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Filipe Teixeira, atualmente com 39 anos, nasceu em França, no centro de Paris numa clínica do Parque dos Príncipes. Filho de pais emigrantes entrou no mundo do futebol na vinda para Portugal, mas quis o destino que ele voltasse ao Estádio que o viu nascer. Teve uma carreira promissora, com passagens por Portugal e Inglaterra, abalada por duas graves lesões em momentos cruciais do seu crescimento. Filipe não desistiu e, já depois dos 30, deixou a sua marca na Roménia e no mundo do futebol. Em mais uma entrevista Bola na Rede, entra em campo Filipe Teixeira, um jogador que é como o vinho do Porto: quanto mais velho melhor.

Foto de Raquel Fernandes

– Os primeiros passos da carreira no Felgueiras de Jorge Jesus e a chegada à Ligue 2 –

“Tive tudo encaminhado para assinar pelo Marselha”

Bola na Rede [BnR]: Nasces em França, filho de pais emigrantes, jogaste num pequeno clube da terra, mas é só quando vens para Portugal que começa a tua aventura no futebol?

Filipe Teixeira [FT]: Sim, mas só passados dois anos. Chego com 10, lembro-me que fui ver se existia escalões de formação no FC Felgueiras, mas não havia, era só a partir dos 12 anos. Cheguei a treinar durante uns meses com os mais velhos e fiz alguns torneios pela escola. Quando já tinha 12 anos finalmente entro no FC Felgueiras e faço praticamente toda a minha formação lá.

BnR: Com que idade assinas o teu primeiro contrato profissional?

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FT: Assino aos 16 anos quando começo a treinar pelos séniores, na altura treinados pelo Jorge Jesus. Não jogava, apenas treinava com eles de vez em quando, mas tive de deixar os estudos para segundo plano. Aos 17 anos, aposta de Diamantino Miranda, Jorge Castelo e com ajuda do Rui Luís, que era o meu treinador no Felgueiras, começo a fazer uns treinos para colmatar saídas do plantel. Lembro-me bem, estava na bancada a assistir ao treino e precisavam de um jogador para de tarde, o meu treinador dos juniores sugeriu-me, fiz o treino e no fim disseram-me logo que queriam que eu continuasse. Fiquei contentíssimo.

BnR: Rapidamente começaste a ser titular e a jogar com regularidade na segunda Divisão portuguesa…

FT: Fui uma das apostas do Diamantino Miranda. Recordo-me que no meu primeiro jogo entro no decorrer da segunda parte, mas acho que de resto fui titular praticamente em todos os jogos.

BnR: Nesse ano entras na convocatória para representar Portugal no Europeu de sub-18 na Suécia, onde venceram a competição. Como foi lidar com o facto de teres sido campeão europeu e titular na Segunda liga com 17/18 anos?

FT: Para ser sincero, acho que não tive muita noção na altura (risos). Eu sempre gostei de futebol e o meu objetivo sempre foi tornar esta paixão no meu trabalho e acabou por acontecer naturalmente. Não tive tempo de assimilar tudo.

BnR: Entretanto deixas o Felgueiras por empréstimo e regressas a França para representar o Istres na Segunda Divisão Francesa.

FT: Assinei, mas antes tive tudo encaminhado para assinar pelo Marselha. Era um contrato de quatro anos, mas as coisas acabaram por não correr bem e assinei por empréstimo com o Istres.

BnR: Como surgiu o Marselha?

FT: O Marselha surge porque me observaram no Europeu de sub-18 na Suécia e no fim da época disseram-me que estavam interessados. Na altura o meu empresário tinha comprado o meu passe ao Felgueiras, ou seja, o negócio dependia simplesmente do seu aval. Estive duas semanas em Marselha a treinar com o plantel, mas devido a questões burocráticas e financeiras o negócio acabou por não se concretizar.

BnR: Acabas por ir para o Istres. Como é que lidaste com o facto de não teres assinado pelo um grande da Ligue 1 e acabar na Ligue 2?

FT: Eles aparecem nos últimos dias de fecho do mercado de transferências, assinei, mas já estava a pensar em ficar só seis meses. Como é óbvio fiquei descontente por não assinar com o Marselha, mas pronto, na altura era novo e a minha preocupação era jogar e tendo em conta as circunstâncias foi a minha segunda melhor opção.

BnR: Visto que nasceste em França e sabes falar a língua, a adaptação foi fácil?

FT: Nesse aspeto foi. O que não foi fácil foi o facto de aos 19 anos ter que ir para França sozinho e estar longe da família. Mas como falava a língua adaptei-me bem, foi uma boa experiência e acabei por ficar lá um ano.

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