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A atravessar um mau período, com apenas uma vitória nos últimos seis encontros, a equipa de Vila do Conde recebeu o Feirense com várias alterações no onze, com destaque para a ausência de Francisco Geraldes e a titularidade de Gabrielzinho.
Já a equipa de Nuno Manta, apenas dois pontos acima da linha de água, apresentou uma formação inicial muito próxima do habitual, com a exceção do guarda-redes, Michal Miskiewicz, no lugar do lesionado Caio Secco.
A partida começou lenta, com o Rio Ave, como esperado, a tentar assumir o jogo, mas sem encontrar espaços na defesa fogaceira.
A equipa de Nuno Manta, bem organizada, ia afastando o perigo da sua área e conseguiu chegar ao golo logo na sua primeira oportunidade, por Luís Machado. Na sequência de um cruzamento pela direita, Nélson Monte alivia mal, de cabeça, e deixa a bola à mercê do camisola 7 do Feirense, que aparece nas costas de Lionn para finalizar à boca da baliza.
A formação caseira tentou reagir ao golo sofrido, apostando sobretudo no jogo interior dos seus extremos e nas subidas dos laterais, mas definia quase sempre mal no último terço, não conseguindo criar perigo junto da baliza adversária.
O jovem Gabrielzinho, a jogar sobre a esquerda, era a personificação da exibição vilacondense. Demasiado desligado da equipa, ia complicando quase sempre em demasia e acumulava perdas de bola, prejudicando a manobra ofensiva do conjunto de Miguel Cardoso.
Perante este cenário, só aos 40 minutos a equipa da casa conseguiu criar um lance digno de destaque, com Barreto a rematar de muito longe e a bola a passar ligeiramente por cima da baliza do Feirense.
O jogo aqueceu nos minutos finais do primeiro tempo e o Rio Ave ficou de novo perto de golo na sequência de um canto, mas Tarantini, por duas vezes, não conseguiu desviar com sucesso.
Na resposta, foi o Feirense que ficou perto do golo, com Crivellaro a desviar ao lado o cruzamento de Luís Machado.
Ainda antes do apito para o intervalo, Guedes apareceu bem nas costas da defesa adversária e cabeceou forte e colocado, mas Miskiewicz respondeu com uma defesa de grande nível e segurou o 1-0 até ao descanso.
A equipa do Rio Ave regressou do intervalo com vontade de manter as melhorias registadas nos últimos minutos do primeiro tempo, mas continuava a apresentar muitas dificuldades em ligar o seu jogo, o que levou Miguel Cardoso a fazer entrar Francisco Geraldes para o lugar de Barreto.
Com o médio emprestado pelo Sporting em campo, a formação vilacondense melhorou as suas combinações e chegou à igualdade aos 56 minutos. Excelente triangulação entre Tarantini, Yuri Ribeiro e Guedes, com o capitão a descobrir o lateral na profundidade e Guedes a cabecear para o fundo das redes depois do cruzamento do defesa.
Insatisfeito com o volume ofensivo da equipa, Miguel Cardoso fez entrar Gelson Dala, regressado de lesão, por troca com Gabrielzinho. O avançado cedido pelo Sporting entrou com vontade de mostrar serviço e, depois de uma recuperação de bola, ganhou metros no campo e serviu Guedes, que rematou por cima em boa posição.
A equipa da casa sofreu nova contrariedade ao minuto 80, altura em que Lionn, por lesão, pediu a substituição e obrigou Miguel Cardoso a esgotar as alterações com a entrada de Nadjack. Do lado do Feirense, Nuno Manta, que já tinha feito entrar Hugo Seco, respondeu com a entrada de Cris.
O Rio Ave continuava à procura do golo da reviravolta e acabou mesmo por conseguir adiantar-se no marcador na cobrança de um penálti, aos 85 minutos. João Novais, na direita, procurou Gelson Dala na profundidade, o avançado angolano apareceu muito rápido nas costas da defesa e acabou por ser derrubado pelo guarda-redes do Feirense, com Vasco Santos a apontar para a marca dos 11 metros. Na cobrança, Pelé enganou Miskiewicz e fez o 2-1 para os anfitriões com um remate colocado.
Até ao final a equipa do Feirense tentou recuperar o empate, subindo no terreno e conquistando alguns pontapés de canto, mas não conseguiu mais do que assustar Cássio com um cruzamento remate que o guardião brasileiro defendeu para cima do travessão.
A FIGURA

Gelson Dala – O angolano deixou boas indicações nos primeiros jogos na equipa do Rio Ave, mas uma lesão impediu-o de dar o seu contributo nos últimos encontros. Hoje, regressou para revolucionar o ataque vilacondense e, já depois de ter deixado Guedes em boa posição, arrancou o penálti que deu a vitória à equipa da casa.
O FORA DE JOGO

Gabrielzinho – O avançado brasilerio foi a contratação mais cara de sempre do Rio Ave mas ainda não conseguiu mostrar o seu potencial. Hoje, complicou quase sempre demasiado e acumulou perdas de bola, não conseguindo ser uma mais valia para o futebol da sua equipa. Acabou por ser substituído, sem surpresa, e viu Gelson Dala ter um impacto muito superior em pouco tempo.
BnR na Conferência de Imprensa
BnR: A segunda parte começou equilibrada, o Feirense teve até oportunidades para fazer o 2-0, acaba por sofrer o 2-1, é para si esse o momento chave do jogo?
Nuno Manta: A equipa entrou para a segunda parte e teve logo duas ocasiões para fazer o 2-0. Não fez, manteve-se estável, sofreu um golo e é evidente que a equipa fica receosa e que a equipa que faz o golo cresce e tenta de imediato potenciar o seu jogo ofensivo. Penso que não foi um momento chave para o Rio Ave, e nós continuámos serenos, com prudência em relação ao jogo e sabendo o que tínhamos de fazer, mas há que dar mérito ao Rio Ave, também nunca nos deixou sair na segunda parte com o critério que estávamos a ter na primeira e perdemos muitas vezes a bola com passes errados.
BnR: Gelson Dala chega no mercado de inverno, faz alguns jogos e deixa boas indicações, depois acaba por ficar afastado e hoje regressa e acaba por ser determinante com uma boa entrada e ao conquistar o lance do penálti. É uma das melhores notícias para o Rio Ave nesta fase da época, o seu regresso? E que importância pode ter no desfecho final do campeonato?
Miguel Cardoso: Acho que é fundamental perceber-se que a diversidade nos permite fazer mais escolhas. Dá mais disponibilidade, e permite-me poder escolher em função dos contextos, porque os adversários e os momentos de forma não são todos iguais, e acima de tudo permite-nos ter um nível competitivo de treino muito mais elevado. Nós tivemos, confesso, algumas semanas onde o nível de treino baixou, porque tivemos que chamar muitos jogadores da equipa B, e tivemos algumas dificuldades. O regresso do Gelson, do Leandrinho ou do Diego acrescentam e permitem-nos ter mais escolhas, e quem tem mais escolhas, se tiver critério, vai acertar.
Foto de Capa: Bola na Rede
Artigo revisto por: Jorge Neves








