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Os 5 estrangeiros rendidos a Portugal

Inês Figueiredo Mendanha · 7 min

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É frequente os nossos adeptos queixarem-se de que a sua equipa não aposta em talentos portugueses, dando sempre o palco aos estrangeiros. Apesar de concordar com o mote “o que é nacional é bom”, é verdade que as oportunidades dadas pelos nossos clubes a jogadores internacionais têm gerado autênticas lendas no futebol português, como Mário Jardel, Héctor Yazalde ou Óscar Cardozo. Portugal, por ser um país agradável com equipas de renome mundial, costuma ser um bom porto seguro para futebolistas estrangeiros, que fazem grande parte da carreira por terras lusitanas e acabam por ver o país como a sua casa. Tivemos exemplos desses no passado, e temo-los ainda hoje. Este texto pretende relembrar-nos de cinco jogadores estrangeiros que já estão cá há tanto tempo que se tornaram prata da casa. E, mais do que isso, já veem Portugal como o seu lar.

5.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Andreas Samaris – Samaris veio para o SL Benfica na época 2014/2015, pela mão do treinador Jorge Jesus, e rapidamente conquistou o coração dos adeptos encarnados. Pelo esforço que demonstrou desde o primeiro minuto, tanto em termos de adaptação ao país, já que Samaris fala português fluentemente (e, quiçá, melhor do que alguns jogadores portugueses), como em termos de adaptação ao clube, no qual recuou no terreno. Passou da posição oito para a posição seis e aprendeu a sentir a mística do Benfica. Por isso, o médio ganhou um lugar no coração dos benfiquistas. Apesar de algumas épocas na sombra, hoje em dia, Samaris é um dos pilares do plantel do Benfica, uma vez que é dos jogadores mais antigos do clube. No Benfica, desempenha o papel de líder, e tem um palmarés invejável, no qual já colecciona quatro campeonatos, uma taça de Portugal, duas Taças da Liga e uma Supertaça Cândido de Oliveira.

Tantos anos em Portugal e a atuar nas águias fazem-no sentir o manto sagrado e o lema  “raça, crer e ambição” que caracteriza o clube como ninguém: efetivamente, raça não lhe falta. É, por isso, dos únicos que acredita até ao fim e que joga sempre para ganhar – podia perfeitamente ser o capitão de equipa. Mas a influência deste jogador estrangeiro não fica por aqui. O seu papel no futebol do Benfica é fulcral, como se viu na Reconquista do ano passado, onde a entrada de Samaris na equipa, por volta de Janeiro, deu consistência, músculo e força ao meio-campo dos encarnados, algo fundamental para a conquista do campeonato. Por isto e por muito mais, Samaris é tremendamente acarinhado no universo benfiquista. Já é prata da casa, e o seu amor ao clube complementa bem a facilidade com que se adaptou ao país e à língua de Camões. Assim sendo, tal como Portugal abraçou o grego, também este abraçou o seu novo lar. Quem não o conhece, diria que é um português benfiquista desde pequenino.

4.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Filipe Augusto – Este brasileiro já conta cerca de seis épocas em Portugal, e é, por isso, um veterano por estes lados. Começou a sua caminhada no Rio Ave FC em 2012/2013, de onde, após duas épocas e meia, saiu por empréstimo para o Valencia CF. Regressou a Vila do Conde, contou um empréstimo ao SC Braga e acabou por chegar ao Benfica em 2016/2017.

No entanto, no Benfica, foi sempre um corpo estranho, o que levou a um novo empréstimo, desta feita aos turcos do Alanyaspor. Finalmente, na época transacta, regressou ao Rio Ave, a sua “casa” em terras lusas. É efetivamente em Vila do Conde que Filipe Augusto encaixa que nem uma luva: é o patrão do meio-campo dos nortenhos, e esse espírito de líder vale-lhe muitas vezes a braçadeira de capitão, quando Tarantini, o eterno capitão dos vilacondenses, não joga. Tantas épocas a jogar em Portugal fazem com que este brasileiro seja dos futebolistas mais experientes e melhor adaptados ao futebol português. E isso nota-se em campo, já que o jogo passa sempre por ele, o médio que melhor sabe marcar o compasso do futebol da equipa de Carlos Carvalhal. O Rio Ave tem tido um trajeto ascendente, ameaçando a hegemonia do futebol português e causando calafrios aos adversários que jogam no Estádio dos Arcos. Filipe Augusto tem acompanhado de perto esta ascensão e tem sido peça-chave na equipa. Pode-se afirmar que é mais um brasileiro que encontrou em Portugal a sua segunda casa.

