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GD Estoril Praia 2-0 Leixões SC (Sub-23): “Canarinhos” aproveitam expulsões e sagram-se campeões

Miguel Simões · 6 min

GD Estoril Praia Campeão Sub-23
Foto: GD Estoril Praia

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A CRÓNICA: JOGO “QUENTINHO” E COM CONFLITOS LAMENTÁVEIS

No jogo do título da Liga Revelação, o GD Estoril Praia entrava em campo com a obrigação de vencer para se sagrar campeão nacional, enquanto que ao Leixões SC bastaria um empate para alcançar tão feito. Num jogo quentinho do início ao fim e com várias expulsões – dentro e fora das quatro linhas –, a formação lisboeta aproveitou a superioridade numérica e venceu por 2-0, apesar das muitas dificuldades criadas pela equipa nortenha.

Ainda nem 30 segundos estavam decorridos e já Papelelé tinha criado a primeira ocasião do encontro para o Leixões, mas a formação de Matosinhos acabaria por sofrer um grande revés aos 9 minutos. O central Mário Júnior travou Lucho Vega quando este se podia isolar para a baliza e acabou por ver o vermelho direto, deixando a equipa com menos um elemento.

A reformulação do alinhamento das peças em campo demorou alguns minutos, de parte a parte, mas até foram os leixonenses a criar as melhores ocasiões até ao intervalo – primeiro por Dinho, depois por André Lacximicant – e sempre à espreita do contra-ataque. Pelo meio, o Estoril criou duas oportunidades seguidas à passagem da meia hora, mas os remates de Chiquinho e Lucas Vega passaram ao lado da baliza de Gonçalo Tabuaço.

O arranque do segundo tempo não poderia ter sido melhor para a equipa da casa. Logo a abrir, o recém-entrado Macula rematou rasteiro à entrada da área e desbloqueou o nulo. Imediatamente após esse golo, André Lacximicant quase que empatou numa bela jogada coletiva, ele que viria a ser expulso por palavras dirigidas ao árbitro, complicando (ainda mais) a missão da sua equipa.

O Estoril apoderou-se da bola e esteve perto de ampliar a vantagem por Achouri, mas também viu o Leixões a ameaçar o empate por Ricardo Ferreira. O duelo encaminhava-se para os derradeiros minutos e a equipa de Matosinhos, ao assumir todos os riscos para levar o barco a bom porto, acabou por ser traída no contra-ataque – com o golo de Rúben Pina a sentenciar a partida nos descontos. O encontro terminou com conflitos lamentáveis entre os protagonistas e que acabaram por estragar o belo jogo proporcionado pelas duas equipas. Para a História fica o título do Estoril, que terminou a segunda fase da Liga Revelação com os mesmos 32 pontos que o Leixões. Bela campanha de ambas as equipas!

 

A FIGURA

Gustavo Klismahn – Excelente exibição do médio brasileiro! Klismahn terá sido um dos atletas que mais quilómetros correu e, além disso, revelou ser crucial em vários momentos do encontro. Além do comprometimento defensivo, o médio ‘todo-terreno’ de 21 anos chegou muitas vezes a descolar-se de Afonso Valente para galgar uns metros no terreno e, assim, ser mais um elemento a poder criar perigo lá na frente. Destaque ainda para a arrancada e excelente cobertura que fez ao minuto 25’, evitando o golo de Dinho na pequena área.

 

O FORA DE JOGO

Confusão nos descontos – Um jogo tão emotivo não merecia acabar assim. Poucos minutos depois do lance que deu o 2-0 ao GD Estoril Praia, instalou-se uma tremenda confusão junto aos bancos técnicos e o árbitro do encontro até teve de dar o encontro por terminado sem que a bola voltasse a rolar. Os elementos do banco técnico do Leixões mostraram-se críticos com a arbitragem desde o momento da primeira expulsão, mas a confusão no final acabou por se gerar devido a trocas de palavras menos agradáveis entre jogadores e treinadores. Completamente desnecessário…

 

ANÁLISE TÁTICA – GD ESTORIL PRAIA

Vasco Botelho Costa mudou duas peças no “onze” em relação à jornada anterior disputada há quase um mês (na derrota em Famalicão por 1-0), com a entrada de Serginho para a vaga deixada por Douglas Aurélio e ainda o regresso de Lucho Vega após longa lesão, substituindo Diogo Batista no setor intermédio da equipa da Linha.

