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Uma análise mais profunda aos 5 artilheiros da Primeira Liga

Inês Figueiredo Mendanha · 8 min

Foto: Diogo Cardoso / Bola na Rede

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Portugal já teve o privilégio de ver jogar alguns dos maiores artilheiros do mundo. Falamos de jogadores como Eusébio, Mário Jardel ou até o recordista de golos numa temporada, Héctor “Chirola” Yazalde, que, com as cores do Sporting CP, fuzilou 46 vezes as redes adversárias em 1973/1974. De facto, a qualidade do futebol praticado em Portugal atrai muitos estrangeiros com vontade de ficar na História, o que permite termos grandes nomes como estes.

Este artigo tem como finalidade analisar os cinco artilheiros da Liga com mais golos marcados e perceber o que lhes permite estar na luta pela icónica “Bola de Prata”.

5.

Sandro Lima (10 golos)- Foi mais um dos “paraquedistas” que aterrou numa equipa barcelense construída de raiz. A atuar em Portugal desde 2013/2014, e tendo já passado por quatro clubes (Rio Ave FC, Académico de Viseu FC, GD Chaves e GD Estoril Praia), foi um pedido expresso do treinador Vítor Oliveira, com quem já havia trabalhado nos flavienses e que, certamente, sabia o que podia acrescentar à equipa.

Este brasileiro assentou que nem uma luva ao estilo de jogo dos gilistas. Sendo um ponta de lança possante, joga bem de costas para a baliza, o que lhe permite abrir caminho para a velocidade de Lourency no ataque à profundidade e participar em deliciosas combinações com o seu parceiro Kraev, com quem se entende de olhos fechados. Além disso, combina uma excelente capacidade de desmarcação, com frieza em frente à baliza, excelente sentido de oportunidade e uma capacidade técnica acima da média.

Sandro Lima leva já 10 golos nas 25 jornadas da Liga. É absolutamente decisivo na manobra barcelense, sendo o típico avançado que resolve os jogos difíceis de cabeça (é exímio neste sentido) ou com o “pé que estiver mais à mão”, como bem se viu nas importantíssimas vitórias no Bessa e em Setúbal. Além disso, a sua entrega e esforço fazem com que seja muito acarinhado pelos adeptos gilistas, que sabem ter ali o seu homem-golo.

A presente temporada pode vir a ser a melhor da carreira de Sandro Lima. O jogador leva já 13 golos em todas as competições, igualando o seu melhor registo atingido pelo Académico de Viseu, em 2014/2015. Honestamente, não me parece que vá ficar por aqui. Sandro Lima tem vindo a ser uma agradável surpresa dentro da agradável “surpresa” que está a ser a temporada do Gil Vicente. Aliás, convém relembrar de que, no início da temporada, a equipa era vista como o “bobo da corte”. Muitas eram as pessoas que acreditavam que este clube fosse o primeiro a garantir a descida de divisão.

Sou suspeita ao dizer isto, mas espero que esta parceria continue a dar frutos.

4.

Fábio Abreu (10 golos)- O enorme potencial de Fábio Abreu, sobre o qual já aqui falei, é cada vez mais notório. Este ponta de lança angolano começou a dar nas vistas na Madeira, no CS Marítimo, mas foi no FC Penafiel que se fez jogador. A Segunda Liga é uma fonte de novos talentos, e Fábio é mais um exemplo disso, que conta já com 10 tentos no campeonato. Há muitas razões para ser a referência atacante do Moreirense, equipa que tem até um vencedor da Bola de Prata (Nenê, em 2008/2009). Fábio Abreu é dono de um sentido posicional impecável, que complementa com a sua capacidade de antecipação, mental e física. O jogador lê o jogo melhor e mais rápido do que os defesas, percebendo onde a bola vai cair e para onde tem de se deslocar, o que lhe permite depois antecipar-se aos opositores. Desta forma, consegue criar situações de perigo eminente para a baliza adversária, não tendo medo algum de rematar, seja com o melhor pé ou não.

É um dos avançados mais consistentes da Primeira Liga – tanto decide jogos, como ajuda nas vitórias mais confortáveis. A falta que um avançado assim faz aos “três grandes”… A continuar assim, Fábio Abreu vai atingir o ponto perfeito para dar o salto na carreira.

A freguesia de Moreira de Cónegos torna-se pequena para tamanha qualidade.

3.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Paulinho (10 golos) – A cumprir a terceira época no SC Braga, Paulinho é já um jogador de renome do futebol português, o que lhe vale frequentemente propostas aliciantes para mudar de clube. No entanto, ao longo dos anos, tem revelado apenas foco em jogar o seu futebol, o que fez com que evoluísse a olhos vistos, aprimorando a qualidade técnica e o sentido posicional.

Quem se lembra do Paulinho dos tempos do Gil Vicente sabe que a qualidade e o faro para o golo estiveram sempre lá, mas foram crescendo com o esforço. Atualmente, Paulinho é um dos avançados mais completos da Primeira Liga, somando 10 golos em 19 jogos. De facto, estes 10 golos valem ouro – ou bronze, vá -, já que o SC Braga ocupa o terceiro lugar do campeonato. Destes 10 golos, sete valeram pontos aos bracarenses. Esta veia decisiva de Paulinho revela-se em jogos contra os “grandes”, como foi possível averiguar na vitória no Dragão, e em jogos com aflitos, relembrando a vitória em Portimão.

