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Se a minha vida fosse um e-mail

José Pedro Pais · 2 min

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Cabeçalho Futebol NacionalNesta história dos e-mails não há inocentes.

Não sejamos líricos e não desviemos atenções para o mérito desportivo (ou falta dele) dos concorrentes pelo título.

Houve, sem margem para qualquer dúvida, uma tentativa por parte de colaboradores do SLB – com conhecimento do presidente LFV – em condicionar a arbitragem em Portugal, e isso é punível com descida de divisão. Ponto final.

Em qualquer outro país – como aconteceu no caso italiano por exemplo – era uma questão de tempo até o Benfica ser condenado à descida de divisão, mas tal não acontece em Portugal.

Em Portugal não há, nunca houve e provavelmente nunca haverá a coragem necessária para fazer cumprir a lei tomando uma ação disciplinar dura sobre qualquer um dos três grandes.

O único clube para o qual houve “coragem” foi o Boavista, porque não afetava os poderes instalados e contribuía na perfeição para uma amenização da imagem da justiça desportiva em Portugal, uma espécie de “estão a ver como isto funciona?”.

Fonte: Vitória FC
Fonte: Vitória FC

Não, não funciona, e ninguém quer que funcione.

Aqui entra o primeiro grande ponto interessante para escalpelar: a mentalidade portuguesa.

Os portugueses são um povo extremamente indulgente. Veja-se a forma como aguentaram sucessivas vagas de austeridade aplicadas pelo governo anterior, inclusive sob a premissa de que tal austeridade era merecida e de que os portugueses viviam bastante acima das suas possibilidades.

São tolerantes a tudo menos ao futebol.

O desporto pelo qual sou apaixonado é em Portugal um universo paralelo onde a justiça não atua, as finanças não se atrevem a entrar e os adeptos toleram todos os meios utilizados pelos dirigentes em busca de um único fim: a vitória.

As mesmas pessoas que não hesitam nem por um segundo em incendiar as caixas de comentários do Facebook dos jornais com insultos para todos os agentes económicos ou políticos que apareçam nas notícias são aquelas que se recusam a pensar de igual forma quando saem más notícias acerca do seu próprio clube.

As teorias de defesa dos adeptos facciosos são normalmente assentes em três pilares:

1 – Recusa até à morte da veracidade da notícia ou crença nas teorias de conspiração;

2 – Uso de argumentos nada relacionados entre si (justiça versus mérito desportivo, por exemplo);

3 – Uso de exemplos igualmente ilegais ou errados dos clubes rivais.

O mais importante deverá ser sempre o Futebol Fonte: FPF
O mais importante deverá ser sempre o Futebol
Fonte: FPF

Todos este são argumentos que – na opinião deles – justificam todos os ilícitos praticados pelos seus dirigentes desportivos.

Este é apenas mais um dos graves problemas do futebol português, que está “morto” segundo as palavras de Javier Tebas (Presidente da Liga Espanhola).

Temos de perceber de uma vez por todas que o futebol português não pode evoluir enquanto os seus dirigentes considerarem natural este tipo de comportamentos.

É imperioso mudar a classe de dirigentes, profissionalizar a gestão dos clubes, centralizar os direitos televisivos e começar de uma vez por todas a castigar os clubes que prevaricam, independentemente do clube que for.

Só assim poderemos assegurar a sobrevivência de uma indústria como a do futebol em Portugal, com transparência, profissionalismo e rigor.

 

P.S.: O FCP não fica nada bem no retrato. A forma como se apropria dos e-mails e como vai libertando a informação a conta-gotas é indicativa da forma como a sua administração continua a gerir o clube.

Foto de Capa: Sou Portista

José Pedro Pais

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