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Os 5 clubes “renascidos” após momentos conturbados

Fábio Pereira Lopes · 8 min

Clubes portugueses
Foto: SC Farense

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Da glória à turbulência financeira. Dos grandes palcos à tentativa de sobrevivência. Esta é uma realidade cada vez mais presente no futebol português, e dos clubes, e que reflete o emergente negócio em que está transformado o Desporto-Rei.

O processo de intensa profissionalização de que a modalidade foi sendo alvo, ao longo das últimas décadas, introduziu mudanças significativas nos clubes – as suas estruturas organizativas passaram a ser semelhantes às de uma grande empresa de outra indústria.

A cruel necessidade do mercado de manter/aumentar os seus lucros a todo o custo tornaram-se o combustível de um futebol transformado numa incubadora financeira e a insuflar uma bolha prestes a explodir em muitos clubes.

Numa conjuntura marcadamente voltada para o negócio e na qual as entidades clubísticas se afiguram como verdadeiros heliportos…. onde aterram e saem jogadores a uma velocidade vertiginosa… as dificuldades estruturais surgem e, por vezes, conjugar uma boa gestão com bons desempenhos dentro das quatro linhas torna-se uma missão impossível, razão que leva muitos clubes ao abismo.

Porém, conseguir renascer das próprias cinzas, qual fénix, e voltar às competições profissionais é uma tarefa de louvar e que várias equipas têm conseguido alcançar. Assim, no presente proponho-me a destacar cinco clubes que conseguiram reerguer-se após momentos conturbados, tentando voltar aos grandes palcos…de onde caíram. Decidi não colocar o CF Estrela da Amadora, que teria lugar cativo nesta lista, dado que já foi dedicado um artigo relativo à formação da Reboleira.

5.

Sport Comércio e Salgueiros – Já lá vão quase duas décadas desde que o mítico Salgueiros abandonou os palcos mediáticos do futebol nacional. A formação que, durante anos, teve como casa o Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro, demolido em 2006, soma 24 presenças na elite do futebol português, na qual não marca presença desde 2001/02, época em que fechou a prova no 16.º lugar.

Desde então, “o velho Salgueiral”, que até tem no seu historial uma inédita presença na Taça UEFA de 1991/92, passou por um enorme período de turbulência e por uma autêntica travessia no deserto.

Depois de duas temporadas no segundo escalão, em 2002/03 (nono lugar) e 2003/04 (sexto), o clube não se conseguiu inscrever na edição 2004/05 da Liga de Honra, caindo para a II Divisão B, para tombar, de imediato, para os distritais (depois de uma penosa época de 2004/2005 em que registou uma vitória, dois empates e 35 derrotas e um registo de golos de 19 marcados e 128 sofridos, para um total de cinco pontos), fruto de avultadas dívidas com um passivo que ascendeu a cerca de 25 milhões de euros.

No final dessa temporada a histórica coletividade portuense extinguiu o futebol sénior e ficou apenas com as camadas jovens. Retornou, contudo, em 2008 já como Salgueiros 2008, conseguindo, em 2011/12, a subida à III Divisão, posteriormente Campeonato Nacional de Seniores e, desde 2015/16, Campeonato de Portugal, onde se encontra atualmente.

A 8 de dezembro de 2015 o clube portuense recuperou a sua designação original “Sport Comércio e Salgueiros” e, desde então, o caminho tem sido traçado com passos firmes e no plano financeiro, a estabilidade é agora a palavra de ordem.

4.

Clube de Futebol “Os Belenenses” – O histórico emblema lisboeta foi o protagonista de um dos casos mais mediáticos nos últimos anos. O conflito era já de longa data e rebentou em julho de 2018: o Belenenses, o quarto clube no campeonato dos campeonatos, 2146 jogos disputados na I Liga, um título nacional conquistado em 1946 e ainda com uma taça Intertoto e três Taças de Portugal na vitrine e dono de um legado inolvidável no Desporto-Rei em Portugal, por onde passaram jogadores como Matateu, Pepe, Vicente Lucas e Artur Quaresma, dividiu-se em dois.