A parceria que Paulinho faz com Fransérgio será das mais proveitosas do campeonato. Também com Ricardo Horta e Trincão há uma ligação muito forte. Ora, isto demonstra bem o tipo de jogador que Paulinho é. Falamos de um homem da equipa, que joga por ela, que vem cá atrás buscar jogo e que se desmarca para responder a um cruzamento ou a um passe dos colegas. Essa solidariedade está sempre bem vincada nas equipas bracarenses. Paulinho, além de ser um cabeceador exímio, é um avançado muito forte, o que faz com que lhe seja mais fácil ganhar posição aos defesas. Juntando a isso, a destreza com que remata com ambos os pés faz com que tenha a receita perfeita para ser o excelente avançado que é. Estes 10 golos ainda são poucos. Ou muito me engano, ou ainda virão mais.

2.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Pizzi (14 golos)- Não é segredo nenhum que Pizzi é o cérebro do Benfica. Todo o futebol encarnado passa pelo brigantino, o que lhe coloca um peso adicional nos ombros: quando as coisas correm menos bem, cai o Carmo e a Trindade em cima dele. Uma tremenda injustiça. Apesar dos altos e baixos de forma, Pizzi é um grande jogador e um símbolo do Benfica, clube que defende com raça, crer e ambição desde a época 2014/2015.

Indiscutivelmente fulcral para os encarnados, é, possivelmente, o jogador mais influente da equipa. Isto não é uma opinião, e aqui vão os dados que suportam tudo isto.

Pizzi leva já 14 golos neste campeonato, aos quais junta oito assistências. O Benfica tem 52 golos marcados, o que significa que o transmontano participa em 42% dos golos da equipa. Se isto não é levar a equipa às costas, não sei o que será. Se olharmos para um plano mais aberto, incluindo todas as competições, Pizzi é o melhor marcador da equipa, com 26 golos em 41 jogos. 26 golos do médio-direito do Benfica. O que justifica tamanha veia goleadora? Simples. Com a chegada de Bruno Lage ao comando, Pizzi passou a pisar terrenos mais avançados (não descurando a construção de jogo). Luís Miguel é não só cérebro da equipa, como também o pé que fuzila as redes adversárias. Se já parece cansativo só de escrever, imaginem a executar.

Embora seja (oficialmente) médio-direito, Pizzi é quase um vagabundo que vagueia pelo campo todo. O jogador ajuda André Almeida a defender o seu corredor e a construir a meio-campo, e combina com Rafa, Taarabt e Vinícius quando aparece em zona de finalização. Isto só é possível graças à sua visão de jogo. Relembremos o jogo no Bessa desta época e do passe de primeira para Vinícius (spoiler alert: é um daqueles passes que só acontece no FIFA). Aquele pé direito… Inexplicável. Por muito que não se goste dele,  Pizzi, nos dias bons, é um hino ao futebol.

P.S.: À luz dos mais recentes eventos que assombraram o clube da Luz, deixo aqui uma mensagem de apoio ao atual maestro do Benfica, a quem o clube e os adeptos devem muito.

1.

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Carlos Vinícius (15 golos) – Finalmente, o dono do primeiro lugar na lista dos melhores marcadores da Liga: Carlos Vinícius. O nome dispensa apresentações, mas o percurso talvez não. O brasileiro chegou a Portugal para representar o Real SC, por empréstimo do Grémio Anápolis, na temporada de 2017/2018, onde se destacou imediatamente, com 20 golos em 39 jogos.

Rapidamente deu o salto – bem grande – ao mudar-se para o SSC Nápoli. No entanto, não se chegou a estrear, pois foi logo emprestado ao Rio Ave FC, onde voltou a brilhar, com 14 golos em 20 jogos. Depois disso, andou emprestado ao AS Mónaco, até aterrar em Lisboa para representar os encarnados.

O jogador tem feito valer os valores da sua transferência. Soma 15 golos em 23 jogos da Primeira Liga. Alargando os horizontes, já leva 20 golos nos 37 jogos que realizou esta temporada, em todas as competições.

Vinícius, que é a referência atacante do Benfica, não se limita a acampar na área à espera de marcar. Com o seu físico imponente (1.91m e 86 Kg), Vinigol é exímio a segurar a bola e a participar na construção. Além disso, apresenta um remate fácil que surge de qualquer lado e com qualquer pé e que lhe vale muitos golos. Exemplo disso é o 3-1 ao Boavista, no Bessa, ou o 1-0 frente ao Belenenses SAD, na Luz.

Ainda mais, o jogador desmarca-se de uma forma tão incrível que até dá a ilusão de que tal feito é facilmente atingível, procurando sempre espaços para conseguir faturar. É um dos avançados mais completos que passou pelo Benfica nos últimos anos, sendo absolutamente decisivo na manobra dos lisboetas. Convém não esquecer que Vinícius destronou o melhor marcador da equipa na época anterior, Haris Seferovic, e pegou de estaca no onze de Bruno Lage. Apesar das mais recentes exibições acinzentadas da equipa, o farol atacante continua a ser Vinícius, que não deixa de mostrar a raça, a força e o instinto que permitiram que ele tivesse lugar no onze inicial.

Tem faltado a estrelinha. Mas ela voltará a tempo de fazer o goleador dos atuais campeões nacionais lutar pela melhor temporada da carreira em termos pessoais, superando os 20 golos pelo Real. Ainda há tempo. Faz a pose, Vini!

Artigo revisto por Mariana Plácido 

Inês Figueiredo Mendanha

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