3.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Fransérgio – É mais um exemplo de um futebolista que já se tornou “mobília da casa” em Portugal, sendo que chegou a terras lusas em 2013, para actuar pela equipa B do CS Marítimo. A pouco e pouco foi-se adaptando ao futebol nacional, tornando-se fulcral na equipa principal dos Madeirenses. Ao longo das temporadas na ilha, viu o seu esforço coroado em 2015/2016, somando oito golos em 39 jogos.

Com uma estrutura física imponente (1.87 m e 83 Kg), foi acertando o passo rumo à baliza do adversário, sendo, hoje em dia, um dos melhores cabeceadores da Liga. Em 2017/2018, deu o salto para o SC Braga. Nessa época, nos 25 jogos realizados, marcou quatro golos –  nada mau para um médio-ofensivo. Com o passar do tempo, foi-se ajustando ao futebol dos guerreiros, bem diferente do dos insulares. Acabou por assentar como uma luva aos bracarenses. Sempre muito aguerrido, mas dotado de uma técnica que poucos jogadores com este físico possuem, Fransérgio combina um excelente jogo de costas para a baliza, com um grande sentido de oportunidade, o que faz com que apareça, muitas vezes, em zona de finalização, pronto a marcar golo. Esta época, em 35 jogos, já leva cinco golos. Mas, quiçá, mais importante do que isso, está de pedra e cal no onze bracarense e no coração dos seus adeptos. É natural que um jogador estrangeiro que leva mais tempo a jogar em Portugal do que no seu país natal seja acarinhado como um dos nossos. E Fransérgio bem o merece.

2.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Pawel Kieszek – Ninguém diria que um polaco com um nome difícil de pronunciar se viesse a tornar num ícone do futebol português. Mas, em boa verdade, Kieszek soma mais anos a defender equipas lusas do que do seu país de origem. Já passou por cinco clubes em Portugal: Braga, Vitória FC, FC Porto, GD Estoril Praia e, agora, Rio Ave. No total, são oito épocas a defender clubes portugueses, começando a sua primeira aventura lusitana no SC Braga, em 2007/2008.

Pelo meio, contabilizou um empréstimo do Porto aos holandeses do Roda JC e três anos a jogar em Espanha. Viveu o auge da sua carreira com o Porto, quando conquistou a Liga Portuguesa e uma Taça de Portugal de dragão ao peito. Foi importantíssimo para o Vitória FC em 2013/2014, ajudando os sadinos a alcançar um fantástico sétimo lugar, e para o Estoril, ao contribuir para o espectacular oitavo lugar, em 2015/2016. Kieszek tem-se revelado um excelente guarda-redes, sendo que a experiência e a segurança fazem dele o dono e senhor da baliza vilacondense desta época. Já são muitos os jogos em que tem sido decisivo, construindo uma muralha em frente à baliza e dando pontos ao Rio Ave, como se viu no último jogo da equipa, no Estádio do Dragão. O guarda-redes polaco é já um histórico do futebol português: o seu nome é facilmente associável a Portugal. É, por isso, certo que Pawel Kieszek é um monumento do futebol nacional – um polaco que encontrou casa na outra ponta da Europa.

1.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Douglas – Veio para Portugal em 2010/2011, ou seja, completa esta temporada 10 (!) épocas com D. Afonso Henriques ao peito. Se já é raro existirem jogadores a jogar 10 épocas seguidas no mesmo país, mais raro é existirem jogadores a jogar 10 épocas seguidas no mesmo clube. Talvez o guardião se tenha tornado num símbolo dos adeptos do Vitória SC por isso mesmo. O brasileiro já viveu muito em Guimarães: já viu o clube conseguir um histórico quarto lugar em 2016/2017, já viveu dois desapontantes 10º lugares, em 2013/2014 e 2015/2016, e já venceu uma Taça de Portugal, em 2012/2013.

Ao longo desta década, Douglas, com 37 anos, já teve (como todos os jogadores) épocas mais e menos bem conseguidas, mas há algo que não se lhe pode tirar: o esforço e a experiência. É isso que lhe vale a baliza dos conquistadores, de onde ninguém o expulsa há já 10 anos. Mais do que um símbolo do clube minhoto, personifica o percurso do Vitória rumo ao “campeonato dos três Grandes”. Desde que cá está, dá o que pode e o que não pode para ajudar a equipa a afirmar-se como “grande” no futebol português, transmitindo sabedoria e, sobretudo, tranquilidade aos colegas. De facto, não há nada que dê mais serenidade a uma equipa do que ter a baliza bem defendida, e Douglas tem-no feito com mestria. Quem dera a muitas equipas da Primeira Liga ter essa sensação de segurança. O facto de Douglas passar praticamente metade da carreira em Portugal permite-nos concluir que já é um dos nossos. O futebol português e o Vitória bem podem agradecer por ter um guarda-redes deste gabarito a encher as nossas balizas há uma década.

Artigo revisto por Mariana Plácido

Inês Figueiredo Mendanha

Redação Bola na Rede · ver artigos