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Com 13 das 22 jornadas da primeira fase concluídas, a Liga 3 entra em “hibernação” até ao fim de semana de 7 e 8 de janeiro. A mais recente competição do futebol português foi apresentada pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) em maio deste ano, com a promessa de ser um espaço privilegiado para o desenvolvimento dos jovens jogadores portugueses, com mais equilíbrio, mais competitividade e mais contacto com os adeptos.
Três meses depois do arranque, já é possível fazer um balanço sobre a classificação, os candidatos à subida e os jogadores em destaque, bem como refletir sobre o verdadeiro impacto desta nova liga na pirâmide do futebol nacional.
SÉRIE A – EQUILÍBRIO NO TOPO
O QUE É ISTO❓😱
O que acaba de fazer Schürrle na Liga 3! pic.twitter.com/kGlOxtu0pN
— Canal 11 (@Canal_11Oficial) December 7, 2021
Se o aumento da competitividade era um dos elementos centrais para a criação da Liga, a tabela da Série A dá razão à FPF. Ao fim de 13 jornadas, os oito primeiros classificados estão separados por apenas seis pontos.
Os FC Felgueiras 1932 é o atual líder, com 25 pontos, mas é seguido de perto por SC Braga B (24 pontos), UD Oliveirense (23), CF Canelas 2010 e Lusitânia de Lourosa (22), SC São João de Ver (21) e ainda AD Sanjoanense e Vitória SC B (19).
Mais longe estão as equipas da AD Fafe, talvez a desilusão até ao momento, com 14 pontos, do Anadia FC (13) e do CDC Montalegre (12). Quer isto dizer que, numa competição em que os quatro primeiros seguem para a fase de subida, há apenas quatro equipas a mais de duas vitórias de distância da próxima fase.
E, mesmo assim, apenas o último, Pevidém SC, parece estar completamente fora da corrida. Com apenas cinco pontos, a formação do conselho de Guimarães, terá como objetivo tentar a manutenção na fase de descida.
2⃣ jogos caseiros na Liga 3 = 2⃣ golos marcados
🤝⚽ Areias e Estádio Municipal de Fafe, uma parceria que arrancou da melhor maneira!#adfafe #ajustiçasomosnós #PuroFutebol pic.twitter.com/toB1nDB3U5
— AD Fafe (@adfafeoficial) August 29, 2021
Tal como na classificação, o ranking de melhores marcadores também não tem um líder destacado. O jovem Théo Fonseca, do FC Felgueiras, e Rui Areias, AD Fafe, partilham o primeiro lugar com seis golos. São seguidos por Rodrigo Gomes, 18 anos e avançado do SC Braga B, João Paredes, da Oliveirense, e pelo veterano do Oliveira do Hospital, Fausto Lourenço, todos com 5 remates certeiros. Menção ainda para o bracarense Vitinha, que levava quatro golos em quatro jogos antes de se tornar regular nas escolhas de Carlos Caravalhal na equipa A.
Jaime Pinto, da Oliveirense, lidera a tabela das assistências da Liga 3, contabilizando cinco até ao momento. Na baliza, destaque para o guarda-redes do FC Felgueiras, Carlos Alves, com apenas sete golos sofridos em 11 jogos e para Léo Leichsenring (S. João de Ver) com um saldo de 11 encaixes em 13 partidas.
SÉRIE B – UD LEIRIA E MAIS TRÊS?
No jogo frente ao Vitória FC, entrámos em campo com as prendas da Campanha #PuroNatal da Liga 3, que serão distribuídas por instituições de solidariedade 🙏
⚜️ #ParaQuemSenteLeiria pic.twitter.com/zqY4lwXboo
— União de Leiria (@uniaodeleiria) December 19, 2021
Se a Norte há seis pontos a separar oito equipas, a Sul a União Desportiva de Leiria lidera com sete pontos de avanço para o segundo classificado. Um dos clubes que, nas últimas épocas, tem andando sempre perto do regresso aos campeonatos profissionais, parece bem encaminhado para esse objetivo.
No seu encalço está a SCU Torreense, com 23 pontos. A partir daí o equilíbrio toma conta da tabela, com apenas seis pontos a separar a equipa de Torres Vedras do sétimo classificado, Vitória FC (17 pontos, mas dois jogos a menos). Pelo meio estão FC Alverca (20 pontos), Caldas SC (19 pontos, menos um jogo), Real SC (19 pontos) e Amora FC (18).
