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Liga 3 | O ponto de situação na nova competição do futebol português

Vasco Borges · 6 min

Liga 3
Foto: Vitória SC

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Com 13 das 22 jornadas da primeira fase concluídas, a Liga 3 entra em “hibernação” até ao fim de semana de 7 e 8 de janeiro. A mais recente competição do futebol português foi apresentada pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) em maio deste ano, com a promessa de ser um espaço privilegiado para o desenvolvimento dos jovens jogadores portugueses, com mais equilíbrio, mais competitividade e mais contacto com os adeptos.

Três meses depois do arranque, já é possível fazer um balanço sobre a classificação, os candidatos à subida e os jogadores em destaque, bem como refletir sobre o verdadeiro impacto desta nova liga na pirâmide do futebol nacional.

SÉRIE A – EQUILÍBRIO NO TOPO

Se o aumento da competitividade era um dos elementos centrais para a criação da Liga, a tabela da Série A dá razão à FPF. Ao fim de 13 jornadas, os oito primeiros classificados estão separados por apenas seis pontos.

Os FC Felgueiras 1932 é o atual líder, com 25 pontos, mas é seguido de perto por SC Braga B (24 pontos), UD Oliveirense (23), CF Canelas 2010 e Lusitânia de Lourosa (22), SC São João de Ver (21) e ainda AD Sanjoanense e Vitória SC B (19).

Mais longe estão as equipas da AD Fafe, talvez a desilusão até ao momento, com 14 pontos, do Anadia FC (13) e do CDC Montalegre (12). Quer isto dizer que, numa competição em que os quatro primeiros seguem para a fase de subida, há apenas quatro equipas a mais de duas vitórias de distância da próxima fase.

E, mesmo assim, apenas o último, Pevidém SC, parece estar completamente fora da corrida. Com apenas cinco pontos, a formação do conselho de Guimarães, terá como objetivo tentar a manutenção na fase de descida.

 

Tal como na classificação, o ranking de melhores marcadores também não tem um líder destacado. O jovem Théo Fonseca, do FC Felgueiras, e Rui Areias, AD Fafe, partilham o primeiro lugar com seis golos. São seguidos por Rodrigo Gomes, 18 anos e avançado do SC Braga B, João Paredes, da Oliveirense, e pelo veterano do Oliveira do Hospital, Fausto Lourenço, todos com 5 remates certeiros. Menção ainda para o bracarense Vitinha, que levava quatro golos em quatro jogos antes de se tornar regular nas escolhas de Carlos Caravalhal na equipa A.

Jaime Pinto, da Oliveirense, lidera a tabela das assistências da Liga 3, contabilizando cinco até ao momento. Na baliza, destaque para o guarda-redes do FC Felgueiras, Carlos Alves, com apenas sete golos sofridos em 11 jogos e para Léo Leichsenring (S. João de Ver) com um saldo de 11 encaixes em 13 partidas.

SÉRIE B – UD LEIRIA E MAIS TRÊS?

Se a Norte há seis pontos a separar oito equipas, a Sul a União Desportiva de Leiria lidera com sete pontos de avanço para o segundo classificado. Um dos clubes que, nas últimas épocas, tem andando sempre perto do regresso aos campeonatos profissionais, parece bem encaminhado para esse objetivo.

No seu encalço está a SCU Torreense, com 23 pontos. A partir daí o equilíbrio toma conta da tabela, com apenas seis pontos a separar a equipa de Torres Vedras do sétimo classificado, Vitória FC (17 pontos, mas dois jogos a menos). Pelo meio estão FC Alverca (20 pontos), Caldas SC (19 pontos, menos um jogo), Real SC (19 pontos) e Amora FC (18).

No fundo o destaque vai para o FC Oliveira do Hospital, ainda sem vitórias. A equipa do distrito de Coimbra soma oito pontos, fruto de oito empates. A UD Santarém (9 pontos) parece também demasiado longe da fase de subida, mas formações como o CD Cova da Piedade (14 pontos), Sporting CP B (13, menos um jogo) e Oriental Dragon FC (13) têm ainda reais aspirações de se aproximar dos primeiros lugares.

