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Foi no norte de Portugal, mais precisamente na belíssima cidade de Guimarães que o nosso país nasceu. Foi aí nesta cidade que nasceu o primeiro rei de Portugal, foi aí que se travou a importante batalha de São Mamede, foi aí que se deram tantas e tantas histórias tão importantes para podermos ser um país. Mas o tempo não parou e neste domingo foi a vez do Moreirense escrever uma das mais belas histórias que a cidade de Guimarães terá memória. Mas vamos com calma que lá chegaremos.
Na época de 2013/2014, o Moreirense encontrava-se na segunda liga com o objetivo de regressar ao principal escalão do futebol português. A escolha não podia ser mais óbvia: Vítor Manuel Oliveira, o rei das subidas. A equipa conseguiu ficar em primeiro lugar, sem grandes dificuldades e já com Tony Conceição a liderar a equipa.
Na temporada seguinte o objetivo seria o de assegurar a manutenção. Para isso chegou ao clube Miguel Leal, técnico que tinha feito um bom trabalho no Penafiel. Miguel Leal acabou por permanecer no clube de Moreira de Cónegos duas temporadas, conseguindo garantir sempre, de forma tranquila, a manutenção. Nesta temporada ambicionava-se mais. Para além dos bons resultados, os dirigentes do Moreirense procuravam bom futebol. Para alcançar um futebol mais positivo, chegou Pepa, treinador que havia impressionado na segunda liga ao serviço do Feirense.

Fonte: Moreirense FC
A temporada até começou bem mas com o passar dos jogos a equipa começou a acumular derrotas. A equipa jogava bom futebol mas havia sempre muitas condicionantes: jogadores expulsos muitas vezes, golos sofridos ao cair do pano e uma falta de capacidade em finalizar as jogadas. À décima jornada a equipa somava apenas duas vitórias e mesmo com a equipa a praticar um futebol agradável era importante garantir pontos para assegurar a manutenção.
Para se alcançar o objetivo da manutenção, a direção decidiu escolher um homem mais experimentado no futebol português, optou-se pela experiência em detrimento da juventude e da irreverência. Augusto Inácio, um homem que já tinha estado em Moreira de Cónegos, um homem que já não treinava desde 2012/2013 e que nas últimas temporadas tinha estado ligado à estrutura do futebol do Sporting. Se alguns adeptos torceram o nariz com o regresso de Augusto Inácio a Moreira de Cónegos, outros apostavam claramente que o homem ia conseguir alcançar os objetivos do clube. A verdade é que ninguém acreditava no que viria a acontecer…
Foto de Capa: Moreirense FC
Augusto Inácio pegou na equipa e começou desde cedo a vincar a sua identidade nos seus jogadores. A equipa do Moreirense passou a ser uma equipa competente a defender e sobretudo mais pragmática nos jogos. A equipa centrou-se no objetivo de defender bem para depois chegar ao golo e pode-se dizer que esta máxima tem resultado. Fruto de um modelo de jogo melhor trabalhado na parte defensiva e com maior liberdade no momento ofensivo, alguns jogadores começaram a destacar-se.
Na defesa, Makaridze tem sido uma autêntica muralha, demonstrando claramente nível para mais, Sagna e Rebocho têm sido determinantes pela sua garra e pela capacidade em desiquilibrar. No meio-campo, Cauê-heroí da final da Taça e o jovem leonino, Francisco Geraldes, têm conseguido aliar o rigor defensivo e o equílibrio, à fantasia e criatividade. Enquanto no ataque, Podence, outro jovem dos leões, e Boateng têm sido uma autêntica dor de cabeça para os adversários através da sua velocidade, do repentismo e da capacidade de decisão que os jovem têm evidenciado.
Depois da equipa ter conseguido se estabilizar na Liga através de algumas vitórias, as atenções viraram-se para a Taça da Liga. Num grupo composto por Feirense, Porto e Belenenses, a equipa conseguiu chegar ao primeiro lugar. Depois de uma vitória frente ao Feirense e de um empate a três frente ao Belenenses, o Moreirense recebeu em casa o Porto. A equipa de Moreira de Cónegos tinha os seus objetivos bem definidos e frente aos azuis e brancos conseguiu uma vitória por 1-0, anulando por completo todas as iniciativas do Porto e atirando a equipa para o último lugar do grupo B. Na final-four, outro grande pela frente.

Fonte: Moreirense FC
Desta feita a equipa de Augusto Inácio iria enfrentar o Benfica, na altura o atual detentor da Taça da Liga e a equipa com maior número de competições conquistadas. A equipa não se intimidou e mesmo com algumas segundas opções e depois de uma primeira parte extremamente complicada, conseguiu vencer o Benfica por uns expressivos 3-1. Neste jogo a equipa conseguiu baralhar a defensiva encarnada através dos contra-ataques rápidos e defensivamente contaram com um Makaridze inspirado e com uma estrelinha de campeão. Metade do sonho já estava alcançado mas estes jogadores queriam ser conquistadores e lá foram eles para a final em busca do sonho da Taça.
Num jogo em que o Sporting de Braga era favorito, os jogadores do Moreirense foram para o jogo com a noção de que podiam festejar no final. A equipa de Moreira de Cónegos voltou a jogar ao seu estilo: com muita garra, muita determinação, agressiva nos momentos de perda da bola e com muita entreajuda no final da partida. No final dos 90 minutos os conquistadores de Moreira de Cónegos tinham sido superiores aos guerreiros do Minho e alcançavam o sonho da Taça.
Agora, antes destes jogadores passarem a pensar no objetivo da manutenção, há que os felicitar pela conquista da Taça. Por terem sido responsáveis por uma das mais belas histórias do futebol português dos últimos tempos. Os conquistadores de Moreira de Cónegos estão de parabéns.
Foto de Capa: Moreirense FC