No fundo o destaque vai para o FC Oliveira do Hospital, ainda sem vitórias. A equipa do distrito de Coimbra soma oito pontos, fruto de oito empates. A UD Santarém (9 pontos) parece também demasiado longe da fase de subida, mas formações como o CD Cova da Piedade (14 pontos), Sporting CP B (13, menos um jogo) e Oriental Dragon FC (13) têm ainda reais aspirações de se aproximar dos primeiros lugares.
Os dois “tentos” de Gonçalo Gregório até ao momento ⚽️
⚜️ #ParaQuemSenteLeiria pic.twitter.com/aul5wnsdvS
— União de Leiria (@uniaodeleiria) December 17, 2021
No topo dos melhores marcadores há outro “velho” conhecido do terceiro escalão. Gonçalo Gregório já se tinha destacado ao serviço do Casa Pia AC e SC Braga B e leva, agora, nove golos com a camisola do UD Leiria. O avançado de 26 anos não tem sido feliz quando dá o salto para os campeonatos profissionais, mas é um dos mais temíveis artilheiros da Liga 3.
No capítulo dos golos, destaque ainda para como Diogo Martins (Oliveira do Hospital – seis golos) e, ainda, Gustavo Souza (Real SC), Mateus (Torreense) ou Ricardo Rodrigues (Alverca), todos com cinco tentos.
O “rei” das assistências é Alex Freitas, do Torreense, com cinco passes para golo. Atrás dele estão Kaká (U. Leiria) e Rui Batalha (Cova da Piedade), com quatro. Nas balizas os menos batidos são Luís Paulo (Caldas), Guilherme Oliveira(Torreense), João Valido (Vitória FC) e Fábio Ferreira (U. Leiria).
AFINAL, É A LIGA 3 UMA APOSTA GANHA?
Uma vitoria da melhor equipa em campo.
Pela (talvez) primeira vez, o #alverca nao desperdiça os resultados de terceiros.#fcalverca #liga3 #omaiordoribatejo pic.twitter.com/anAoq0bvX0
— Domingos de Alverca (@FCAfollower) December 18, 2021
Até ao momento, tudo parece indicar que sim. O antigo terceiro escalão era uma competição interessante, mas, sobretudo na primeira fase, havia um grande declive entre as equipas mais forte e as mais modestas. Na mesma série coincidiam plantéis com jogadores profissionais e equipas que mantinham os mesmos atletas com que jogaram as divisões distritais. As disparidades vão sempre existir, mas entre orçamentos, infraestruturas e qualidade dos plantéis há um fosso menor entre primeiros e últimos.
O resultado são jornadas imprevisíveis, em que os candidatos à subida podem perder com um dos últimos classificados e tabelas equilibradas onde, em poucas jornadas, uma equipa pode subir ou descer vários lugares. Por exemplo, o atual líder da Série A, o FC Felgueiras 1932, era apenas sexto há duas semanas.
A redução do número de equipas também permite uma cobertura mais alargada e personalizada. O canal da FPF tem transmitido vários jogos por jornada, bem como diferentes magazines e programas centrados na Liga 3. Tudo isso valoriza a competição e traz uma notoriedade aos jogadores que há bem poucos anos parecia impensável.

De resto, entre os objetivos iniciais só um parece estar a teimar em concretizar-se: a questão do público. É verdade que há clubes com números de espetadores e deslocações interessantes, mas os jogos com boa moldura humana ainda são a exceção e não a regra. Aí entra o reverso da medalha das transmissões de TV – mesmo que este seja um problema menor na Liga 3 – e, provavelmente, a covid-19. Ainda que, o mais provável, é que a falta de público das bancadas seja resultado de um problema crónico do futebol português, sem solução à vista a curto prazo.
Poder-se-á também dizer que o Campeonato de Portugal, “relegado” para quarto escalão, perde muito do seu protagonismo, mesmo que não tenha sido totalmente abandonado do ponto de vista televisivo. No entanto, sobrepõe-se a necessidade clara de haver um quarto escalão nacional no futebol português, para que as equipas vindas da distrital possam ter uma almofada competitiva onde podem evoluir desportiva e institucionalmente antes de pensar em voos mais altos.
A Liga 3 é, claramente, uma aposta ganha, com pernas para evoluir, quem sabe, rumo à profissionalização. A opacidade que reina no futebol português, torna difícil media o impacto financeiro da Liga 3 nos clubes, mas a julgar pelo que se vê no relvado há motivos para ser otimista e pensar que este foi um passo acertado para melhorar o futebol português.












