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Os valentes rapazes transmontanos

Emanuel Melo · 4 min

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Cabeçalho Futebol NacionalNo norte de Portugal, mais especificamente em Trás-os-Montes, mora uma das maiores sensações da época desportiva, o Desportivo de Chaves. Numa zona onde há poucas equipas a competir no futebol profissional, o Chaves tem-se destacado pela bravura dos seus jogadores, pelo apoio incondicional dos seus adeptos no estádio, que tornam qualquer jogo difícil, e pela direção do clube, que se tem sabido mover no mercado com audácia e com os pés bem assentes na terra. Mas já lá vamos.

O percurso do Desportivo de Chaves é realmente um caso de estudo em Portugal. Num passado não muito distante, em 2013, esta equipa de Trás-os-Montes andava a competir na segunda divisão nacional, altura em que Bruno Carvalho se assumiu como presidente da equipa. A verdade é que desde aí a tendência foi sempre crescer cada vez mais. Depois da conquista da segunda divisão nacional e consequente subida à Segunda Liga, a equipa conseguiu um oitavo lugar a dez pontos do segundo classificado.

Em 2014-2015, o objetivo era subir uns lugares e lutar pela subida à Primeira Liga. A equipa até esteve bem perto de conseguir esse feito, tendo vencido o último jogo do campeonato, mas um golo de André Carvalhas, na altura jogador do Tondela, ao minuto 93 atirou a equipa transmontana para o terceiro lugar, que acabou o campeonato com os mesmos pontos do União da Madeira e a apenas um do campeão, Tondela. Na última temporada o objetivo era bem claro: subir à primeira divisão. Para conseguir isto, a equipa apostou no mestre das subidas, Vítor Oliveira. Num campeonato dominado pelo Porto B, o Chaves conseguiu ser sempre o conjunto mais regular daqueles que lutavam pela subida e conseguiu facilmente o segundo lugar da Ledman LigaPro.

Esta temporada, o objetivo era assegurar a permanência o mais rapidamente possível. Para isso a direção do clube foi buscar um jovem técnico com muito potencial e com trabalho feito, Jorge Simão, que já havia treinado o Belenenses e o Paços de Ferreira na Primeira Liga. Para além disso constituiu um plantel muito coeso com alguns jogadores emprestados pelos grandes, outros jogadores com passado na Primeira Liga e alguns jogadores mais jovens mas com muito potencial.

GD Chaves plantel
A união entre o plantel e os adeptos tem sido fundamental para a boa temporada dos flavienses
Fonte: Grupo Desportivo de Chaves

Ora, a equipa está muito bem posicionada para alcançar esta permanência e está mesmo a superar as expetativas em larga escala.  O Chaves tem sido a equipa-sensação em Portugal nesta temporada. Primeiro, com Jorge Simão, a equipa eliminou o Porto da Taça de Portugal e foi uma das equipas com o melhor registo defensivo na prova, fazendo do estádio Municipal Engenheiro Manuel Branco Teixeira uma autêntica fortaleza, onde só o Benfica, a muito custo, conseguiu vencer. Com o bom trabalho do técnico no clube chegou o convite para treinar o Sporting de Braga, e com ele foram Battaglia e Paulinho, dois jogadores que até então tinham estado em destaque no clube.

Quando se pensava que devido às saídas de treinador e de dois jogadores nucleares no plantel a produção da equipa pudesse vir a sofrer alterações, eis que o Chaves surpreende de novo. A aposta para novo treinador da equipa flaviense recaiu em Ricardo Soares, jovem técnico que tinha orientado o Vizela na primeira metade da temporada, com muita distinção, e que na temporada anterior havia sido vice-campeão do campeonato nacional de séniores. A equipa não só não sofreu uma quebra como ainda conseguiu ter a força para realizar novas façanhas. Na semana anterior foi a vez dos valentes transmontanos eliminarem outro grande da Taça de Portugal, o Sporting.

As “chaves” para este sucesso são várias. O Desportivo de Chaves é um dos projetos mais estáveis e mais bem construídos do futebol nacional. Trata-se de uma equipa que não entra em loucuras no mercado, que sabe contratar e que tem conseguido potenciar da melhor forma os seus jogadores, constituindo o seu plantel com um misto de experiência e juventude. São exemplos disso: Ricardo, Nélson Lenho, Ponck, Filipe Lopes, Braga, Assis, Perdigão, Rafael Lopes e Fábio Martins. Para além disso a equipa de Chaves conta com um forte apoio da sua massa associativa. Dos clubes pequenos, o Chaves deve ser dos poucos que contam na totalidade dos jogos com mais adeptos da casa do que adeptos do clube visitante. Por exemplo, ainda agora no jogo da Taça de Portugal se viram mais adeptos do Chaves do que do Sporting.

Outra das razões para o sucesso é a mentalidade da equipa, que é diferente do habitual. Este Chaves não joga com o autocarro à frente da baliza, não faz anti-jogo; joga com qualquer adversário da mesma forma: olhos nos olhos. Talvez tenha sido por isso que a equipa foi premiada com os brilhantes resultados recentes.

Para a segunda volta os valentes transmontanos terão a tarefa de tentar chegar ao Jamor enfrentando outra equipa que tem estado em destaque no campeonato, o Vitória de Guimarães. Na Liga, o objetivo será o de assegurar o mais rapidamente possível a manutenção, sendo que se a equipa mantiver os bons resultados da primeira parte da temporada pode muito bem vir a conseguir o sonho da Europa. Por agora resta-nos esperar para ver quais os feitos que estes valentes transmontanos podem ainda alcançar.

 

Foto de Capa: Grupo Desportivo de Chaves

Emanuel Melo

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