O Futebol de Raízes: Humanidade, Magia e um Futuro mais Belo

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Recentemente temos assistido ao surgimento de diversos jovens atletas no futebol português que de facto embarcam em si mesmos diversas características que são visivelmente muito interessantes e, inquestionavelmente, são jovens jogadores cheio de talento e potencial. Exacto, o potencial. O tempo e o trabalho dirão o quão relevante serão no futuro. No presente alguns deles já se destacam e inclusive marcam a diferença face aos demais, contudo há saber gerir essas expectativas e obviamente as capacidades que até agora os levaram à distinção. Julgo que Renato Sanches é talvez o expoente máximo de tal fenómeno.

Tudo isto é fantástico, o futuro aparenta estar assegurado e ainda por cima Portugal é campeão da Europa na categoria de sub-17, vice campeão em sub-21 e claro, campeão na categoria de Seniores(!). Chegamos ao topo, chegamos ao Nirvana futebolístico para alegria de todos nós. Somos jovens, campeões e cheios de talento(!). Os mais optimistas estarão eventualmente a ditar o fim dos nossos problemas ao nível futebolístico. Segundo alguns críticos está encontrada a salvação nacional, o fim da reflexão está aí, chega de falar em “renovação” e de debater a formação (se é que isso alguma vez foi feita de forma profunda) pois temos o Renato, o André Silva e o Gelson. Não há mais nada para pensar ou ver além disso. É um facto de que a médio prazo Portugal, sobretudo as seleções nacionais, têm uma base muito interessante que poderá assegurar um produto futebolístico capaz de orgulhar qualquer adepto de futebol. A médio prazo Portugal tem condições para se manter no topo.

Temos talento e boas capacidades para os próximos dez ou quinze anos. É verdade. Mas isso não nos pode impedir de exercer e manter um profundo processo de reflexão, um processo crítico que é fundamental para o nosso bem enquanto um todo futebolístico. Há que manter o debate aberto, o trabalho permanente e a renovação continua das nossas capacidades e recursos. E por isso julgo que agora, agora mesmo e já aqui existem algumas questões que são importantes colocar (mesmo que isso aborreça alguns poderes estabelecidos ou algum “comodista”): Mas e o que se pode dizer do futuro, daquele futuro que chegará de aqui a dez ou quinze anos? Seremos capazes de nos manter no topo desde os sub-17 aos Seniores e ser competitivos a esse nível? Temos nós um processo, estruturas e acções em andamento neste momento para assegurar esse futuro? Será suficiente apenas executar esse processo através da velha tríade entre Benfica, Sporting e Porto – um sistema tão “patriarcal” diga-se de passagem? E o futuro do futebol português em termos internos? E as divisões inferiores que também competem e que também formam? E será que estamos a formar assim tão bem que não é necessário “mexer uma palha”?

Questões… Questões que julgo eu na minha distância (hoje) profissional e também física serem de extrema importância. E são importantes não só pelo futuro, não só pelo todo futebolístico, mas também pelo presente e pelos nossos jovens. E com isto pretendo deixar nos parágrafos que se seguem algumas notas e alguns pensamentos acerca (e para) o nosso futebol de formação. Não pretendo nem tenho autoridade para responder aquelas questões. Não vou directamente responder às mesmas pois sobretudo desejo que se pense um pouco mais acerca delas e se desenvolva algum espírito critico em torno delas e do nosso futebol de formação. Quero que pensemos, que sejamos críticos. E com isto deixo as questões e as respostas um pouco em aberto.

Gonçalo Borges
Gonçalo Borgeshttp://www.bolanarede.pt
Treinador de Futebol, Sociólogo e professor assistente na University of Wisconsin-Milwaukee, Gonçalo é também adepto do SL Benfica e amante das paixões do futebol.                                                                                                                                                 O Gonçalo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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