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SC Braga: Ter um Coração de Guerreiro

Pedro Nuno Sousa · 4 min

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Cabeçalho Futebol Nacional

É de Braga que parte a “procissão”. É de lá que parte e esperemos que lá volte sempre. Com mais títulos, reconhecimento, carinho, apoio e acima de tudo cabeça erguida, a olhar o horizonte bem de frente. Os homens mais bravos são aqueles que nunca baixam os braços nem a cabeça à guerra. São Guerreiros. Têm também uma outra particularidade para além do seu enorme coração. Olham o céu e vêm as estrelas porque o sonho um dia vai-se realizar. Mas para já, pés assentes no chão e desfrutemos. É para isso mesmo que o desporto existe. Para ser divertido para quem o pratica e para quem o vê.

Aquele clube que já em tempos longínquos conquistou uma taça de Portugal, mostra agora quem é. Sem sombra para dúvida não um grande, mas um enorme do futebol português. Eu digo-vos porquê. Não passa por se equivaler a um grande, os feitos que este Braga tem alcançado nos últimos anos, passa sim por se tornar enorme pela união, gestão e resultados apresentados ao longo do tempo que nos mostram a fortaleza bem ornamentada que é a morada dos guerreiros. A pedreira que nos protege e já nos fez sonhar e alcançar grandes feitos só comparáveis com os artistas que no pódio se mantém. – Ou não.

Já por algumas vezes o Braga conseguiu lá chegar, e não foram ares de espanto que lá o levaram. Foram precisos anos de trabalho, dedicação e acima de tudo um coração guerreiro que levaram este Braga a mostrar e a dar provas do que é feito na formação de homens e não só de atletas. Este clube é ainda maior que qualquer grandeza por uma outra razão. É que não é preciso abundância de capital para ter mais. É sim necessário querer. Sem desistir e ir sempre à luta, é essa a característica maior de um guerreiro. Um coração que se enche de coragem independentemente do desafio que pela frente encontre.

O SC Braga está a realizar uma boa temporada com Paulo Fonseca Fonte: SC Braga
O SC Braga está a realizar uma boa temporada com Paulo Fonseca
Fonte: SC Braga

A maior lição que se aprende na pedreira é que quanto mais alto, maior é a queda. Bem, da fortaleza já vos falei. Querem saber de quem lá foi. Frente a grandes equipas o Braga soube-se bater. E não foi só cá dentro. Engane-se quem assim o pensa. Arsenal, Liverpool, Celtic, Sevilha, Marselha, Udinese, Manchester United, Fenerbache, Galatasaray, Partizan, Shaktar Donetsk, Dinamo de Kiev, Besiktas, AC Milan, Wolfsburgo, St. Liége, PSG, Estrela Vermelha, Portsmouth, Herenveen, Werder Bremen, Bayern Munich, Chievo, Bolton, Tottenham, Sion. São estes alguns exemplos. Não volto mais atrás no tempo porque não devo enumerar-lhe uma lista. Ficamos por aqui, pois para mim e para si leitor, são estes os que sem sombra para dúvida se deverá recordar , pois são de uma recente memória que por aí paira. Atrevo-me a perguntar-lhe se não conhece alguma dessas equipas. Pois atrevo-me ainda mais a adivinhar a sua resposta sem nunca querer roubá-la e subentender que tudo sabe.

É verdade que os Guerreiros já conseguiram superiorizar-se a algumas destas, mostrando que o trabalho e a vontade de crescer são por vezes superiores a qualquer glória que paire em torno destes gigantes. Se há coisa que deve ter reparado, é que para além de multicultural, e linguístico, o Braga é do mundo. Não é racista, não é xenófobo, não é circunscrito nem posse de nada nem ninguém. Finalmente, é português. Como bom português que a História nos conta é um aventureiro; pois é por esse mundo fora que o Braga tanto conquista e conhece a sua génese. Este ano espera-se outra surpresa. Vamos ver do que é capaz o futuro e esta equipa. Não são provas que se pedem. Só alegrias.

Mas eu falo-lhe de cá de dentro se tem tempo para tomar mais uma taça. Mais uma taça leva também o Braga nos tempos recentes. A da Liga. Este ano tem possibilidade de a ir buscar e trazê-la para junto dos Bracara Augustanos novamente. A outra, que é de Portugal, sonha-se por Braga que é este ano que com ela brindámos à alegria, com a juventude que mora no clube e na cidade. Com um segundo e terceiro lugar que não passa de memória mas por bons motivos, com uma carrada de quartos lugares que nos cimentam nas posições cimeiras, e com uma presença assídua na primeira divisão do futebol nacional desde 75/76, facto quase inseparável de um marco histórico na nossa identidade como país livre, são estes alguns factos que para si trago.

Para me despedir, digo-lhe que estou com a “Nossa Senhora do Leite” e com o seu menino ao «colinho», a comer um pudim do Abade de Priscos, numa tasquinha bem minhota, depois de vinho verde e uns rojões. E mais não digo porque daqui a pouco “dá o Braga”. E não vai ser por um canudo, que o vou ver, de certeza. Até mais!

Foto de capa: SC Braga

Pedro Nuno Sousa

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