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Portugal português: Santos da casa fazem milagres?

Diogo Pires Gonçalves · 4 min

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Pelo segundo ano consecutivo, a Primeira Liga arrancou com apenas técnicos portugueses ao comando dos 18 clubes participantes. Importa ressalvar que Lito Vidigal, treinador do Vitória FC, tem dupla nacionalidade (angolana-portuguesa). Pode não passar de uma mera curiosidade, mas marca uma mudança de mentalidade de todos os clubes – ou pelo menos assim se espera.

Já lá vão as épocas em que qualquer treinador estrangeiro servia para atacar a manutenção e se viam os técnicos portugueses a ter êxito além fronteiras. Claro está que num campeonato só com treinadores lusos, pelo menos dois não vão ter sucesso e vão descer. No entanto, esse é um preço a pagar, como qualquer outro, pela aposta feita no início da época. Desta forma, é dado o espaço necessário ao surgimento e crescimento de belíssimos treinadores nacionais e acabar com o mito de que José Mourinho é a única cara do sucesso do treino profissional de futebol em Portugal.

Mesmo os clubes grandes parecem seguir esta via e são raros, nos últimos anos, os técnicos estrangeiros nos bancos dos crónicos candidatos ao título. Por exemplo, se nos últimos nove anos o SL Benfica só teve dois treinadores (portugueses), também é verdade que nos nove anteriores teve oito técnicos diferentes e de quatro nacionalidades distintas. Exemplo semelhante é o do SC Braga. Incluindo os minhotos neste lote de equipas mais capazes, observamos a primazia dada ao técnico português; desde 2003 passaram 15 treinadores pelo clube, todos eles portugueses (entre eles Jesualdo Ferreira, Jorge Jesus, Domingos Paciência, Leonardo Jardim, Sérgio Conceição ou Paulo Fonseca).

Luís Castro deixou o GD Chaves e tenta agora devolver épocas seguras, conquistas e lutas europeias ao Vitória SC
Fonte: Vitória SC

A aposta em treinadores portugueses não se fica pelos ‘jovens’ à procura de espaço e afirmação, mas passa também pelos mais experientes e conhecedores do nosso campeonato. Luís Castro (53 anos), depois de deixar a equipa ‘B’ do FC Porto, abraçou projetos diferentes, mas interessantes em Vila do Conde e em Chaves. Os resultados foram agradáveis e bastante elogiados, levando-o desta vez à cidade de Guimarães e a um plantel com o qual pode alcançar metas mais ambiciosas.

Também Vítor Oliveira (64 anos), depois de tantos anos na Segunda Liga, e promoção atrás de promoção, acompanhou o recém promovido Portimonense SC e terminou a temporada anterior a meio da tabela. Além destes dois exemplos, são também conhecidos os casos de Jorge Jesus, Manuel Machado ou Manuel Cajuda, técnicos que andaram por muito tempo no principal escalão do futebol português e que, estando ou não noutras paragens, seriam apostas seguras, viáveis ou não, para os objetivos da generalidade das equipas.

Àqueles a quem mais interessa o futuro, também há exemplos que os suportam. O facto de arriscar num treinador sem créditos ou provas dadas não deve ser encarado com medo, mas sim como um risco necessário e igual ao da contratação de um atleta. Miguel Cardoso, treinador do FC Nantes, antes de assumir o comando do Rio Ave FC, tinha desempenhado apenas cargos de treinador adjunto e coordenador técnico. Apesar disso, e de se ter constituído como uma época de enorme aprendizagem, como o próprio já confessou, os resultados foram extremamente positivos e a qualidade do seu futebol era elogiada até pelos próprios atletas, conscientes do bom trabalho que era desenvolvido.

Antes do fantástico 3.º lugar pelo FC Paços de Ferreira, Paulo Fonseca contava com apenas cinco anos de treinador principal de equipas seniores. Mais uma vez, é a qualidade que importa e não o tempo passado num determinado papel ou as provas dadas em determinadas situações. Além desta classificação histórica, Paulo Fonseca, apesar da época menos conseguida nos dragões, chegou ainda ao SC Braga e atualmente é bicampeão ucraniano pelo FC Shakhtar Donetsk, a lutar pelo ‘tri’.

José Mota vai para a terceira época no CD Aves, a segunda consecutiva, e foi no Aves que venceu uma Taça de Portugal
Fonte: CD Aves

No que aos treinadores da presente época diz respeito, destacam-se as estreias de Cláudio Braga e António Folha na Primeira Liga, ao serviço de CS Marítimo e Portimonense SC, respetivamente. O técnico dos insulares vem dos holandeses do Fortuna SC, enquanto o treinador dos algarvios vem da equipa ‘B’ do FC Porto.

No total, são nove as equipas que mantêm os seus treinadores. Sérgio Conceição segue para a segunda época no Dragão, assim como Jorge Simão no Bessa, Silas em Belém/Jamor, José Mota na Vila das Aves e Costinha na Madeira. Para a terceira época ao serviço do mesmo clube, entram Abel Ferreira em Braga, Nuno Manta Santos na Feira e Pepa em Tondela. Contudo, o treinador que há mais épocas consecutivas se mantém no mesmo posto é Rui Vitória, iniciando, agora, a quarta temporada na Luz.

Por outro lado, apesar de habituados à Primeira Liga, iniciam um novo projeto José Peseiro em Alvalade, Lito Vidigal em Setúbal, Luís Castro em Guimarães, João Henriques nos Açores, Ivo Vieira em Moreira de Cónegos, José Gomes em Vila do Conde e Daniel Ramos em Chaves.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Diogo Pires Gonçalves

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