Da glória bracarense à espera de oportunidades – Entrevista a Domingos Paciência

- Advertisement -

entrevistas bola na rede

Tenho um orgulho enorme em ter jogado no FC Porto”

 

Bola na Rede (BnR): O futebol  sempre foi uma ambição na sua vida?

Domingos Paciência (DP): A minha história é simples, era uma criança de bairro que passava o tempo a jogar futebol, num meio sem grandes condições. Foi ai que cresci e sempre sonhei que podia ser jogador de futebol, na altura ouvia falar no que uma carreira dessas podia dar. Comecei na Académica do Leça, em Futsal e depois tive oportunidade de treinar no Porto e ai começa o sonho.

(BnR): Falar do FC Porto é falar de grande parte da sua carreira. O que significa o clube para si?

(DP): Significa muito. Quando somos crianças, vamos seguindo os exemplos que nos ajudam no futuro. Entrar no Porto foi uma mudança radical no meu crescimento. Além do gosto que se ganha e da família que se constrói, pelos amigos que temos, estou agradecido por tudo o que o Porto me deu e bastante orgulhoso por ter feito parte daquele clube.

Fonte: SVPN
Fonte: SVPN

(BnR): Partilhou também o balneário com Mario Jardel. Chegou a conhecer a outra faceta que Jardel mostrou mais tarde ou na altura só existia o craque?

(DP): Eu conheci o Jardel bem. Chegou no ano em que tinha sido o melhor marcador do campeonato e tive uma lesão na primeira jornada e ele aproveitou essa oportunidade. É uma pessoa fantástica, infelizmente não teve o acompanhamento certo para poder crescer como homem, é uma pessoa demasiado boa, não vê maldade em nada e acabou por ter o caminho que todos sabem. Mas como jogador, principalmente de cabeça era fantástico, até dizia que ele não cabeceava, ele rematava com a cabeça.

(BnR): Para além do FC Porto, o outro único clube que conheceu foi o Tenerife. Que memórias guarda da passagem pelo clube espanhol?

(DP): Não são as melhores. Foi um clube que queria subir de patamar mas não conseguiu. É muito difícil em Espanha, por muito que se queira, meter uma equipa assim a lutar pelo título, acaba sempre para os mesmos. Mas fiz várias amizades, gostei de estar lá, apesar de em termos desportivos não serem os melhores anos. Não me arrependo de ter ido, aliás, a única coisa de que me arrependo é o facto de não ter ido para o estrangeiro mais cedo, poderia ter tido outro tipo de carreira a nível internacional.

(BnR): Quais as diferenças entre ser jogador de futebol na sua altura e ser jogador de futebol actualmente?

(DP): São muitas. Eu apanhei 3 gerações no futebol, aquela que foi campeã europeia, depois a minha, com Baia, Jorge Costa, Fernando Couto e depois os jovens a seguir à minha. O que digo é que o futebol hoje é diferente. As pessoas antes assistiam a um jogo aberto, com muitas mais hipóteses de o golo acontecer. As equipas eram tecnicamente mais evoluídas e os jogadores eram escolhidos pela sua qualidade técnica. Hoje o jogador está formatizado, entra mais numa ideia de colectivo e de equilíbrio de sectores. Hoje para aparecer um jogador que faça a diferença é preciso contar pelos dedos, enquanto o no passado víamos jogadores como Futre ou Chalana.

(BnR): Quando voltou do Tenerife, falou-se que o Sporting esteve muito perto de o contratar, mas quando o Porto mostrou interesse, nem pensou duas vezes em voltar. Foi o amor ao clube que o fez regressar ao Porto?

(DP): Sim. Não foi só o Sporting, também estive perto de assinar pelo Benfica. Há uma questão que é evidente. Temos dois tipos de profissionais, o que o faz por amor à profissão e o que o faz por amor ao clube. Eu tive de distinguir isso a partir de certo momento. Se as pessoas não estão interessadas nos meus serviços, mesmo sendo pessoas que estão à frente do clube de que adoro, tenho de seguir a minha carreira. Ia fazendo como jogador e fiz como treinador. Mas a partir do momento em que existiam propostas de outros clubes mas as pessoas do Porto disseram que precisavam de mim, eu assinei, pois sentia-me em casa. Como treinador foi o mesmo. Só optei por outros clubes porque o Porto nunca mostrou interesse.

(BnR): Que treinador o marcou mais enquanto jogador?

(DP): Falo sempre de um treinador que tive em Espanha e que serve de referência também ao Guardiola. Hoje percebo essa admiração do Guardiola. É o Juanma Lillo. Tinha uma forma de trabalhar e de comunicar diferente. Mas também seria injusto dizer que outros treinadores não foram importantes, como o Bobby Robson, como o Ivic, Carlos Alberto Silva, Fernando Santos. Com todos eles aprendi aspectos que valorizo enquanto treinador mas também aspectos que não devo seguir.

Subscreve!

Artigos Populares

Em canal aberto: onde ver a Supertaça Cândido de Oliveira entre FC Porto e Torreense

A Supertaça Cândido de Oliveira vai ter frente a frente FC Porto e Torreense. O jogo vai disputar-se este sábado, dia 1 de agosto.

Futebol italiano de luto: Morreu Franco Baresi

O futebol italiano e internacional está de luto pela morte de Franco Baresi. O histórico de defesa-central tinha 66 anos.

António Silva fechado no Bournemouth: defesa já viajou para Inglaterra e já são conhecidos os valores do negócio

António Silva já está a caminho de Inglaterra para reforçar o Bournemouth. Já são conhecidos os contornos do negócio.

Deus grego: Eis os 3 recordes batidos por Pavlidis no ‘poker’ frente ao St. Gallen

Vangelis Pavlidis bateu três recordes históricos ao apontar quatro golos frente ao St. Gallen na vitória do Benfica por 5-0.

PUB

Mais Artigos Populares

Enrico Maassen responde ao Bola na Rede: «O Benfica criou muitas oportunidades e mostrou um nível diferente»

Enrico Maassen analisou a derrota do St. Gallen diante do Benfica. Treinador respondeu à questão do Bola na Rede em conferência de imprensa.

Marco Silva confirma saída de António Silva e revela: «Nunca se escusou a nada»

Marco Silva marcou na sala de imprensa do Estádio da Luz, onde confirmou a saída de António Silva rumo ao Bournemouth.

Diogo Costa não confirma continuidade no FC Porto: «Todos sabemos como é a vida de um jogador profissional»

Diogo Costa não garantiu que vai continuar ao serviço do FC Porto. O guarda-redes prometeu dar o melhor pelos dragões.