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Mágico Braga. Até ao último Guerreiro

Pedro Nuno Sousa · 4 min

Mágico Braga. Até ao último Guerreiro

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Cabeçalho Futebol Nacional

Há poucos dias, num excerto acerca da final da Taça, deixei um «pedido» especial a todo o mundo braguista. Pedi para sermos Homens. Independentemente de tudo o que se passou ou viesse a passar, pedi para acreditarmos. Assim foi e a minha gratidão tentará estar presente nas palavras que a seguir apresento. Estou muito feliz e certo de que tudo o que direi não será suficiente para hoje acordar e saber que tudo foi real. Para mim e para muitos isto foi um sonho.

Foi assim, a sonhar e a acreditar mais que ninguém, que o Braga conquistou a segunda Taça de Portugal da sua história. Merecida e muito sofrida. 50 anos depois, uma nova alegria para sempre recordar. Uma história para contar. Um novo capítulo brilhante na nossa caminhada pelo Olimpo, onde, degrau a degrau, depois de 120 minutos exaustivos a Taça é nossa! É do Braga e de Braga!

Tive o enorme orgulho e prazer de ter partilhado este domingo de Taça entre amigos e família. Rodeado de alegria, será para sempre um dia muito especial. Agradeço a companhia de todos, da gente de Braga e do Braga, aqueles que pelo país e até mesmo no mundo estão distribuídos e que apoiam este clube; enfim, a clara demonstração de que temos vindo a crescer e que unidos somos bem mais fortes.

Paulo Fonseca, um dos responsáveis pelo sucesso bracarense Fonte: SC Braga
Paulo Fonseca, um dos responsáveis pelo sucesso bracarense
Fonte: SC Braga

Com a convicção de que íamos ganhar, vi um jogo de futebol não muito atractivo, mas bem sofrido, duro e desgastante. Muita disputa e crença de que ambos os lados queriam agarrar a Taça com as duas mãos. Para uns, terminou num sonho este dia especial. Um dia de pura festa! É isto a Taça de Portugal!

Na noite anterior, todos os bracarense sonharam com o desfecho deste jogo. E com tanta vontade o fizeram que o sonho é hoje real. Foi o nosso coração guerreiro que nos aqueceu sempre, nos bons e nos maus momentos. Agora fê-lo novamente. Se me perguntasse no meio da rua quanto iria ficar o resultado, dizer-lhe-ia, traído pelo coração, que iríamos vencer. Que o Braga iria ser mágico. Mas também acrescentaria que para isso o sofrimento seria imenso. Estava mesmo confiante. Sofrer assim tanto, tanto, é que não esperava… «Vamos é desfrutar que o resto é treta!»

Um grande golo de levantar o estádio por parte de André Silva deu o empate ao Porto, deixando estupefacta toda a curva bracarense. Foi um balde de água fria… Gelada, diga-se… Mas, «essa curva que por ti não parou de saltar» deu–te o alento para continuar a lutar. Guerreiro que és, Guerreiro serás! O Braga é nosso! E soubeste resistir por todos nós! Até ao último Homem fomos Guerreiros. Marafona com um «paradão» em bom calão deixou a curva aos saltos e a bola para Goiano facturar.

Marafona foi um dos heróis da final da Taça Fonte: SC Braga
Marafona foi um dos heróis da final da Taça
Fonte: SC Braga

Neste momento, as probabilidades deixavam o Braga mais perto da taça. Mas a desilusão do ano passado deixou marcas e ninguém queria festejar antes do fim. Ouvia-se sempre alguém em tom nervoso e bem baixinho… «Marca!! Por favor marca!» Estou certo de que não era só no Jamor. Em todo o lado se juntavam as mãos à cara e se pedia para que Marcelo Goiano pusesse a rede a sambar. A crença foi tanta que aconteceu. Explosão de alegria que nunca vi. Sinto-me um privilegiado por ter presenciado este momento. Por ter vivido este dia com a maior alegria do mundo. E por «chorar que nem uma Madalena no final» entre todos os braguistas.

Depois de Marcelo Goiano entregar o golo, Marcelo Braguista entregou a Taça. Dia de festa e viva o Braga!

Quero ainda deixar uma confissão e um ponto saboroso… No que toca à confissão, no final dos 90 minutos olhei para todo o lado bracarense e senti alguma ansiedade para o que se avizinhava. A verdade é que durante essa meia hora seguinte o sofrimento foi demasiado e não estava para qualquer um. O Porto corria galvanizado e o Braga sentia a pressão. Quando tudo parecia correr mal, eis que chega o momento do jogo. Um bando de andorinhas sobrevoa a curva braguista. Se deu ou não sorte, nunca saberei. Mas o alento que as gargantas roucas sentiram naquela parte final levou a que bebessem um chazinho de cebola para repor o tom. Força, Braga! Um momento bastante caricato quando se trata de um jogo de futebol. Mas a verdade é que estavam lá. A sorte esteve também do nosso lado. Desta vez merecíamos.

Relativamente ao ponto saboroso, esse, é relativo à forma como ganhámos. Com todo o respeito pelo adversário que também está de parabéns (nem queria até colocá-lo neste aspecto mas a verdade é que obrigatoriamente não pode ser excluído); falo para os bracarenses e o Braga que entenderão o que digo: resistimos até ao fim e desta vez tivemos o desfecho desejado. Soube muito bem.

Sonhámos tanto com o resultado que há muito esperávamos e acreditámos até ao fim. Um Guerreiro não desarma. Foram incansáveis dentro do relvado – aquela curva que por ti saltou e não parou – em casa, a acompanhar na televisão ou no rádio a ouvir, em partes do mundo em que o Braga já tem o seu nome, em todo o lado mostraste o coração que te move. Esse teu coração Guerreiro. A Taça é nossa! Campeões!

Foto de capa: SC Braga

Texto revisto por: Bárbara Mota

Pedro Nuno Sousa

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