 

No topo dos melhores marcadores há outro “velho” conhecido do terceiro escalão. Gonçalo Gregório já se tinha destacado ao serviço do Casa Pia AC e SC Braga B e leva, agora, nove golos com a camisola do UD Leiria. O avançado de 26 anos não tem sido feliz quando dá o salto para os campeonatos profissionais, mas é um dos mais temíveis artilheiros da Liga 3.

No capítulo dos golos, destaque ainda para como Diogo Martins (Oliveira do Hospital – seis golos) e, ainda, Gustavo Souza (Real SC), Mateus (Torreense) ou Ricardo Rodrigues (Alverca), todos com cinco tentos.

O “rei” das assistências é Alex Freitas, do Torreense, com cinco passes para golo. Atrás dele estão Kaká (U. Leiria) e Rui Batalha (Cova da Piedade), com quatro. Nas balizas os menos batidos são Luís Paulo (Caldas), Guilherme Oliveira(Torreense), João Valido (Vitória FC) e Fábio Ferreira (U. Leiria).

AFINAL, É A LIGA 3 UMA APOSTA GANHA?

Até ao momento, tudo parece indicar que sim. O antigo terceiro escalão era uma competição interessante, mas, sobretudo na primeira fase, havia um grande declive entre as equipas mais forte e as mais modestas. Na mesma série coincidiam plantéis com jogadores profissionais e equipas que mantinham os mesmos atletas com que jogaram as divisões distritais. As disparidades vão sempre existir, mas entre orçamentos, infraestruturas e qualidade dos plantéis há um fosso menor entre primeiros e últimos.

O resultado são jornadas imprevisíveis, em que os candidatos à subida podem perder com um dos últimos classificados e tabelas equilibradas onde, em poucas jornadas, uma equipa pode subir ou descer vários lugares. Por exemplo, o atual líder da Série A, o FC Felgueiras 1932, era apenas sexto há duas semanas.

A redução do número de equipas também permite uma cobertura mais alargada e personalizada. O canal da FPF tem transmitido vários jogos por jornada, bem como diferentes magazines e programas centrados na Liga 3. Tudo isso valoriza a competição e traz uma notoriedade aos jogadores que há bem poucos anos parecia impensável.

A Liga 3 é a nova competição nacional que promete muita emoção e competitividade
Fonte: Pévidem Sport Club

De resto, entre os objetivos iniciais só um parece estar a teimar em concretizar-se: a questão do público. É verdade que há clubes com números de espetadores e deslocações interessantes, mas os jogos com boa moldura humana ainda são a exceção e não a regra. Aí entra o reverso da medalha das transmissões de TV – mesmo que este seja um problema menor na Liga 3 – e, provavelmente, a covid-19. Ainda que, o mais provável, é que a falta de público das bancadas seja resultado de um problema crónico do futebol português, sem solução à vista a curto prazo.

Poder-se-á também dizer que o Campeonato de Portugal, “relegado” para quarto escalão, perde muito do seu protagonismo, mesmo que não tenha sido totalmente abandonado do ponto de vista televisivo. No entanto, sobrepõe-se a necessidade clara de haver um quarto escalão nacional no futebol português, para que as equipas vindas da distrital possam ter uma almofada competitiva onde podem evoluir desportiva e institucionalmente antes de pensar em voos mais altos.

A Liga 3 é, claramente, uma aposta ganha, com pernas para evoluir, quem sabe, rumo à profissionalização. A opacidade que reina no futebol português, torna difícil media o impacto financeiro da Liga 3 nos clubes, mas a julgar pelo que se vê no relvado há motivos para ser otimista e pensar que este foi um passo acertado para melhorar o futebol português.

Vasco Borges

Redação Bola na Rede · ver artigos