Última horaJosé Juan Romero: do Real Bétis a Ceuta, dos milagres dentro de campo ao futebol em segundo plano
Publicidade

O Galo nunca havia cantado tão alto!

André Eusébio · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

futebol nacional cabeçalho

Emblema do Gil Vicente. www.gilvicentefc.pt
Emblema do Gil Vicente. www.gilvicentefc.pt

O Gil Vicente é a equipa sensação deste arranque de Liga Zon Sagres. Como se o facto de o ser não fosse suficiente, a equipa de Barcelos está a ter o seu melhor arranque de sempre. Está em 4º lugar, tem 14 pontos e encontra-se nos lugares que dão acesso à Liga Europa.

Gil Vicente Futebol Clube, fundado em 1924, não foi o primeiro clube de Barcelos, mas atualmente é o mais representativo.

A sua primeira aparição na 1ª liga do futebol português remonta à época de 1990/1991 e só nesse ano de estreia o clube conseguiu um registo quase tão impressionante como o da atual época. Em 90/91 os gilistas, com os mesmos oito jogos, estavam no 6º lugar, com 12 pontos.

Nesta 16ª presença no principal escalão do futebol nacional, os gilistas rejeitam de imediato que os lugares de acesso à Liga Europa sejam um objectivo; tanto o presidente, António Fiusa, como o treinador, João de Deus, afirmam que a Liga Europa não é uma pretensão do clube.

Mas falemos de números: o Gil Vicente está, como já foi referido, no 4º lugar da tabela classificativa da Liga Zon Sagres, com 14 pontos, dez golos marcados e oito sofridos. Para a Taça de Portugal goleou o Caldas por 5-0 e para a Taça da Liga empatou 0-0 diante do Moreirense, na 1ª mão da 1ª eliminatória.

As únicas derrotas da época são contra dois ‘’grandes’’ de Portugal, Porto e Benfica.

O treinador, João de Deus, veio substituir o antigo técnico, Paulo Alves, que havia comandado os gilistas nas últimas quatro épocas – uma das quais, concretamente a de 2010/2011, coincidiu com o título de campeão da 2ª Liga.

Uma herança que à partida poderia parecer pesada, mas João de Deus já mostrou não acusar qualquer pressão e até está a fazer mais do que se podia esperar de um Gil Vicente muito renovado.

Na equipa de Barcelos entraram 14 novos elementos, ou 15, se quisermos contar com Dramam, que foi a aquisição mais sonante da época mas que acabou por se revelar um enorme flop e foi rapidamente dispensado pelo técnico natural de Setúbal. Com 36 anos, João de Deus pegou em 11 jogadores que transitaram da época anterior e conseguiu entrosá-los com os novos 14 que foram contratados.

As figuras centrais dos Galos de Barcelos têm sido Bruno Moraes e João Vilela; contudo, o brasileiro Moraes contraiu uma lesão no joelho e vai enfrentar uma paragem de seis meses. Nos dez jogos oficiais, Vilela marcou por cinco vezes e é o melhor marcador da equipa. A base da equipa centra-se na defesa experiente, apesar de ter alguns elementos jovens. Apenas por duas vezes, para o campeonato, o Gil Vicente não apresentou a seguinte turma defensiva: na baliza, Adriano; o quarteto defensivo com Gabriel, Halisson, Danielson e Luís Martins. 27 anos é a média de idades desta defesa, que destoa dos 24 do plantel. João de Deus apresenta uma defesa forte, estruturada e experiente, com um meio campo jovem e irreverente e um ataque ambicioso, completamente renovado da época passada. “Até onde poderá ir este Gil Vicente?” é a pergunta que todos fazem. Os próximos testes são de fogo e podem provar ou reprovar o verdadeiro valor dos gilistas. Guimarães e Marítimo são os próximos adversários. Equipas de peso com ambições na Liga Europa; veremos se o Galo continua a cantar bem alto ou se perde o pio e cai na tabela classificativa.

