Faltas, penáltis e expulsões – Uma especialidade à portuguesa

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Dos nove jogos disputados na jornada 25, oito deles tiveram mais de 30 faltas. Aqueles com mais infrações assinaladas foram o CS Marítimo x Vitória FC e o Boavista FC x Moreirense FC, ambos com 45 faltas. Dos nove jogos disputados na jornada 26, oito deles tiveram mais de 30 faltas. Aquele com mais infrações assinaladas foi o Sporting CP x FC Paços de Ferreira, com 42 faltas. Dos nove jogos disputados na jornada 27, oito deles tiveram mais de 30 faltas. Aquele com mais infrações assinaladas foi o CD Aves x FC Porto, com 41 faltas. Dos nove jogos disputados na jornada 28, seis deles tiveram mais de 30 faltas. Aquele com mais infrações assinaladas foi o CD Tondela x FC Paços de Ferreira, com 42 faltas. Dos nove jogos disputados na jornada 29, oito deles tiveram mais de 30 faltas. Aquele com mais infrações assinaladas foi o CD Aves x Moreirense FC, com 46 faltas.

Resumindo: nas cinco primeiras jornadas após a retoma, correspondente a 45 jogos efetuados, 38 tiveram mais de 30 faltas. No total são 1579 faltas e destas 45 partidas, apenas em sete foram assinaladas menos de 30 (!), o que resulta numa média de 35 faltas por jogo.

Curiosamente, na jornada 29, a última das cinco rondas analisadas, foi onde se verificou o maior número de infrações e aquela que teve o jogo mais faltoso e menos faltoso deste a retoma. Aqui, a ‘fava’ calhou ao encontro que opôs os avenses aos cónegos, onde foram assinaladas umas impressionantes 46 faltas. No sentido oposto, o duelo de Vitórias teve apenas 19 infrações e o dado curioso de ter sido a partida com mais expulsões, a par do Rio Ave FC x SL Benfica.

No que respeita aos penaltis e expulsões, foram assinaladas 21 grandes penalidades e mostrados 19 cartões vermelhos, tudo isto nas tais 45 partidas.

As constantes paragens são uma imagem de marca em Portugal, sendo o número de faltas por jogo demasiado elevado
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Caro leitor, este não é o tipo de futebol que se deseja ver em lado nenhum. As constantes intervenções dos árbitros conduzem as partidas para interrupções frequentes e servem para aumentar os níveis de monotonia de um jogo que ser quer fluído e com as mínimas intervenções possíveis, pelo menos na minha ótica. Por vezes, quase que gostaria que o apito deixasse de funcionar, tal é o impulso de assinalar qualquer coisa quando determinado jogador cai ao chão.

Neste aspeto, nota-se também a quantidade exagerada de simulações e de protestos por parte dos jogadores que não ajudam em nada a tarefa dos juízes, e isso acontece, exatamente porque já se aperceberam que conseguem ganhar faltas ao mínimo toque, contanto com a permissividade de quem apita, no caso das numerosas simulações que se têm vindo a assistir.

Não pode ser normal que a maioria dos jogos termine com mais de 30 faltas, mas em Portugal é já um dado adquirido, onde o ‘deixa jogar’ é completamente posto de lado e visto com bastante desconfiança, não vá qualquer polémica estalar. A excessiva proteção que os próprios árbitros aplicam nos seus critérios resulta na permanente facilidade em assinalar infrações, visível também na quantidade de penaltis que são marcados. E assim continuaremos na cauda da Europa no que toca ao tempo útil de jogo…

Por certo que causará impressão a qualquer espetador ouvir a sinfonia de apitos que por cá se ouvem e assim quem paga é a qualidade do espetáculo, que não foi feito para ver tão limitada a sua liberdade de ações e que por cá tem sido muito mal tratado. Torna-se urgente acautelar esta situação para que o próprio espetáculo seja melhor em todas as suas vertentes, sobretudo que o deixem desenrolar e apliquem critérios mais largos, de forma a que este não seja penalizado com excessivas paragens, o que contribui para que os ‘nossos’ jogos apresentem uma lista negra no que toca ao item das faltas.

André da Silva Amado
André da Silva Amadohttp://www.bolanarede.pt
O desporto em geral atrai este jovem aveirense mas é o futebol a sua maior paixão. As conversas com amigos e familiares costumam ir dar ao futebol, hábito que preserva desde sempre. Poder escrever sobre esta vertente é o que o satisfaz, com o intuito de poder acrescentar algo de positivo ao ambiente em torno do futebol nacional.                                                                                                                                                 O André escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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