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Depois de um histórico apuramento na primeira fase da Liga dos Campeões feminina, o SC Braga teve como “prenda” a possibilidade de se testar contra um dos colossos da modalidade, o PSG. Apesar do sonho da qualificação para a próxima fase ser muito, muito distante, esta seria certamente uma experiência única para as jogadoras do campeão nacional em título.
Com entrada gratuita e partida disputada na Pedreira – a equipa feminina costuma atuar no 1º de Maio – o público também respondeu à chamada (5850 espectadores), preenchendo as bancadas de forma muito raramente vista no desporto feminino nacional.
Contudo, rapidamente se começaram a esfumar os sonhos minhotos. Logo aos 6’, Katoto inaugurou o marcador. Penalti ganho com facilidade numa defesa bracarense demasiado suave e a avançada a abrir a contagem. Rute Costa até adivinhou o lado, mas a bola ia bem colocada.
Nova contrariedade surgiu aos 13’ com uma lesão de Diana Gomes que colocou as “Guerreiras” do Minho a jogar uns minutos a jogar com dez, mas a atleta acabaria por recuperar e regressar ao terreno de jogo.
Entretanto, o jogo ia estabilizando com um total domínio das francesas, mal deixando as da casa sequer sair do seu meio-campo defensivo. Assim, foi sem surpresa que, aos 32’, Katoto bisou na partida. Com espaço dentro da área adversário, fintou a única adversária que lhe fez frente e atirou ao canto a contar.
Pouco depois, o jogo começaria a apresentar contornos de goleada, com o 3-0 para as parisienses aos 41’ através de uma bola parada. A cruzamento saído de livre descaído na direita ainda longe da área cruzamento, respondeu Formiga com um desvio certeiro. Os momentos finais do primeiro tempo viram finalmente as bracarenses a aproximar-se da baliza adversária, mas ainda sem capacidade de criar perigo.

Fonte: PSG Féminines
O reinicio deu-se com um belo chapéu de Diani a Rute Costa logo aos 46’, para matar qualquer esperança que as arsenalistas pudessem ter que os segundos 45 minutos fossem diferentes dos iniciais.
Justiça lhe seja feita, o Braga apareceu mudado nesta metade, tentando construir de trás e conseguindo por vezes criar em ataque organizado. De qualquer forma, o PSG continuou por cima e amealharia mais um aos 61’ providenciando o hattrick de Katoto.
A última meia hora foi mais calma, com um Braga mais tranquilo a aguentar-se face a uma equipa visitante que também estava já satisfeita com o resultado. No entanto, os minutos de compensação seriam de pesadelo, com Huitema a fazer o gosto ao pé por duas vezes para fixar o resultado final num devastador 7-0.
Não se podia pedir muito mais às arsenalistas, mas o PSG não facilitou e entrou forte em ambas as partes de modo a não dar ideias às da casa. Resta tentar dar um pouco de maior luta na deslocação a Paris.
ONZES INICIAIS E SUBTITUIÇÕES
SC Braga: Rute Costa; Rayanne, Inês Maia, Diana Gomes (Chica 45’), Ágata Filipa, Denali (Regina 82’), Dolores Silva, Vanessa Marques, Uchendu (Machia 59’), Pratt, Keane;
PSG: Endler; Cook, Paredes, Morroni, Lawrence, Formiga, Geyoro, Dabritz (Baltimore 61’), Saevik, Diani (Nadim 73‘), Katoto (Huitema 61’).
A FIGURA

Diani – Num jogo de sentido único em que não houve lugar a grandes destaques individuais, tal foi a diferença coletiva, merece o destaque Diani. Sofreu o penalti que desbloqueou o encontro logo a abrir e, acima de tudo, brindou-nos com uma sublime execução no seu golo.
Menção honrosa para Dabritz e as suas três assistências para golo.
O FORA DE JOGO