O GD Estoril Praia apresentou-se num 4-2-3-1, com o duplo pivot a ser constituído por Afonso Valente e Gustavo Klismahn, mas com uma enorme variabilidade e mobilidade na frente de ataque. Os laterais estiveram praticamente sempre projetados no momento da construção e isso conduziu à crescente ‘acumulação’ de elementos junto à área. A presença do argentino Lucho Vega acabou mesmo por ser uma espécie de ‘quebra-cabeças’ para a linha defensiva adversária, pela forma imprevisível com que aparecia em certos pontos do terreno.

O técnico do Estoril foi o único a promover uma alteração no regresso dos balneários e que acabou por ser decisiva para o desenrolar do encontro, com um golo inaugural de Macula, ele que viria a sair pouco depois após conflitos verbais com adversários. A equipa de Vasco Costa ficou a jogar com mais dois elementos na última meia hora do encontro e aproveitou esse período para se apoderar da bola e tentar fazer o segundo para sentenciar a partida – algo que só aconteceu quando o adversário se expôs no relvado em tempo de descontos.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Nuno Macedo (7)

Tiago Manso (6)

Bernardo Vital (7)

Volnei Feltes (7)

Lucas Silva (6)

Afonso Valente (7)

Gustavo Klismahn (8)

Lucho Vega (7)

Serginho (5)

Chiquinho (6)

Elias Achouri (7)

SUBS UTILIZADOS

Lucas Macula (7)

Benchimol (6)

Rúben Pina (7)

João Dias (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – LEIXÕES SC

Do outro lado, José Augusto Faria promoveu três alterações em relação à equipa inicial apresentada no jogo em atraso disputado em Famalicão (onde perdeu por 3-1): Mário Júnior rendeu Mário Ufongué no eixo da defesa, enquanto que Hélder Morim e Diogo Rebelo entraram para os lugares de Ousmane Diagne e de Vando Félix.

A formação nortenha alinhou em 4-3-3, com a frente de ataque a ser constituída por Dinho, Papalelé e André Lacxmicant, mas o esquema tático rapidamente foi alvo de alterações após a expulsão madrugadora de Mário Júnior. Por essa razão, Morim teve de recuar para a linha defensiva e a equipa passou a posicionar-se em 4-4-1, com os extremos também a baixar no terreno, embora sempre entrosados e organizados na saída para o contra-ataque. Aliás, a inferioridade numérica praticamente nem se fez notar nos primeiros 45 minutos.

A entrada do Leixões no segundo tempo foi infeliz e o cenário ficou ainda pior com a expulsão de André Lacximicant, com novas readaptações no esquema tático. As substituições acabaram por ser algo arriscadas, mas essenciais para que a equipa ainda aspirasse chegar ao golo do empate. Os riscos assumidos nos últimos minutos acabaram por ser cruciais para que o Estoril chegasse ao segundo golo, mas não se pode dizer que o Leixões – mesmo com menos dois elementos – não tivesse tentado o golo do empate.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Gonçalo Tabuaço (6)

Abel Folha (6)

Ricardo Teixeira (6)

Mário Júnior (3)

Ricardo Ferreira (5)

Hélder Morim (6)

Rodrigo Ferreira (7)

Diogo Rebelo (6)

Papalelé (6)

Dinho (7)

André Lacximicant (5)

SUBS UTILIZADOS

Vando Félix (6)

Isnaba Graça (5)

Avelino (6)

Tomás Silva (-)

Miguel Simões

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