Portugal português: Santos da casa fazem milagres?

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Pelo segundo ano consecutivo, a Primeira Liga arrancou com apenas técnicos portugueses ao comando dos 18 clubes participantes. Importa ressalvar que Lito Vidigal, treinador do Vitória FC, tem dupla nacionalidade (angolana-portuguesa). Pode não passar de uma mera curiosidade, mas marca uma mudança de mentalidade de todos os clubes – ou pelo menos assim se espera.

Já lá vão as épocas em que qualquer treinador estrangeiro servia para atacar a manutenção e se viam os técnicos portugueses a ter êxito além fronteiras. Claro está que num campeonato só com treinadores lusos, pelo menos dois não vão ter sucesso e vão descer. No entanto, esse é um preço a pagar, como qualquer outro, pela aposta feita no início da época. Desta forma, é dado o espaço necessário ao surgimento e crescimento de belíssimos treinadores nacionais e acabar com o mito de que José Mourinho é a única cara do sucesso do treino profissional de futebol em Portugal.

Mesmo os clubes grandes parecem seguir esta via e são raros, nos últimos anos, os técnicos estrangeiros nos bancos dos crónicos candidatos ao título. Por exemplo, se nos últimos nove anos o SL Benfica só teve dois treinadores (portugueses), também é verdade que nos nove anteriores teve oito técnicos diferentes e de quatro nacionalidades distintas. Exemplo semelhante é o do SC Braga. Incluindo os minhotos neste lote de equipas mais capazes, observamos a primazia dada ao técnico português; desde 2003 passaram 15 treinadores pelo clube, todos eles portugueses (entre eles Jesualdo Ferreira, Jorge Jesus, Domingos Paciência, Leonardo Jardim, Sérgio Conceição ou Paulo Fonseca).

Luís Castro deixou o GD Chaves e tenta agora devolver épocas seguras, conquistas e lutas europeias ao Vitória SC
Fonte: Vitória SC

A aposta em treinadores portugueses não se fica pelos ‘jovens’ à procura de espaço e afirmação, mas passa também pelos mais experientes e conhecedores do nosso campeonato. Luís Castro (53 anos), depois de deixar a equipa ‘B’ do FC Porto, abraçou projetos diferentes, mas interessantes em Vila do Conde e em Chaves. Os resultados foram agradáveis e bastante elogiados, levando-o desta vez à cidade de Guimarães e a um plantel com o qual pode alcançar metas mais ambiciosas.

Também Vítor Oliveira (64 anos), depois de tantos anos na Segunda Liga, e promoção atrás de promoção, acompanhou o recém promovido Portimonense SC e terminou a temporada anterior a meio da tabela. Além destes dois exemplos, são também conhecidos os casos de Jorge Jesus, Manuel Machado ou Manuel Cajuda, técnicos que andaram por muito tempo no principal escalão do futebol português e que, estando ou não noutras paragens, seriam apostas seguras, viáveis ou não, para os objetivos da generalidade das equipas.

Diogo Pires Gonçalves
Diogo Pires Gonçalveshttp://www.bolanarede.pt
O Diogo ama futebol. Desde criança que se interessa por este mundo e ouve as clássicas reclamações de mãe: «Até parece que o futebol te alimenta!». Já chegou atrasado a todo o lado mas nunca a um treino. O seu interesse prolonga-se até ao ténis mas é o FC Porto que prende toda a sua atenção. Adepto incondicional, crítico quando necessário mas sempre lado a lado.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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