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Desportivo das Aves: A maldição foi quebrada

Emanuel Melo · 5 min

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Cabeçalho Futebol Nacional

Com o fim da Ledman Liga Pro à vista, o Desportivo das Aves confirmou em definitivo a presença no principal escalão do futebol português. Desde 2005, que a equipa de Santo Tirso não participava na primeira liga. Foi com o mítico professor Neca que a equipa da Vila das Aves o conseguiu. Aliás, o professor Neca tinha sido o único treinador a conseguir levar o Desportivo das Aves à primeira liga, primeiro em 1985, depois no ano de 2000 e depois em 2005. Hoje, uma maldição foi quebrada e o Desportivo das Aves ganha agora asas para voar, na primeira liga.

Como já é habitual, a segunda liga não é propriamente um campeonato “amigável”. São muitos os jogos, são dificeís os campos pequenos, as condições, os jogadores mais experientes que dificultam a vida aos mais jovens. A verdade é que o percurso do Aves não foi fácil. A equipa iniciou a temporada com Ivo Vieira, técnico que já tinha contado com experiências na primeira liga, nomeadamente ao serviço do Nacional e do Marítimo. O início da temporada foi algo irregular. Em 5 jogos, a equipa somava duas vitórias, dois empates e uma derrota, mas já se previa que este Aves teria qualidade suficiente para lutar, pelo menos, pela subida. A equipa foi conseguindo acumular vitórias e depois da eliminação na Taça de Portugal pelo Paços de Ferreira, o Desportivo das Aves somou 13 jogos sem qualquer derrota.

Tudo corria às mil maravilhas, mas como diz o ditado, no melhor pano, caí a nódoa. Depois de quatro jogos sem conhecer o sabor da vitória, Ivo Vieira foi despedido. Nem o excelente trabalho do técnico conseguiu fazer com que os dirigentes do clube tivessem alguma paciência com Ivo Vieira. Chegava-se à frente, José Mota. O técnico que, na temporada passada, tinha conseguido subir, nas mesmas condições, o Feirense, chegava agora ao Desportivo das Aves. O objetivo era segurar o barco e conseguir levar o Aves à primeira.

José Mota é, por diversas vezes, criticado por ser um técnico ultrapassado ou por não conseguir ter muito sucesso. A verdade é que não tendo a imprensa que Vítor Oliveira tem, o técnico conseguiu assegurar a subida por duas temporadas consecutivas, entrando em equipas, no decorrer da temporada. Sim, é diferente entrar num projeto a meio do que estar num projeto desde o início. Mas não é fácil ter de pegar numa equipa com um estado anímico complicado e com jogadores nunca antes conhecidos, com jogadores já habituados a outros esquemas, outros treinos. José Mota conseguiu isso. Sem ser brilhante, foi capaz de responder positivamente, nos momentos críticos da temporada, quando era preciso vencer. Aliás, o técnico conta com um registo interessante. Em dez partidas, conta com duas derrotas apenas, sendo que não perdeu em casa.

Mas não são os técnicos que passaram pelo clube esta temporada, os principais destaques desta subida. O Desportivo das Aves tem um plantel muito acima da média para uma equipa que disputa a segunda divisão.  Há uma mistura muito interessante de jogadores mais batidos no futebol nacional, com outros jovens com muito potencial. Ora vejamos, na baliza, há Quim, veterano guarda-redes de 41 anos que já passou por Benfica, Braga e pela seleção nacional.

Ainda na defesa há Hackman, lateral esquerdo, que na temporada passada esteve no Boavista, Tiago Valente, central que passou por vários clubes de primeira liga, João Amorim, que vai acumulando experiência na segunda liga,  Nélson Pedroso, lateral direito que passou muitos anos na Vila das Aves e também o experiente João Pedro, central formado no Porto.

Um dos rostos da subida dos Aves. Apesar de demasiadas vezes criticado, soma a segunda subida consecutiva, em duas temporadas Fonte: CD Aves
Um dos rostos da subida dos Aves. Apesar de demasiadas vezes criticado, soma a segunda subida consecutiva, em duas temporadas
Fonte: CD Aves

No meio-campo, a equipa conta com elementos como: Luís Alberto, que já passou por diversos clubes na primeira liga, inclusive o Tondela na temporada passada, Pedró, que tem sido o patrão do meio-campo da equipa ,Tarcísio, médio centro com alguma rodagem nesta segunda liga, Zé Tiago que tem tido uma carreira em clara ascensão, sendo que ainda há espaço para Bruno Alves, homem formado no Vitória de Guimarães.

No ataque, Luis Barry, homem que ganhou cotação no Chaves, tem sido um dos esteios da equipa. Alexandre Guedes, avançado formado na Academia de Alcochete, tem estado em destaque nesta fase final do campeonato e promete estar em destaque na próxima temporada, ao serviço do Aves. Théo Mendy e Femi Balogún, são as “motas” desta equipa e valem, sobretudo, pela velocidade que conseguem imprimir ao jogo da equipa.

A ajudar a equipa, há também o factor casa. Esta equipa do Desportivo das Aves, somou apenas três derrotas no seu reduto, durante toda a temporada, algo que demonstra a importância de jogar em casa e que  promete antever grandes dificuldades, na próxima temporada, a quem se deslocar a Santo Tirso na próxima temporada.

Depois de alcançada a subida de divisão, há que começar a preparar a próxima temporada desportiva. Surgem no ar algumas dúvidas, que só o tempo e a direção do clube deverão responder. Em primeiro lugar, coloca-se a dúvida sobre a continuidade de José Mota como treinador. Como se sabe, José Mota, não teve muito sucesso na primeira liga, nesta temporada e fica a dúvida se o treinador foi visto como uma solução de recurso para o que faltava desta temporada ou se é mesmo aposta forte para a próxima temporada. Coloca-se no ar também a questão da continuidade de alguns jogadores. Muitos clubes, quando sobem de divisão, acabam por dispensar muitos jogadores, procurando empréstimos dos três grandes ou jogadores vindos do estrangeiros para colmatar algumas lacunas no plantel. Este Desportivo das Aves tem, atualmente, um plantel bastante interessante, mas será que é o suficiente?

Há que aguardar para ter as respostas a estas questões. A verdade é que será interessante ver até onde pode ir este Desportivo das Aves. Se esta equipa poderá seguir o exemplo do Chaves ou do Feirense, equipas que subiram na temporada transacta e que foram surpresas nesta edição da primeira liga ou se, pelo contrário, a equipa irá a lutar para não descer. A verdade é que esta equipa vai bem preparada para a primeira liga depois de um ano muito duro, com muitos jogos e com grandes dificuldades. Na próxima época veremos o que fará este Aves, o que é certo é que a “maldição” do clube já foi quebrada, agora, o céu é o limite, para uma equipa das Aves que tem asas para atingir um patamar merecido no futebol nacional.

Foto de capa: CD Aves

Emanuel Melo

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