O FC Famalicão regressou à Primeira Liga nesta última época 25 anos depois da última presença e mostrou que não veio para brincadeiras. Ao contrário de muitas equipas que se qualificam para o principal escalão do futebol português depois de anos de ausência, o emblema de Vila Nova de Famalicão não começou a temporada com o objetivo de apenas tentar garantir a manutenção através de um futebol muitas vezes medíocre baseado no “salve-se quem puder” e na estratégia já muito refinada por algumas equipas portuguesas de jogar com o cronómetro, porque um empate é sempre melhor que uma derrota e pode ser que chegue para as contas no final da época.

Este Famalicão é diferente. Encarou cada jornada com um pensamento de “equipa grande”, sempre com o objetivo de encarar o adversário e disputar cada jogo como se o seu destino dependesse daquela vitória. Os primeiros jogos do campeonato denotaram isso mesmo e a cada três pontos conquistados, os famalicenses ganhavam força para fazer história no final da época.

Claro que trabalhar em cima de vitórias é teoricamente mais favorável a qualquer equipa, porque o fator motivação está mais do que garantido. Mas esta sequência positiva só foi possível devido a uma inteligente gestão do plantel, cimentada num notável trabalho realizado por João Pedro Sousa e a sua equipa técnica e por uma grande resposta em campo dos jogadores.

Não foi tudo um mar de rosas e, na segunda metade da primeira volta do campeonato, já assistimos a um Famalicão a perder o seu nível exibicional e a sua consistência em campo, refletindo-se esta quebra nos resultados. Aqui, a paragem forçada devido ao novo coronavírus poderá ter sido crucial para ajudar a equipa a redefinir estratégias e reorientar o foco, já que melhorou as suas exibições aquando a retoma da competição, coroada logo com uma vitória no primeiro jogo de regresso frente ao clube que viria a ser o campeão nacional, o FC Porto.

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Os bons resultados começaram, naturalmente, a alimentar o sonho europeu em Famalicão que via o quinto lugar no final da época cada vez mais possível e, com ele, um lugar na qualificação para a Liga Europa, algo nunca conseguido no clube nortenho. Não sabemos se este foi um objetivo definido por Sousa e os seus adjuntos logo no início da época, mas com certeza tornou-se o alvo dos famalicenses na reta final do campeonato que quase viam este desígnio tornar-se realidade.

Uma infelicidade do destino atirou o Famalicão para o sexto lugar na derradeira jornada, já no período de descontos: Rúben Lameira marca aos 91 minutos o golo que parecia colocar definitivamente a equipa na Europa, mas, aos 95 minutos, Erivaldo “atira um balde de água fria” às pretensões famalicenses, ao marcar o golo do empate que sentenciou o destino do Famalicão, empurrando-o para a sexta posição e fora das competições europeias.

Apesar deste fracasso que marcou o final da época, o emblema orientado por João Pedro Sousa – que, ao que tudo indica, vai continuar no leme da equipa – fez uma época surpreendentemente positiva e que irá, certamente, servir de exemplo na preparação da nova temporada. Entretanto, o “Fama” – como é carinhosamente tratado pelos seus incansáveis adeptos –  já se viu órfão de uma das suas principais estrelas na temporada passada, Fábio Martins, que anunciou na sua despedida do clube ter vivido uma “história incrível” e afirmando que o plantel conseguiu “algo ímpar em Portugal, acima de tudo porque jogamos sempre com alegria e com prazer”.

Em sentido contrário chegaram já ao clube alguns reforços que, muito possivelmente, vão fazer a diferença no plantel: o médio de 25 anos Andrija Lukovic, proveniente dos polacos RKS Rakow; Alexandre Penetra, defesa central de apenas 18 anos que se transferiu da formação do SL Benfica e inicia agora o seu percurso no futebol sénior; Fernando Valenzuela, extremo de 23 anos internacional pela seleção sub-23 da Argentina, Diego Batista, chegado também do Seixal, com 20 anos e Abdul Ibrahim, o ganês de 21 anos que vem do GD Chaves e que atua como defesa esquerdo.

Tudo indica que o Famalicão tem todos os ingredientes necessários para replicar ou ultrapassar na próxima época o sucesso alcançado em 2019/20. Quem sabe se não será já daqui a dois anos que vemos os famalicenses a representar o futebol português na Europa?

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

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