Publicidade

O melhor 11 de jogadores que representaram FC Porto e SL Benfica

Pedro Cantoneiro · 8 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

É já no Sábado (20h30) que FC Porto e SL Benfica decidem mais um campeonato, num cenário já habitual para o adepto português. Desde os finais dos anos 70, as duas equipas são protagonistas de uma luta titânica, que era antes interpretada pelos rivais de Lisboa – o Sporting não passa, de há 40 anos a esta parte, de personagem secundária – e as suas identidades são um interessante paradigma nas esferas sociais das respectivas regiões, além da sua rivalidade representar uma intensa relação de opostos: no futebol e na política, o azul e o vermelho frente a frente; da comum associação do 4-3-3 ao FC Porto pelos vários campeonatos ganhos a jogar dessa forma, à tradicional abordagem do SL Benfica às épocas em 4-4-2; o Norte contra o Sul, rivalidade que transcende o fenómeno futebolístico e se transforma em confronto social, num paradigma que envolve a história cultural e, consequentemente, desportiva do país.

APOSTA JÁ NO JOGO QUE DECIDE O TÍTULO! O FC PORTO RECEBE O SL BENFICA, POR ISSO NÃO FIQUES DE FORA E APOSTA JÁ NA BET.PT

É compreensível, portanto, que quando se tem sucesso com uma das camisolas e que, por obra infeliz e descuidada do destino, se dê uma transferência para o rival, as dificuldades em triunfar sejam imensas. São vários os casos recentes que o comprovam – Sokota, Christian Rodríguez, Maxi – e esse paradigma dificultará a tarefa de eleger um onze conjunto entre os dois clubes. Este será o top dos jogadores que partilharam os balneários das Antas e da Luz, reunidos em formato dream team. E, porque até na tática há dicotomia ideológica, ficaremos a meio caminho das duas opções, no 4-2-3-1.

Guarda-redes

Fonte: Lokomotiv Moscow

Ovchinnikov – No imaginário do adepto, o seu nome estará sempre associado a uma estranha transferência para o Alverca que provocou o escândalo Lucky Me, com assinatura de Vale e Azevedo. À Luz chegou em 1997, depois de uma eliminatória sofrida do Benfica frente ao Lokomotiv de Moscovo e que motivou a sua contratação. Apesar da titularidade de Michel Preud’Homme, o russo exibiu-se sempre a bom nível quando era chamado, como o comprovam os 28 jogos de águia ao peito, sinal da confiança que Paulo Autuori e Graeme Sounness depositavam em si. Depois da época em Alverca, embarca como muitos outros para o Porto e afirma-se numa primeira fase, com 31 jogos em 2000-01, mas não consegue manter a consistência e volta ao seu Lokomotiv, com apenas nove jogos feitos em 2001-02 e a natural rescisão de contrato.

Lateral direito

Fonte: FC Porto

Maxi Pereira – Ídolo e capitão na Luz, sai rumo ao Dragão alegando querer manter-se na “tranquilidade de Portugal”. Incompreensível ou não, a verdade é que depois de oito épocas a titular e de vários títulos na Luz, poucas razões haveria para não lhe atribuir o estatuto de lenda em Lisboa. Perdeu-o, com uma decisão que outros tiveram e que sempre teve o cuidado de afirmar não ser por interesses financeiros. No Dragão deu-se o ocaso da sua carreira, apesar de ainda conseguir ser campeão em 2017-18. O eclipse físico foi a consequência de tanta correria pelo corredor direito e a sua qualidade enquanto futebolista, que dependia muito desse aspecto, e que acabou timidamente. Assim como a sua carreira, na qual é, ainda hoje, o mais internacional uruguaio de sempre, com 125 aparições na Celeste.