De um lado da encruzilhada, o Belenenses clube, do outro a sociedade anónima desportiva, que foi forçada a fazer a viagem até ao Estádio Nacional do Jamor, não podendo atuar no emblemático Restelo.

A rutura entre as duas entidades chocou o mundo do futebol, especialmente o anúncio de Patrick Morais de Carvalho – presidente do Clube de Futebol “Os Belenenses”, a comunicar a criação de uma equipa amadora para competir nos campeonatos da AF Lisboa. Não foi, decerto, a primeira vez que um histórico desceu até ao escalão mais baixo, porém, foi, sim, surpreendente a manutenção de uma equipa na 1.º Liga, gerida única e exclusivamente por uma Sociedade Desportiva.

A formação manteve-se a mesma, em termos de jogadores e equipa técnica, mas, foi ainda proibida, inicialmente, de usar o símbolo (Cruz de Cristo) e, posteriormente, o nome “Belenenses”. Quanto à nova equipa, construída de raiz, e que se manteve na sua casa de origem, tem registado uma ascensão verdadeiramente notável, com três subidas de divisão consecutivas e prepara-se para dar o pontapé de saída no Campeonato de Portugal e estará, certamente, ávida de dar continuidade a este ímpeto glorioso.

Após a dissolução, e mesmo com duas equipas, uma delas no principal escalão do desporto rei, os adeptos mantiveram-se fiéis ao clube fundador e, embora tenha sido relegado para o fundo das competições desportivas da Associação de Futebol de Lisboa, a verdade é que o Clube de Futebol Os Belenenses conta sempre com o apoio de milhares de pessoas em todos os jogos, sendo eles também um dos principais obreiros desta sensacional recuperação.

3.

Futebol Clube de Alverca – É um processo lento, mas está em andamento. O Alverca vai despertando do pesadelo em que mergulhou em 2005, com o fim da SAD e a extinção do clube e, hoje a estabilidade é palavra de ordem na nova realidade do clube ribatejano. Os dias, antes negros, são agora iluminados pela esperança de poderem retornar aos grandes palcos, nomeadamente à I Liga, competição onde contam com cinco presenças, e onde os seus desempenhos contra os denominados “grandes” o rotularam de “Robins dos Bosques”.

Isto porque entre 1998 e 2004, e apesar de nunca ter ido além do 11.º lugar na I Liga, insistia em bater o pé aos principais clubes e em dez partidas com cada um dos grandes alcançou três empates (dois nas Antas) com o FC Porto, três vitórias (uma na Luz) e um empate fora com o SL Benfica e quatro triunfos (um em Alvalade) e dois empates (ambos fora) com o Sporting CP.

O período áureo do Alverca aconteceu durante a década de 1990 com uma rápida ascensão durante os 10 anos de Luís Filipe Vieira à frente dos destinos do clube (1991 a 2001), e a queda abrupta com a saída do dirigente para o Benfica. Após a queda no abismo, O futebol sénior começou do zero em 2006-07, na terceira divisão distrital da AF Lisboa. Seguiu-se uma longa caminhada degrau a degrau, que 13 anos depois recolocou a equipa nos campeonatos nacionais, onde se encontra atualmente, na recém-criada Liga 3.

Outra das prioridades do clube prendeu-se com virar o clube para a cidade e voltar a ganhar a atenção dos alverquenses e, essencialmente, terminar um projeto que acabava por estar cruzado com todas as outras linhas orientadoras para a direção: um luxuoso centro de formação. Tudo isto possível com a imprescindível ajuda de investidores que surgiram, nomeadamente Arthur Moraes, vice-presidente e administrador da SAD. O futuro é risonho e o regresso ao convívio entre os grandes poderá estar ao virar da esquina.

2.

