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Flashback Boavista

José Pedro Pais · 3 min

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Cabeçalho Futebol Nacional

Atingido o fim da época é altura de fazer uma reflexão sobre a longa temporada que agora terminou, sob a perspetiva de um boavisteiro.

Ao fim de quase 10 anos de sofrimento, finalmente os adeptos axadrezados puderam ter uma época sossegada sem o coração nas mãos. Parece finalmente alcançada a maturidade futebolística que permite consolidar o clube definitivamente no espaço da primeira liga. Esta é a grande noticia para todos os adeptos boavisteiros.

Fonte: Boavista FC
Fonte: Boavista FC

Comecemos então pelo principio: A época até começou bem com uma vitória convincente por 2-0 no Bessa contra a armada europeia de Arouca. O Boavista acabava de vencer com tremenda facilidade uma equipa que viria a vender cara a derrota ao campeão grego Olympiakos. No entanto, os jogadores comandados por Erwin Sanchez acabaram por demonstrar logo de seguida que não tinham passado de tiros de pólvora seca, tendo registado nos 6 jogos seguintes apenas 5 pontos. Seguiu-se o jogo para a Taça CTT no Bessa contra o Belenenses.

O momento chave da temporada.

O Boavista perde esse jogo por 0-1 e, perante a natural insatisfação dos adeptos face à fraca qualidade de futebol praticado e especialmente à falta de atitude da equipa, Erwin Sanchez resolve endereçar-lhes criticas (aos adeptos) na flash interview. Se no futebol existe respeito pela máxima de “Os adeptos têm sempre razão”, ainda mais incompreensível é esta atitude numa equipa em que o seu melhor ativo é de longe os seus adeptos. Quantos jogos não venceu o Boavista ao longo destes três anos resultado do fantástico apoio dos Panteras Negras? Melhor do que qualquer ponta-de-lança. Esta absoluta estupidez só poderia ter um resultado: foi despedido no dia seguinte.

“Rei Morto, Rei Posto”.

“Há males que vêm por bem”.

A partir desse momento todo o curso da história recente do Boavista mudou. Miguel Leal, o novo timoneiro do Boavista, é um conhecedor do futebol português e da Primeira Liga e somava casos de sucesso no Penafiel e no Moreirense. Imediatamente na sua estreia se percebeu que aquela equipa não estava afinal condenada a jogar mau futebol, que aqueles jogadores podiam produzir muito mais do que faziam! Jogadores como o Idris, Renato Santos, Iuri e Lucas (entre outros), passaram a jogar muito melhor.

Os resultados inicialmente nem sequer foram os melhores. Sentia-se que a qualidade de jogo tinha subido, mas que os processos não estavam ainda perfeitamente assimilados pela equipa. Miguel Leal pedia tempo para que os resultados acompanhassem a qualidade exibicional, e os adeptos concederam. Após 8 jogos onde os axadrezados apenas foram capazes de somar 3 pontos, finalmente os axadrezados conseguiram ter um resultado condizente com a exibição, 0-2 na Choupana. Deu início a melhor fase da época Boavisteira que durou até ao 3-0 em casa contra o Marítimo, perto já do final da temporada. Uma grande série de pontos amealhados e pelo meio nota de registo para aqueles magníficos 25 minutos no Estádio da Luz onde conseguiram estar a vencer por uns nunca antes alcançados 0-3 em tão pouco tempo. Foi esta a altura em que melhor se identificou a qualidade e capacidade real da equipa axadrezada.

Fonte: Boavista FC
Fonte: Boavista FC

Nesta altura o Boavista dispara até à sétima posição, a uma escassa posição do previsível (entretanto confirmado) último lugar de acesso ás competições europeias. Um sonho claramente desproporcional à capacidade da equipa, que acabou confrontada com a realidade poucas semanas depois. Praticamente arredado quer da luta pela Europa, quer da luta pela manutenção, os pupilos de Miguel Leal parecem ter tido algumas dificuldades em encontrar a motivação adequada para encarar os jogos até ao fim da época, com exceção do jogo contra o Benfica, moralizante em qualquer altura ou circunstância.

Em suma, há que felicitar o Boavista pelo extraordinário 9º lugar atingido, pela equipa com o orçamento (para o futebol) mais reduzido da primeira liga. O principal responsável por esta façanha chama-se Miguel Leal e merece da minha parte todos os louvores e agradecimentos enquanto boavisteiro. Os boavisteiros podem agora estar descansados em relação aos destinos do futebol profissional para a próxima temporada.

De resto todos estão de parabéns, desde o treinador principal, equipa técnica, jogadores, direção e adeptos pela forma como permaneceram unidos contra tudo e contra todos.

Agora é altura de olhar para o futuro e para a próxima temporada, e sem cair na tentação das euforias (propícias nestas alturas), exigir mais de todos. Porque este Boavista pode e deve fazer mais. E todos teremos que contribuir para isso.

Foto de Capa: Boavista FC

 

José Pedro Pais

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