Defesa central

Fonte: Sporting CP

Carlos Alhinho – Central de origem cabo-verdiana, começou na Académica do Mindelo, transferindo-se posteriormente para a congénere da metrópole. Em Coimbra, assumir-se-ia como jogador de craveira continental, motivando a transferência para o Sporting (onde foi campeão no ano da Revolução) e posteriormente para o Bétis de Sevilha. A aventura espanhola durou apenas um ano, voltando a Portugal pela porta das Antas, onde cumpriu 22 jogos em 1975-76. Diz quem viu que se destacava pela qualidade técnica que, aliada à altura – 186 centímetros – e ao forte sentido posicional, o colocavam como um dos protótipos de central moderno. No Benfica, onde chega em 1976 (e joga até ’80), foi a tempo de formar dupla intransponível com Humberto Coelho e de ganhar dois campeonatos, duas Taças de Portugal e uma Supertaça. Conseguiu 15 internacionalizações com a camisola portuguesa e destacou-se como o primeiro a envergar a camisola dos Três Grandes.

Defesa central

Fonte: FPF

Eurico Gomes – Depois de Alhinho ser o primeiro a brilhar com as três principais camisolas portuguesas, Eurico foi o primeiro a ser campeão com as mesmas ao peito. Formado no Benfica e com o seu auge futebolístico no Porto, Eurico sempre se destacou pelas capacidades de liderança e pelo forte sentido físico do seu jogo, primando pela eficiência de todas as acções. O sentido artístico deixava-o para outros, já que cultivava imagem de autêntico marechal das equipas que representava – não era dado a simpatias fúteis. Representou o Benfica entre 1975 e ’79, deixando os encarnados com estranha passividade após término do contrato, e ingressa no Sporting, de onde sai em 1982 para o Porto. Uma fratura da perna, em Agosto de 1985, precipitou o final de carreira inconfundível, na qual contou com 38 internacionalizações.

Lateral esquerdo

Fonte: Bola na Rede

César Peixoto – Com admirável atracção pelo sucesso colectivo, César foi peça útil nas equipas da moda da primeira década dos 2000: o Porto de Mourinho e o Benfica 2009-10. De extremo veloz e vertical no príncipio da carreira a polivalente tecnicista com bom sentido posicional – a evolução fez-se devido a lesões graves e numa gloriosa parceria com Jorge Jesus, desde que se encontraram em Braga. Representou a selecção nacional por duas vezes e é, por estes dias, treinador do Desportivo de Chaves. Passou também por Caçadores de Taipas, Belenenses, Vitória de Guimarães, Espanhol de Barcelona e Gil Vicente.

Médio defensivo

Fonte: SL Benfica

Kulkov – Chegou à Luz depois de se destacar no Spartak, em 1991. No mesmo ano, chegaria também ao Benfica o amigo Sergey Yuran e em conjunto mudar-se-iam para o Porto em 1994, após três gloriosos e boémios anos de águia ao peito. A Kulkov não faltavam qualidades como jogador de eleição: com forte sentido posicional e bons recursos técnicos, veio rotulado de central, mas foi à frente da linha defensiva que arrecadou maiores louros e glórias, sobretudo europeias – o 1-3 contra o Arsenal e o 4-4 de Leverkusen são jogos lendários, nos quais constam a sua assinatura como uma das figuras das partidas. No Porto, cumpriu uma época sem grande afirmação, tapado estava no onze por Emerson, Paulinho Santos ou Latapy, e numa época onde a indisciplina extra-campo, sempre demonstrada, se intensificou. Vestiu a camisola da URSS por 13 vezes e disputou o Mundial de 1994 pela Rússia.

Médio centro

Fonte: FPF

Maniche – Dinâmico, intenso, alta gama de recursos técnicos e remate pontentíssimo. Nuno Ribeiro formou-se no Benfica, chegou à primeira equipa como médio ofensivo e foi com Mourinho que se transformou num dos melhores box-to-box da Europa, sendo peça fulcral nas conquistas europeias. Espalhou qualidades pelos melhores clubes do continente, mas foi na Selecção que alcançou maior projecção internacional, graças a exibições e golos inesquecíveis. Foram 52 internacionalizações, membro do onze ideal do Euro 2004 e do Mundial 2006, além de constar na equipa do ano da UEFA, em 2004.

