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Formar futebolistas: conhecer e viver o caos

Gonçalo Borges · 3 min

Formar futebolistas: conhecer e viver o caos

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Um aspecto que cada vez mais se torna determinante na formação de jovens jogadores é a avaliação. Mas, mais do que a avaliação, é a relação entre momento de avaliação e momento de acção. Ou seja, é impossível agir sem conhecer o terreno. Penso que, em muitos casos, perde-se demasiado tempo a tentar implementar formas e modelos de formar e de jogar ou a fazer exigências que simplesmente não encaixam com a realidade.

Contudo, para que a avaliação e a acção façam sentido e para que tenham uma base de sustento é necessário delinear objectivos, modelos e princípios que determinem a acção de todos: desde os jogadores aos treinadores, passando pelas coordenações e pelas direcções. Assim, é fundamental conhecer o caminho que se pretende percorrer e, a partir daí, ir trabalhando nesse sentido. Mas tudo isto só fará realmente sentido se se levarem em conta as reais condições materiais que se encontram à disposição, assim como o seu real valor e o respectivo potencial. Ou seja, antes de tudo e mais alguma coisa, é fundamental avaliar e ter a noção de que isso terá de ser um acto contínuo.

No fundo estamos a falar de um sistema de formação e gestão onde se interligam conceitos e se esquematiza a acção. Esse sistema fica completo com a interação e ajustamento que surgem dos actos de avaliação. Tudo somado permite que o mesmo esteja sempre (mais ou menos) actualizado e capaz de responder aos diversos desafios que se colocam. Sem este tipo de resposta, creio que ficamos todos muito mais perto de errar mais vezes.

Mas porque será que algo tão simples muitas vezes nem sequer existe na realidade futebolística nacional? Honestamente não existem grandes respostas para esta questão. Podemos sobretudo especular e tentar encaixar umas peças que nos chegam na nossa própria cultura. A verdade é que a realidade é dura: em Portugal ainda não temos um sistema que funcione. Ou pelo menos que dê frutos realmente vistosos (houve algumas excepções de sucesso, mas ninguém vive apenas de excepções).

sub17
Portugal Vs Alemanha, sub-17
Fonte: FPF

Isto do desporto em geral e do futebol em particular é algo complexo e creio que em Portugal temos de desenvolver uma abordagem mais profissional e mais séria para agir dentro desta realidade. Falar de futebol é falar de diversas áreas e disciplinas, é falar de humanidade, de sociedade, de economia, de psicologia, de motricidade e, sobretudo, de paixão. E o problema a que temos assistido assenta na nossa incapacidade de gerir estes elementos e de saber trabalhar com o “caos” que a é a realidade.

Já não basta ter um descampado com balizas, hoje em dia há que saber trabalhar e gerir o conhecimento e a prática. Há que procurar a ordem para gerir o “caos”. E não, ninguém tem de ser “Doutor” ou licenciado para o fazer. Por vezes basta ser capaz de observar a realidade e conseguir produzir conclusões a partir dela.  Por vezes basta parar, olhar, escutar e avaliar. A partir daí, qualquer exercício que se faça poderá estar mais próximo de atingir o sucesso. Por sua vez, é fundamental que tenhamos as coisas sistematizadas e organizadas de forma a que a nossa acção seja coerente e assente em duas coisas: nos princípios que orientam a acção e nas reais condições materiais.

Ainda existem outras variáveis. Uma delas relaciona-se com a questão da qualidade e das expectativas. No futebol é evidente que apenas o trabalho e a organização não chegam, há resultados que apenas se alcançam com as variáveis qualidade e competência. Enfim, sem ovos não se fazem omeletes, mas um trabalho organizado e sistematizado poderá surtir efeitos bastante relevantes. Poderão não valer uma “sala de troféus” mas podem valer uma série de resultados pedagógicos e desportivos que futebol de formação não pode descurar. Contudo esta é uma questão para debater em outro artigo.

Acredito que sem as características acima referidas é muito difícil conseguir extrair sucesso a partir do “caos” e da dureza que é a realidade do futebol. Lá está, não planear é planear para falhar. Enfim, é real. Mas já agora deixo uma dica: e conhecer o quê e para quem é que nós estamos a planear?

Gonçalo Borges

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Dinis Jacob · 5 min de leitura
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