Publicidade

Os eleitos da Primeira Liga

Pedro Paupério · 7 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Depois de uma semana em que os campeonatos nacionais estiveram interrompidos, em virtude da pausa para as seleções nacionais, muito se tem falado dos eleitos dos selecionadores e, em particular, de Fernando Santos.

Ora, se é certo que o selecionador nacional tem uma missão difícil pela frente (o nível dos jogadores portugueses é cada vez mais elevado), a verdade é que a qualidade daqueles que atuam no nosso campeonato também suscita dúvidas num exercício semelhante.

Assim, o Bola na Rede tentou elaborar aquilo que seria a convocatória de uma seleção cujas opções disponíveis fossem todos os jogadores da Primeira Liga. Além disso, para que as dores de cabeça fossem as mesmas de um verdadeiro selecionador, foram contabilizados não só os momentos de forma de todos os “selecionáveis”, bem como eventuais lesões.

Guarda-Redes

Na baliza, a escolha do número 1 é mais ou menos óbvia: Iker Casillas dispensa apresentações e, a cumprir a sua quarta época em Portugal, é indiscutivelmente o melhor guardião da Liga.

Casillas é o dono da baliza no Dragão há quatro épocas
Foto: FC Porto

Mas, para além do guardião espanhol, há outras boas opções no nosso campeonato. Odisseas Vlachodimos, reforço do Benfica para a nova época, agarrou o lugar e tem justificado a aposta, exibindo um nível que justifica a sua presença nesta lista.

E, por último, uma opção em comum com o selecionador nacional: Cláudio Ramos. O português, claramente acima do nível do seu clube, continua a “reclamar” uma transferência, através de várias exibições vistosas e defesas “impossíveis”.

Na posição mais difícil do jogo, alguns nomes como Leo Jardim ou até Salin têm-se revelado boas surpresas, não chegando, contudo, para conquistarem um lugar entre os eleitos. No sentido contrário, Viviano tem sido a grande desilusão.

Defesas

O lado esquerdo da defesa é uma das posições com as escolhas mais óbvias e, sobretudo, mais capazes.

Alex Telles, o rei das assistências da última edição da Primeira Liga, é uma das figuras do campeão nacional. O brasileiro é capaz de ser uma mais valia não só no plano defensivo, mas também ofensivo, através de cruzamentos certeiros e qualidade no jogo exterior.

Já Grimaldo, por sua vez, tem a qualidade com bola típica das escolas do Barcelona, sendo um lateral de elevado recorte técnico. Com um pé esquerdo invejável, o espanhol é muito forte no jogo interior e, embora não seja tão forte defensivamente como Alex Telles, também garante segurança lá atrás.

No eixo, surge a primeira opção pertencente ao Sporting CP. Sebástian Coates, um central muito competente nos duelos individuais e nas subidas no terreno, conquista o seu lugar sem grandes dificuldades. O seu teórico parceiro de setor, Jérémy Mathieu, seria igualmente um dos eleitos, não fosse a lesão que o vem afastando dos relvados.

Coates é um dos imprescindíveis dos Leões
Foto: Sporting CP

Vindo do outro lado da Segunda Circular, Rúben Dias é outra das apostas comuns com Fernando Santos. O jovem do Benfica, titular desde a época transata, tem subido o nível e, por exemplo, foi recentemente o MVP na vitória do Benfica sobre o Porto.

E é dos dragões, precisamente, que chegam os restantes defesas centrais. Felipe, um jogador muito agressivo nos duelos e forte nas dobras (de resto, à semelhança de Rúben Dias), e com muita força nas bolas paradas, parece também ser indiscutível.

E Éder Militão, uma das boas novidades desta época, fecha o quarteto. Ao contrário dos restantes centrais mencionados, o ex-São Paulo destaca-se pela sua segurança e até qualidade com bola, revelando uma maturidade impressionante para os seus 20 anos.

Além disso, dada a falta de opções de qualidade do lado direito, a sua polivalência (sempre útil para estas escolhas) permite-lhe ser simultaneamente um dos quatro centrais e alternativa na lateral, abrindo espaço para mais uma opção no ataque.

No que toca as alternativas possíveis, Maxi demonstra estar já demasiado velho para aguentar as invariáveis subidas pelo corredor; já Ristovski padece também de problemas defensivos, mas neste caso por falta de qualidade no posicionamento; e Marcelo Goiano também não tem a qualidade necessária; por último, nenhum dos clubes mais pequenos apresenta uma alternativa suficientemente viável, sendo Bebeto, do Marítimo, aquele que mais se aproxima.

André Almeida é o titular dos encarnados
Foto: SL Benfica

Assim, a defesa fica fechada com a escolha de André Almeida. O benfiquista, longe de ser um prodígio, vai segurando a titularidade mais pela ausência de qualidade na concorrência, algo que acaba por justificar também esta opção.

Médios

 

No meio-campo defensivo, a saída de William Carvalho, embora retire qualidade ao elenco, facilita as opções. Danilo, recuperado da lesão que o afastou dos relvados quase cinco meses, é presença obrigatória, pela capacidade defensiva que consegue dar à equipa, não se inibindo também de atacar, e até pela dimensão física.

Por outro lado, o jogador talismã do Benfica, campeão nas suas primeiras quatro épocas em Portugal, Fejsa, é também escolha óbvia. Pelo equilíbrio que consegue dar a uma formação que atua com tanta gente no ataque, o sérvio é absolutamente fundamental na sua equipa, e imprescindível numa convocatória talhada para futebol de ataque.