União Desportiva de Leiria – Um dos clubes históricos do nosso futebol. Teve como melhores classificações na I Divisão dois quintos lugares, em 2000/01 e 2002/03, além de duas presenças na Taça UEFA em 2003/04 e 2007/08, porém a rutura que se deu entre o clube e a Sociedade Anónima Desportiva foi o início do fim para os leirienses.

O conflito eclodiu na época desportiva de 2011/12. Na altura, a SAD do clube entrou em dissonância com a Leirisport, empresa municipal, que geria o mítico Estádio Magalhães Pessoa, e que forçou à emigração da equipa para Torres Novas. Nesse ano, a equipa terminou em último na Primeira Liga e viu a sua inscrição na Segunda Liga ser recusada, por não cumprir os requisitos financeiros.

Contudo, quando se pensava que iria competir no escalão imediatamente abaixo, a então denominada II Divisão, a verdade é que nem aí conseguiu inscrever a equipa sénior, optando por participar na Divisão Distrital de Leiria, com um plantel totalmente amador.

Os problemas não ficaram por aqui. A União de Leiria SAD foi extinta em 2014 com milhões de euros em dívida. Esta foi posteriormente adquirida pela DS investment LLP, empresa presidida por Alexander Tolstikov, antigo jogador e empresário russo, que acabou detido em maio de 2016, acusado de branqueamento de capitais na Operação Matrioskas. Este foi, entretanto, libertado, e o processo arquivado. Nos dias de hoje, a relação entre o clube e a SAD é estável, no entanto, as suspeitas de atos ilícitos por parte de Tolstikov ainda pairam no ar.

Atualmente a União Desportiva de Leiria encontra-se na Liga 3 e ambicionará, certamente, o regresso aos grandes palcos nacionais.

1.

Sporting Clube Farense – A temporada de 2020/21 viu o regresso do clube algarvio à ribalta do futebol português 18 anos depois. Após mergulhar numa crise imensurável que quase o fez fechar portas, o Farense renasceu e o emblemático Estádio de São Luís voltou a receber encontros da I Liga.

Considerado um histórico do futebol português com 24 presenças no principal escalão do futebol português, uma presença na final da taça de Portugal em 1989/90 e uma participação na Taça UEFA nos anos 90, o Farense voltou ao convívio entre os grandes (embora tenha sido relegado no final da temporada), depois de um longo período em que o clube de Faro, ainda fundado em regime monárquico, militou na I Divisão.

Até que, vítima de uma crise económica e com a cidade ligeiramente divorciada do clube (nunca foi bem recebida a vinda de investidores estrangeiros), o Farense cai da primeira divisão em 2001/2002. A crise agrava-se e o Farense desce três vezes consecutivas de divisão. Em 2005/2006 não chega a inscrever a equipa sénior (apresentando-se em vários jogos com os juniores) e afunda-se nas distritais.

Em 2008, a venda do Estádio de São Luís por 14 milhões de euros a uma empresa do ramo imobiliário salva o clube da falência que, a pouco e pouco, vai renascendo das cinzas. A temporada de 2012/13 viu o regresso do farense à segunda divisão e uma união Indescritível entre o clube e os seus adeptos, que, religiosamente, seguem a equipa de norte a sul. Com alguns percalços pelo caminho, o trajeto até à I Liga foi conseguido para êxtase de muitos adeptos algarvios e a expectativa é que na temporada de 2022/23 o Farense marque presença novamente.

Fábio Pereira Lopes

Redação Bola na Rede · ver artigos

Comentários 1

  1. Marco Monteiro

    Meu querido UDLEIRIA!!! Enquanto estiveres protegido pelo nosso castelo vais te reerguer!!Vais voltar aos tempos áureos, daqueles que me fizeste vibrar em belas jogadas ,golos e vitórias !!! dentro de 3 /4 ános estarás entre os Melhores, sem duvida…FORÇA UNIÃO!!!

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