Publicidade

Urge reflectir acerca do Futebol de Formação

Maria Serrano · 3 min

Urge reflectir acerca do Futebol de Formação

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

futebol de formação cabeçalho

“Temos de encontrar uma solução, seja onde for. Com o valor do Matic não é fácil. É o melhor médio defensivo do Mundo. Soluções para o Matic na formação? Tinham de nascer 10 vezes”. Foi este o comentário irónico que Jorge Jesus teceu após ter sido questionado acerca da possibilidade de se encontrar na formação do clube um substituto para Matic no meio-campo do Benfica.

A verdade é que formar um jogador com a mesma qualidade de Matic, um dos melhores médios do mundo, recente candidato ao prémio de melhor golo na cerimónia da FIFA, leva tempo. Certamente Matic, tal como Messi, ou Zlatan, ou Ribéry ou até mesmo Cristiano Ronaldo, sofreu um processo de evolução, processo esse que se desenrolou na formação. Matic terá nascido também 10 vezes até chegar onde chegou? Neste momento, Jorge Jesus vê numa miragem um possível “substituto” para Matic, mas não será um erro o técnico do Benfica pensar nesta perspectiva? Na altura em que Eusébio e Pelé estavam na berra, talvez os seus treinadores tenham tido o mesmo sentimento de frustração, mas esse pico de qualidade nessa geração não impediu as gerações seguintes, incluindo a actual, de terem uma montra de ouro para exibir mundo fora.

A ironia utilizada por Jorge Jesus acaba por ser, ela própria, irónica. Principalmente quando, bem pouco tempo antes desta declaração, Luís Filipe Vieira tinha salientado a importância das equipas da formação no clube, falando até de um “Benfica made in Benfica”. Dia 17, Jorge Jesus afirmou estar em consonância com Luís Filipe Vieira na crença de que em 2020, 60 ou 70 por cento do plantel será da formação… Acreditam? Hoje, o Benfica joga contra o Marítimo e no 11 inicial estão exactamente, e se as minhas contas não falham, zero portugueses. Assim sendo, para este objectivo de 2020 do Benfica se concretizar, só vejo duas hipóteses: ou o Benfica já está a tratar da contratação de miúdos argentinos e sérvios para os seus escalões de formação actuais ou daqui a seis anos o treinador já não é o mesmo.

Jorge Jesus podia estar frustrado com a “venda” mal concretizada de Matic (valor da cláusula de rescisão: 50 milhões, valor executado: 25 milhões), mas isso não é desculpa para o técnico não pensar antes de falar. Se a perda de Matic lhe ia causar tanto transtorno, devia ter pensado nisso quando o Benfica não passou aos oitavos-de-final da Champions, passagem que iria garantir muito dinheiro que, certamente, iria preencher a lacuna financeira e evitar a necessidade de vender de imediato o talento sérvio.

Será que o treinador do Benfica, antes de ser o que é actualmente, nunca foi um jovem com sonhos e ambições? Será que nunca frequentou um curso de treinadores, onde realçam a importância que um treinador tem no percurso dos atletas? O seu comentário, da forma como foi dito e construído, independentemente da mensagem subjacente que queria supostamente transmitir, foi desagradável. Conseguiu, em poucas frases, descredibilizar o trabalho de jovens futebolistas e de técnicos da formação. Mas igualmente desagradável foi a forma como a imprensa usou as reacções de dois jogadores da formação do Benfica. Os jornais tinham duas hipóteses: criar polémica (como fizeram) ou fazer uma notícia que espelhasse a garra destes jovens dispostos a lutar para responder ao “desafio” hercúleo de Jorge Jesus. Tanto Filipe Nascimento como Bernardo Silva tiveram reacções legítimas, dignas do orgulho benfiquista, com potencial de informação bastante positiva para uma abordagem séria sobre a problemática do futebol formação. São benfiquistas de gema, jogam há já muitas épocas de águia ao peito e representam o resultado real do investimento na formação. A águia é o emblema que melhor conhecem, daí ser natural ambicionarem um lugar na equipa principal do seu clube. A imprensa não deveria ter optado por mostrar que a falta de incentivo de Jorge Jesus não derrota “a raça, o crer e a ambição” dos atletas da formação que todos os dias estão dispostos a abdicar de regalias normais de jovens das suas idades e a “morrer nove vezes” para atingirem o “sonho de uma vida”?

Maria Serrano

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Sporting

A nova fase do leão | Shakhtar Donetsk x Sporting CP 

Anunciada a saída de Rui Borges do comando do Sporting e com Paulo Fonseca de malas feitas, os verdes e brancos preparam-se para enfrentar o Shakhtar Donetsk, em solo inglês, em embate relativo à quarta jornada da Liga dos Campeões. Ainda na ressaca do primeiro desaire europeu, sofrido em Alvalade diante do LASK por 3-2, os pupilos orientados por Tiago Fernandes, treinador interino que vai constar no banco de Stamford Bridge, apontam as suas fichas ao regresso aos triunfos, numa fase em que vão entrar num ciclo completamente exigente na prova milionária, com encontros marcados com gigantes do futebol europeu.

Inês Flores · 3 min de leitura
Ler a crónica
Benfica

Depois do Halloween, apareceu um Diablito para evitar uma ida do Benfica às bruxas

Uma equipa grande também se faz naqueles jogos mais chatinhos, onde a inspiração se perde nos poros de suor e nada parece correr bem. Será algo do género que Andreas Schjelerup terá ecoado ao intervalo, quando ficou no balneário, ou quando Gianluca Prestianni, talvez já moldado pelo peso do brilhantismo, enfrentou pela frente mais uma muralha de jogadores adversários. Se no final da época for feita uma compilação dos grandes momentos do Benfica, será pouco provável ver muitos lances deste jogo, talvez apenas aquele em que o argentino com um toque de classe fez a bola passar por entre as pernas de Touaizi, perdido no meio de tamanho inconformismo. O retrato geral, não o escondeu Marco Silva, numa dose de realismo que já há muito não se via nos corredores da Luz, foi desinspirado. Felizmente para os encarnados, há Echeverri. Não é o primeiro momento de brilhantismo desmedido do reforço de verão por quem a cláusula de opção de compra já se afigura uma mera formalidade, mas, fosse esse o caso, seria quase poético. Depois de se celebrar o Dia das Bruxas, Halloween para os falantes de inglês, brilhou no Estádio da Luz um Diablito, que impediu Marco Silva de procurar explicações para o tropeço nas bruxas e dissipou qualquer questão sobre os fantasmas do empate que assombraram o Benfica na última época. Quem tem um Joker assim, pode sempre sorrir.

Diogo Ribeiro · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.