Médio ofensivo

Fonte: FC Porto

Deco – Terá sido dos maiores erros da gestão de Vale e Azevedo, já cheia deles grotescos. Anderson chega do Corinthians Alagoano a Portugal, é encaixado num Benfica à deriva e, com toda a sua qualidade, acaba naturalmente no FC Porto depois de passagens por Salgueiros e… Alverca. Novamente, o clube do Ribatejo (do qual Luís Filipe Vieira era presidente) serve de ponte para a glória portista, depois da negligência benfiquista. Com Mourinho explode definitivamente, leva o FC Porto às costas nas conquistas da UEFA e da Champions e, depois de se naturalizar, remete Rui Costa para o banco da selecção.

Extremo direito

Fonte: UEFA

Zahovic – Seria sempre entre Zlatko e Drulovic. Ambos figuras do FC Porto pentacampeão, acabam no Benfica em recuperação de Vilarinho já na fase descendente das suas carreiras. Zahovic, ainda assim, consegue render a bom nível no onze titular até 2004, quando Trapattoni procura novas soluções em Janeiro e Nuno Assis assume o posto. Aprimorava jogadas de golo como ninguém, exímio explorador de espaços na defensiva contrária, inteligência ímpar entregue de forma perfeita por uma canhota de craque. Foi finalista da Champions com o Valência em 2001 e comandou a Eslovénia às suas primeiras conquistas enquanto selecção independente, como as participações no Euro 2000 e no Mundial 2002, sendo hoje recordado como o seu melhor jogador de sempre e máximo goleador (35 golos).

Extremo esquerdo

Fonte: FPF

Paulo Futre – De campeão europeu no Porto de Artur Jorge, em 1987, ao melhor Benfica dos últimos 30 anos (1992-93), que só não deixou marca histórica por instabilidade financeira. Aliás, a sua estadia na Luz está marcada pelo embróglio da sua vinda, em Janeiro de 1993 – os rumores de que dinheiros públicos da RTP teriam sido adiantados afundaram ainda mais o clube, já depois de finalizadas as obras do terceiro anel e dos esforços de retoma europeia da campanha de João Santos. Futre, já depois de representar Sporting e FC Porto, nunca alinhou em ‘pedradas no charco’ clubísticas ou demagogismos bacocos. Uma lição de saber estar e a humildade, que lhe é reconhecida até hoje, conquistaram a simpatia dos benfiquistas, que não esquecem o recital da final do Jamor num 5-2 ao Boavista de Manuel José e onde ‘Paulinho’ dinamitou marcações directas e todas as tentativas de amedrontar o seu talento. Num último gesto de gratidão para com o clube, decide seguir carreira onde ofereciam mais ao Benfica: em Marselha.

Ponta de lança

Fonte: FPF

Rui Águas – É dificil imaginar como é que o filho de uma das maiores lendas de benfiquismo – o Senhor José Águas – decide ingressar no Porto depois de três anos a alto nível na Luz. Aliás, no ano da sua saída, em 1988, leva o Benfica à final da TCCE e é o melhor marcador da competição. O que motivaria, então, Rui a mudar-se para o rival directo? Em 2017, responderia com a frieza que só o tempo pode empregar: “Saí do Benfica para o Porto porque fui ganhar 11 vezes mais”. Nas Antas, pôs em prática a sua capacidade goleadora, mas as divergências Norte-Sul, à época, faziam a vida muito conturbada aos corajosos que tentavam tal trajecto. Voltou passados dois anos, fraturou uma perna no frio de Kiev, na campanha da TCCE de 1991, e nunca mais foi o mesmo, apesar de ainda participar no glorioso título de 1993-94.

Foto de capa: Club Atlético de Madrid

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Pedro Cantoneiro

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.