Meio-campo bracarense – Sempre totalmente subjugado ao poderio francês, foi incapaz de minimizar os estragos. Prova dessa incapacidade foi o facto de o Braga só conseguir construir apartir de trás e não pelo miolo.
BnR na Conferência de Imprensa
SC Braga
BnR: Como é que os golos madrugadores do PSG em ambas as partes condicionaram o jogo do Braga?
Miguel Santos: Quando sofres um golo é sempre um momento mau, seja a abrir seja a fechar… Não condicionou nada, porque o Braga manteve sempre a mesma identidade, sempre a mesma postura, sempre os mesmos princípios. Aliás, foi por querermos sair a jogar que sofremos um ou outro golo que poderíamos não ter sofrido se explorássemos logo o jogo direto. Mas, isso ia mascarar um pouco a nossa forma de ser e estar no futebol e eu acho que as equipas têm de crescer com a identidade que têm, só assim é que conseguimos perceber se neste ou naquele aspeto estamos bem ou não. E, portanto, o Braga manteve sempre a mesma identidade e a mesma postura.
O facto de PSG ter marcado logo no início da primeira parte e logo no início da segunda parte não motivou nenhuma reação negativa das minhas jogadoras, porque não vi nenhuma a baixar os braços, nem vi nenhuma a virar as costas ao jogo. Vi-as sempre ativas. Agora, há que dar o mérito também ao PSG pelo grande jogo que fez e pela equipa que tem.
BnR: Quanto à questão da mudança de campo, que balanço faz? Por um lado, a possibilidade de ter mais público e de jogar no palco principal do SC Braga, mas perde também a vantagem de jogar num campo a que as jogadoras estão habituadas.
Miguel Santos: Na vida, não há realidades perfeitas. Ou quase nunca. Encontrar uma situação das nossas vidas em que as coisas sejam todas perfeitas é extremamente difícil.
O Estado Municipal de Braga tem, na minha opinião, mais fatores positivos que negativos. É óbvio que as jogadoras não estavam a jogar no 1º de Maio, onde habitualmente costuma jogar, mas o facto de terem o privilégio de jogar neste Estádio, de termos batido o recorde de assistências em jogos do futebol feminino do Braga – e isso deixa-me extremamente contente -, de jogarmos aqui no Municipal onde só joga a equipa masculina é motivo de um orgulho, um motivo de honra, porque é o culminar de uma campanha que se iniciou que o sermos campeões, mas que depois foi preciso ir a Riga fazer o primeiro lugar para estarmos aqui. Se em Riga, tivéssemos ficado em segundo lugar, o jogo de hoje não existia e o facto de estarmos a jogar no Municipal também não existia e isso acho que é um motivo de grande orgulho.
Não beliscou em nada e espero até que tenha aproximado os adeptos da equipa e que tenha feito com que o futebol feminino tenha ganho mais adeptos. O Futebol masculino já tem adeptos fixos, o futebol feminino ainda está a crescer. E o Futebol feminino tem de crescer dentro de campo, mas também tem de crescer fora de campo. Acho que este foi um dia também para se registar um bom crescimento a esse nível. Espero que as pessoas, que obviamente não gostaram do resultado tal como nós, mas que tenho gostado do empenho e da atitude da equipa e que possamos futuramente no Estádio 1º de maio em que o número de adeptos seja maior, em virtude exatamente deste jogo.
Que este jogo também, além da derrota, também nos dê alguns ganhos ao nível dos nossos adeptos.
Outras declarações:
«Sabíamos que o PSG tinha mais pontos fortes que pontos fracos».
«Tentamos contrariar o poderio do PSG. Estou muito orgulhoso das jogadores».
«O resultado foi-se avolumando por mérito do PSG».
«Se isto estava difícil, agora as coisas ficaram extremamente difíceis. Não há impossíveis. O resultado está difícil, mas vamos fazer o melhor que pudermos e dignificar o Braga e o futebol português».
PSG
BnR: Houve vários jogos na primeira mão desta ronda da Liga dos Campeões com resultados avolumados. Que lhe diz isto sobre o que ainda falta desenvolver no futebol feminino?
Echouafni: É preciso continuar a trabalhar. Por todos os clubes dos diferentes campeonatos. Em Inglaterra, em França, em Espanha na Alemanha, em Portugal,… é preciso continuar a acolher as jovens nos clubes, nas estruturas, para se desenvolerem mais rapidamente. É preciso que os clubes, que os Presidentes dos clubes dêm as condições necessárias para o crescimento do futebol feminino.
Outras declarações:
«Nunca podemos subestimar o adversário».
«Esteve um ótimo ambiente no estádio».
Foto de Capa: PSG Féminines










