Publicidade

Três eucaliptos num descampado

Diogo Pires Gonçalves · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Tempos difíceis exigem medidas extremas. Nesse sentido, qual filme de Hollywood, os presidentes dos “três grandes” sentaram-se à mesa com a Federação Portuguesa de Futebol, a Liga de Clubes, o primeiro-ministro António Costa e outros membros do Governo.

O que parecia impossível noutros tempos aconteceu porque uma pandemia paralisou todos os campeonatos de futebol, exceptuando os da Bielorrússia e do Nicarágua. Presidentes que não se falavam, clubes que tinham relações cortadas, guerreiros comunicacionais… Afinal, tudo ficou à porta da residência oficial do primeiro-ministro?

Onde muitos preferem ver uma união inédita e um enterrar de machados de guerra para que o futebol sobreviva amanhã, eu, como muitos, prefiro não ignorar o estado frágil e anedótico que engole o futebol português.

Para resolver um problema que afeta 18 clubes da Primeira Liga, 18 da Segunda Liga e 72 do Campeonato de Portugal reuniram-se, imagine-se, três clubes. Não são sequer os três primeiros classificados, são os três do costume.

Alguma coisa me escapou nos últimos tempos e, afinal, águias, leões e dragões representam e falam por todos os clubes nacionais? E mesmo que o fizessem, o campeonato é a três e ninguém avisou os adeptos? Os demais competidores são paisagem? É que se for esse o caso, a paisagem é laranja, seca, árida, onde apenas resistem três solitários eucaliptos.

O CD Santa Clara manifestou, e bem, o interesse em terminar a época no continente. Desta forma, protege o plantel face às inúmeras viagens de avião e a própria população da ilha dos Açores. Alguém ouviu o CS Marítimo em relação a este tema?

Mais, quem ouviu o CD Nacional? Sim, é que o futebol é essencialmente feito de clubes de menor dimensão, de vários pontos geográficos e de diversas divisões. Alguém sabe a posição em relação a este tema do CF União da Madeira, CSD Câmara de Lobos, SC Praiense, GD Fontinhas ou SC Ideal? Este, sendo um problema de todos, não deveria ser tratado e discutido por todos? Não vejo os “três grandes” com sensibilidade de pensar nos problemas, por exemplo, dos clubes das ilhas.

Desengane-se, no entanto, quem achar que a podridão do desporto mais apreciado em Portugal se deve apenas aos tais do costume. Ser um clube “pequeno” tem tanto de menor dimensão como de resistência. Isto é, os símbolos de cada cidade não podem, face a um problema desta dimensão, deixar que as coisas se resolvam sem o seu aval.

Onde está António Salvador, voz ativa no G15 e tão crítico do domínio tripartido pelos três grandes? Afinal, é líder do terceiro classificado e tem o apuramento europeu em causa.

Posso estar a ser injusto por apontar críticas pouco tempo decorrido após esta reunião, mas até agora apenas o presidente do CD Feirense e um atleta do CD Tondela, António Xavier, se manifestaram contra publicamente. Os demais emblemas não se podem queixar de ter pouca atenção dos meios de comunicação social – o que é verdade – e numa altura em que se exige um forte tomar de posição, permanecerem calados e acríticos.

Pensar o futebol português como um todo é cada vez mais uma miragem e as famosas fotografias são prova disso. Os memes ao estilo de James Bond, Godfather ou Scarface mascaram com diversão uma cicatriz profunda e cada vez mais aberta.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Diogo Pires Gonçalves

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quatro pontos de distância, muito mais em jogo | Braga x Sporting

O Estádio Municipal de Braga recebe, esta sexta-feira, 9 de outubro, às 20h15, um dos encontros mais aguardados da oitava jornada da Primeira Liga portuguesa 26/27. Braga e Sporting estão separados por quatro pontos, num duelo que pode ter consequências importantes nas ambições das duas equipas. Os leões ocupam o terceiro lugar, com 15 pontos, ainda sem derrotas, mas já a seis do líder FC Porto. Os arsenalistas seguem na sexta posição, com 11 pontos e um jogo em atraso, procurando aproveitar o fator casa para se aproximar dos lugares cimeiros. A equipa de Carlos Vicens chega ao encontro depois de um empate sem golos diante do Santa Clara, numa temporada em que tem revelado consistência defensiva, mas também algumas dificuldades na concretização. Com apenas sete golos marcados em seis jornadas, o Braga apresenta números ofensivos modestos para as suas ambições. Do outro lado, o Sporting de Rui Borges continua invicto, mas os empates consecutivos frente a Famalicão e Arouca impediram os leões de acompanhar o ritmo do FC Porto. A formação leonina soma 17 golos em sete partidas, mas já consentiu oito, um indicador das dificuldades que tem sentido para controlar determinados momentos dos encontros.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.