Herrera é outro dos nomes que não pode faltar. Quer seja num 4-4-2, mais à semelhança de FC Porto e Braga, quer num 4-3-3 como os de José Peseiro e Rui Vitória, o mexicano é o médio ideal para jogar à frente de um dos trincos mencionados: tem um grande raio de ação, viaja de área a área, é forte na recuperação, mas também no jogo ofensivo. Um médio completo.

Já para opções mais ofensivas no meio-campo, Bruno Fernandes surge à cabeça. Pela qualidade que acrescenta à construção, o médio do Sporting poderia também atuar à frente do trinco, embora tal opção fosse obrigar a equipa a expor-se mais do que com Herrera. Por outro lado, o melhor jogador da última edição da Liga poderia atuar em conjunto com o médio do Porto, à frente do trinco, formando um meio-campo a três.

Bruno Fernandes, o melhor jogador da última edição da Liga
Foto: Sporting CP

E é precisamente neste desenho tático onde melhor se pode enquadrar o último médio da lista, Óliver Torres. É certo que o espanhol nem sequer é titular nos azuis e brancos, mas a verdade é que a sua visão e qualidade de passe o tornam num jogador distinto do nosso campeonato. Com Óliver, qualquer equipa ganha mais conforto com a bola, uma virtude indispensável.

Palavra para Pizzi que, embora seja igualmente um jogador de grande qualidade, não consegue oferecer o mesmo controlo e qualidade na posse de Óliver, caraterísticas essenciais numa convocatória, e está um degrau abaixo de Bruno Fernandes, acabando por ficar de fora das opções.

Extremos

Para o flanco esquerdo, dois jogadores parecidos nos seus movimentos: de baixa estatura, mas enorme qualidade técnica, dois craques que partem do corredor para pisar terrenos centrais e que, além de organizarem os ataques das suas equipas, ora criam oportunidades, ora aparecem para finalizar. Fala-se, claro, de Brahimi e Nakajima.

O argelino, o jogador mais talentoso da Primeira Liga, é escolha óbvia, mas o nipónico, cada vez mais cotado, surge como um substituto de excelência, como, de resto, se especula que possa acontecer no Dragão.

: Nakajima é provavelmente o melhor jogador extra-grandes da Liga
Foto: Portimonense SC

Já na direita, dois homens que, embora também sejam fortes nas diagonais, são geralmente mais verticais que os dois extremos já mencionados.

Primeiro, Salvio, a cumprir a sua oitava época de águia ao peito, é também escolha óbvia, não só pelo que cria, mas essencialmente pelo que dá à equipa em números. Para além das assistências, são já 60 golos com a camisola do Benfica, contribuição muito assinalável para um extremo.

Mas, além do argentino, há outro extremo muito forte a finalizar no nosso campeonato: Raphinha. O jogador do Sporting, depois de ter feito o gosto ao pé 18 vezes pelo Vitória na época passada, já marcou dois tentos este ano em Alvalade, e a sua irreverência e explosividade são armas muito perigosas.

Avançados

A posição onde as lesões mais se fazem sentir. Ignorando este fator, Jonas, Bas Dost e, porventura, Aboubakar, seriam nomes a figurar na lista, e formariam um conjunto fortíssimo.

Sem estes nomes, as escolhas ficam mais restritas, sobrando apenas dois pontas de lança de área. O primeiro, mais possante, é o atual melhor marcador da Primeira Liga, Dyego Souza. O brasileiro, muito forte fisicamente, é uma arma poderosa para amarrar marcações e tem um instinto matador letal.

Dyego Souza é o atual melhor marcador da Liga
Foto: SC Braga

O segundo, mais móvel, é Tiquinho Soares. O avançado do Porto, embora esteja ainda à procura da melhor forma, pela combatividade, jogo aéreo e velocidade que oferece, consegue superar a concorrência de jogadores como Fredy Montero, em destaque nos últimos jogos, Paulinho ou Seferović.

Já no apoio aos pontas de lança, dois avançados que podem jogar soltos num 4-4-2 ou encostar à linha em 4-3-3.

Marega, o melhor marcador portista na última edição do campeonato, acrescenta muito no ataque à profundidade, explorando as costas das defesas contrárias e abrindo, por vezes, espaços para o companheiro de setor.

Já o último bilhete dos 23 vai para Nani. É certo que o capitão do Sporting já não tem o virtuosismo e, sobretudo, a velocidade de outros tempos, mas a capacidade de definição que acrescenta a jogar no meio é muito útil, como se viu, por exemplo, no Euro 2016 que conquistou por Portugal.

Convocatória Final:

-Casillas

-Odisseas Vlachodimos

-Cláudio Ramos

 

-André Almeida

-Éder Militão

-Rúben Dias

-Felipe

-Coates

-Alex Telles

-Grimaldo

 

-Danilo

-Fejsa

-Herrera

-Bruno Fernandes

-Óliver Torres

 

-Brahimi

-Raphinha

-Salvio

-Nakajima

 

Nani

Marega

Soares

Dyego Souza

 

Riscados dos “Pré-convocados”:

-Salin

-Pablo

-Marcelo Goiano

-João Novais

-Pizzi

-Rafa

-Fredy Montero

Foto de Capa: Federação Portuguesa de Futebol

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

 

 

 

Pedro Paupério

Redação Bola na Rede · ver artigos