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O Futebol Feminino na primeira pessoa – Entrevista a Joana Flores

Gonçalo Tristão Santos · 4 min

O Futebol Feminino na primeira pessoa – Entrevista a Joana Flores

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Cabeçalho Futebol Feminino

Nome: Joana Amaral Flores

Data de nascimento: 08/10/1989 (26 anos)

Naturalidade: Angra do Heroísmo

Nacionalidade: Portuguesa

Clubes enquanto jogadora: Clube Futebol Benfica

Não é fácil ser jogadora de futebol em Portugal, ainda para mais quando a própria modalidade não é profissionalizada nos escalões femininos. Para se dedicar a vida ao jogo dentro das quatro linhas, é necessário enveredar por uma carreira no estrangeiro, mas esse não é o objetivo de todas as atletas; por vezes, a estabilidade profissional fala mais alto e assume-se como um fator decisivo na hora de escolher que rumo dar ao seu percurso futebolístico.

Joana Flores, por exemplo, jogadora do Clube Futebol Benfica, campeão nacional em título, nunca jogou fora de Portugal e, mesmo que tivesse essa oportunidade, admite que teria de pensar duas vezes antes de tomar uma decisão. A atleta açoriana esteve à conversa com o Bola na Rede e falou-nos não só da sua experiência enquanto futebolista, como também da forma como vê a evolução do futebol feminino no nosso país e o que é necessário para fazer crescer a modalidade.

Bola na RedeComo começou a tua paixão pelo futebol?

Joana Flores: A minha paixão pelo futebol começou desde que comecei a dar os primeiros passos. Ia com o meu irmão e com os amigos dele jogar, embora ele não gostasse muito que eu fosse…

BnR: Onde e quando é que começaste a jogar?

JF: Comecei a jogar em novembro de 2012 pelo Clube Futebol Benfica, no qual me mantenho desde essa data. Antes disso, fazia atletismo e conciliava-o com o futsal. Não havendo, na altura, a possibilidade de jogar futebol de 11, comecei por experimentar o futsal, na ilha Terceira, modalidade onde estive durante cinco anos.

BnR: Encaras a possibilidade de um dia te tornares profissional e de jogares no estrangeiro?

JF: De momento não descarto a possibilidade, mas com a minha estabilidade profissional não sei se se justificava. No entanto, seria o realizar de mais um objetivo.

BnR: Já recebeste alguma proposta nesse sentido?

JF: Até ao momento não tive nenhuma abordagem nesse sentido.

BnR: Foste recentemente convocada pela primeira vez para a seleção nacional. O que significa para ti poder defender as cores de Portugal?

JF: Foi o concretizar de um sonho. Embora não tenha tido a oportunidade de jogar, tive o privilégio de integrar o grupo e vou continuar a lutar para conseguir a minha primeira internacionalização.

BnR: O Clube Futebol Benfica continua na luta pelo campeonato e pela Taça de Portugal. Acreditas ser possível repetir o feito da época passada e conquistar a dobradinha?

JF: Eu acredito que é possível revalidar os títulos alcançados na época transata, temos trabalhado e lutado nesse sentido e é o nosso grande objetivo.

Joana Flores conhece bem o sabor de marcar golos pela equipa feminina do Clube Futebol Benfica Fonte: Facebook de Joana Flores
Joana Flores conhece bem o sabor de marcar golos pela equipa feminina do Clube Futebol Benfica
Fonte: Facebook de Joana Flores

BnR: Atualmente achas que é concebível uma equipa portuguesa chegar longe ou até mesmo conquistar a Liga dos Campeões?

JF: Infelizmente, penso que é muito difícil disputarmos o jogo olhos nos olhos com equipas de top europeu. A falta de equipas semiprofissionais e profissionais em Portugal reflete-se nos resultados menos bem conseguidos a nível europeu, mas não quer dizer que não haja evolução, muito pelo contrário, pois já tivemos o Ouriense a passar a fase de grupos e com algum mérito, representando bem o nosso país e deixando uma imagem muito positiva.

BnR: Até agora, qual o momento mais alto da tua careira?

JF: Têm sido muitos os bons momentos, mas posso destacar a final da Taça de Portugal na época anterior. Só conseguimos vencer após 114 minutos, após um grande esforço por parte de toda a equipa.

BnR: Quais as maiores dificuldades que uma jogadora de futebol atravessa ao longo da sua carreira?

JF: Conciliar os treinos com o trabalho, pois o facto de não sermos nem sequer semiprofissionais torna tudo mais difícil.

BnR: Consideras que o futebol feminino tem o devido reconhecimento em Portugal?

JF: Infelizmente, o desporto em Portugal passa muito pelo futebol masculino, embora já se comece a dar mais importância ao sexo oposto. Vamos conquistando o nosso espaço e, um dia, teremos ainda mais influência. É necessário que os clubes de renome apostem mais no futebol feminino.

BnR: E no resto do mundo?

JF: A disparidade não será tão notória, pois em muitos outros países as equipas e seleções são muito mais apoiadas em termos monetários.

BnR: Como achas que se deve promover o futebol feminino entre o público em geral?

JF: A transmissão televisiva dos jogos da futura liga de elite e a entrada/aposta dos clubes com peso em Portugal seria e é um ótimo presságio e desenvolverá o futebol feminino em Portugal.

BnR: Acreditas que a ideia preconcebida de que o futebol deve ser jogado por homens algum dia vai desaparecer? Como?

JF: Essa ideia está a perder-se aos poucos. Com o tempo, as pessoas, em geral, irão dar a mão à palmatória, pois o desporto é para todos.

BnR: Achas que o futebol feminino pode ser profissionalizado em breve no nosso país? O que falta para que tal aconteça?

JF: Como já falei anteriormente, só com o apoio dos grandes clubes é que será possível chegar à profissionalização, pois é difícil os clubes pequenos terem verbas para dar às jogadoras.

Foto de Capa: Facebook de Joana Flores

Gonçalo Tristão Santos

Redação Bola na Rede · ver artigos