André Eusébio

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

José Juan Romero: do Real Bétis a Ceuta, dos milagres dentro de campo ao futebol em segundo plano

SEVILHA, ANDALUZIA- Espanha não tem sido notícia apenas por boas razões nos últimos meses, bem pelo contrário. A queda do governo de Pedro Sánchez está na ordem do dia e tal ‘crise’ justifica-se com vários pontos: alianças políticas que já não estavam a funcionar, aumento do descontentamento da população, salários que não acompanham o custo de vida, crise habitacional que levou a manifestações por todo o território… No entanto, a memória é traiçoeira. Faz-nos pensar que certos acontecimentos já ocorreram há bastante tempo, quando não é bem assim. Quantos se recordam do dia 30 de julho de 2026? Foi nessa data que ocorreu o começo da crise migratória de Ceuta e as consequências da mesma ainda se fazem sentir hoje em dia. 70 mil pessoas oriundas de Marrocos entraram no território a partir do mar durante as 48 horas, provocando uma crise migratória totalmente inesperada. As razões que estiveram na origem desta entrada em massa não são o foco desta análise. A maioria das pessoas teria uma boa índole, procurando o melhor para si e para os seus. Histórias de vida diferentes umas das outras, mas o objetivo comum de atingir a felicidade. No entanto, também existiu o outro lado da moeda: quem procurou o conflito e a criação de um ambiente tóxico.

Ricardo João Lopes · 5 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Quem é o rei da Andaluzia? É o Real Bétis. Ah, bem me parecia!

SEVILHA, ESPANHA- As últimas temporadas permitiram confirmar um novo paradigma no futebol espanhol. A Andaluzia, recheada de históricos por todas as suas províncias, acabou por ver o Real Bétis transformar-se na instituição mais forte da região. O designado de número 1. Há poucas missões mais difíceis que esta. Uma Comunidade Autónoma larga, com cidades com um espólio enorme, não é fácil de dominar. Para isso, os béticos lograram montar um projeto com vários prazos e uma figura central, beneficiando também do mau momento vivido por outras instituições. Ao pensarmos no futebol na Andaluzia, sem dúvida alguma que o Real Bétis é um dos primeiros emblemas que nos vêm à cabeça. No entanto, o Sevilha já foi o Rei da Europa League e é lembrado em primeiro lugar por muitos. Málaga, Granada, Cádiz, Almería, Real Jaén… as preferências dividem-se, como em tudo. Porém, o domínio estabelecido pela instituição do Benito Villamarín é inegável. Vivemos tempos em que o verde e brancos está na moda no sul de Espanha.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Em Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)

SEVILHA, ESPANHA- Ao pensarmos em escolas de formação, com a sua especialidade em extremos, o nosso cérebro vai pensar automaticamente no Sporting. Cristiano Ronaldo, Nani, Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma são o expoente máximo de craques saídos da cantera do emblema do José de Alvalade, capazes de fazer magia a partir da linha, procurando espaços interiores ou dando profundidade nas zonas exteriores, aliando-se ao lateral. Nos últimos anos, Espanha assumiu-se como o país protagonista no futebol, não apenas nos seniores, mas também na formação. As academias ganharam um papel importante no desenvolvimento do desporto rei desde a viragem do século, com vários emblemas a apostarem na manutenção e criação de infraestruturas para que os atletas possam atingir os níveis máximos. As conquistas do Euro 2024 e do Mundial 2026 provam este ponto. São a cereja no topo do bolo de um processo que obviamente não se construiu de um dia para o outro.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Denílson no Real Bétis: o brasileiro que encantou Manuel Lopera e que chegou a deter o título de jogador mais caro da história

SEVILHA, ESPANHA- Em 1997, o mundo preparava-se já para a viragem do século, com todos os países do mundo ocidental a procurarem a modernização e o protagonismo global. No futebol, não era distinto. Vivíamos os primeiros anos da Premier League, que procurava destronar a Serie A como o campeonato mais poderoso do mundo. Os ingleses tinham dinheiro e queriam a maior audiência possível, proporcionando assim ao espetador os melhores encontros possíveis. Era uma batalha entre poderosos, que hoje em dia é quase inimaginável. Em Espanha, a La Liga tinha uma boa cotação, mas ainda não estava no mesmo patamar que as suas congéneres. No entanto, o caminho traçado era claro. Ainda em 1990, o governo espanhol, farto de ver os clubes a gerarem prejuízos dantescos, criou a Ley del Deporte, que levava a que os clubes profissionais criassem uma Sociedade Anónima Desportiva. A partir desse momento, as instituições também passavam a ser empresas. Os únicos que escaparam a isto (por terem fechado as contas no positivo)? Barcelona, Real Madrid, Athletic e Osasuna. Presentemente, estes quatro emblemas continuam a pertencer aos sócios.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.