob orientação de Pedro Andrade, jovem treinador que no ano passado assumiu o comando técnico depois de quatro épocas como adjunto, a equipa compete esta temporada na Série B do Campeonato de Portugal. O plantel é formado por uma grande maioria de jogadores madeirenses, de onde se destacam nomes como Carlos Manuel, Roberto Silva, Rúben Andrade, Márcio Abreu, Miguel Fidalgo e Nuno Viveiros, todos estes com experiência nos escalões profissionais ao serviço dos três maiores clubes da ilha.
Apesar das origens humildes e das dificuldades que o emblema camachense atravessou, a sua presença entre os grandes da Madeira tem sido uma constante. A participação nos campeonatos nacionais e a formação de jovens jogadores são motivo de orgulho, não apenas no futebol, mas também em modalidades como o andebol e o bilhar, contando ao todo mais de 200 atletas.

Fonte: AD Camacha
Vários jogadores que passaram pelo campo da Nogueira, são recordados com orgulho pelos sócios e dirigentes da formação de Santa Cruz. Casos de Bruno Fernandes, ex-jogador de CS Marítimo, CD Nacional, CF União e FC Porto, ou Figueiredo, antigo internacional angolano, além de outros como os irmãos Pedro e Igor Pita (que representaram ainda o Nacional e, no caso do último, também o Marítimo) ou até Marco Ferreira, ex-árbitro internacional que esteve ligado às camadas jovens do clube.
Mas não só de jogadores se fez a história da Camacha e também antigos membros de equipa técnica fizeram parte dos quadros, antes de darem o salto. Figuras como Arnaldo Gonçalves, massagista do Marítimo, António Henriques, preparador físico das equipas de Pedro Martins, ou José Barros, treinador adjunto no AS Monaco, foram alguns dos nomes que passaram pelos bancos. O mais conhecido, porém, é Leonardo Jardim, que orientou a equipa entre 2003 e 2007.
Chegado à Camacha em 2000, na altura como adjunto do mítico ‘Velho Lobo’, José Moniz, o atual treinador do Monaco transitou depois para a equipa técnica de João Santos, após a partida do mentor, e no ano seguinte assumiria mesmo o comando da formação camachense, aos 29 anos. A partir daí a ascensão foi astronómica, seguindo-se GD Chaves, SC Beira-Mar, SC Braga, Olympiakos FC e Sporting CP, antes de se sagrar campeão francês pelos monegascos, dez anos depois de ter deixado a terra dos pais e o clube onde começou a carreira como treinador principal. Uma façanha que muito orgulha quem com ele privou e testemunhou o trabalho realizado na Camacha e que o atual treinador, Pedro Andrade, de 28 anos, também espera igualar.
Foto de Capa: Instagram de Nuno Ribeiro Maniche
artigo revisto por: Ana Ferreira











