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O Galo de Barcelos vai mesmo voltar a cantar

Inês Marques Santos · 3 min

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Fundado a 3 de maio de 1924 por um grupo de jovens que regularmente se reunia num banco de um largo para jogar à bola. Por ali se encontrar o Teatro Gil Vicente e por partilharem do mesmo amor, resolveram então fundar um novo clube na cidade de Barcelos – o Gil Vicente Foot-Ball Barcelense. Isto foi há 94 anos atrás, mas vejamos por onde e como anda o clube agora.

São 6h48 da manhã e o sol já surgiu em Barcelos. É uma manhã húmida, cheia de orvalho e o galo canta pela primeira vez em muito tempo. O galo ou, como quem diz, o Gil Vicente FC que vai mesmo regressar à Primeira Liga.

Sim, é verdade. O clube barcelense vai mesmo voltar ao primeiro escalão do futebol português. Mas desengane-se quem acha que a história é tão bonita como a de um amanhecer durante a primavera. Até bem pelo contrário!

O Gil Vicente joga atualmente na Serie A do Campeonato de Portugal, mas a verdade é que a cabeça dos jogadores já deve estar bem longe do mesmo. Mais porque não seja pelo facto de, desde o início, a equipa ter sido privada de pontuar devido à até então possível, mas agora já confirmada, subida de divisão. A subida à Primeira Liga já garantida para a época 2019/2020 veio na sequência dos desenvolvimentos no “Caso Mateus”.

Para os mais esquecidos, o Caso Mateus remonta a agosto de 2006, quando o Gil Vicente FC foi despromovido administrativamente à Segunda Liga depois de ter utilizado Mateus, um jogador angolano que estava impedido de jogar por ter estatuto de amador na época anterior ao serviço do Lixa.

Mais de uma década após esta decisão, a Federação Portuguesa de Futebol, curiosamente a mesma que condenou o clube há uns anos atrás, deu razão ao clube gilista, ordenando a subida de divisão para a próxima época. Até lá, a equipa vai somando vitórias insossas que não lhe dá pontos por ser a chamada “época de transição”.

O Gil Vicente não somou nenhum ponto dos jogos disputados esta época
Fonte: Gil Vicente FC

Mas como bem disse há pouco, a manhã não é assim tão agradável como aparenta ser e o cantar do galo parece que tem incomodado mesmo alguns vizinhos… O desconforto dos clubes em zona de despromoção na presente temporada é legitimo perante o panorama que se verifica. Para que a subida do Gil Vicente aconteça, três clubes terão de ser despromovidos à Segunda Liga ao invés de dois.

Naturalmente que o balão de oxigénio dos clubes de menor dimensão tem sido menor esta época devido a esta alteração, mas também não é menos verdade que o Gil Vicente não tem a menor culpa de toda a resolução do processo e da forma como foi conduzido ao longo dos anos. Aliás, não percebo é como que só após tanto tempo é que se recua numa decisão final que afetou drasticamente a vida de um clube.

Pedro Proença proferiu algumas palavras que me deixaram surpresa. Após uma reunião do G15, elogiou “a forma como a FPF colocou fim a um processo que se arrasta há mais de uma década”. Sim, mas esperem lá: se não me engano, esta não é a mesma entidade que começou e, inclusive, deixou arrastar todo este processo durante 13 anos? Se calhar o galo na Cidade de Futebol canta mais tarde. Deve ter sido por isso…

 

Foto de Capa: Gil Vicente FC

Inês Marques Santos

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