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5 heróis portistas em clássicos frente ao SL Benfica

José Mário Fernandes · 6 min

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É um dos maiores clássicos do futebol europeu e, consequentemente, de todo o mundo: falamos, pois claro, de FC Porto x SL Benfica.

E desengane-se aquele que considerar que tudo isto resume-se apenas a um jogo de noventa minutos. Não, muito longe disso. Trata-se da enorme rivalidade entre azul e encarnado, entre o “norte esquecido” e a “capital do Império”, entre dragões e águias. História, ideais, títulos: é fácil confundir a história do futebol português com a história destas duas equipas, as mais tituladas deste lado da fronteira.

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É o encontro que ninguém quer perder. É o encontro que todos querem ganhar. São estes os jogos que ficarão na memória dos apaixonados pela bola, onde títulos são decididos, onde heróis são criados, heróis que vêem o seu nome ser inscrito na história do clube que carregam ao peito.

Recordemos alguns desses casos.

5.

Fonte: Facebook Oficial de André Villas-Boas

André Villas-Boas – O primeiro nome da nossa lista não é o de um autor de um golo decisivo ou de uma grande defesa no último minuto. Mas não é por isso que este nome está dissociado do que acontece dentro das quatro linhas; aliás, muito pelo contrário.

Contratado para assumir o comando técnico do FC Porto, após um 2009/10 onde o Benfica de Jorge Jesus havia impedido o segundo “penta” na história azul e branca, cedo o jovem técnico português mostrou que estava preparado para aquele que era o maior desafio da sua carreira. Como? Vencendo por 2-0 as águias, em Aveiro, e conquistando a primeira competição oficial daquela época.

Este seria um simples prelúdio daquilo que ocorreria ao longo daquela histórica temporada, isto porque, para azar dos encarnados, estes teriam ainda que medir forças com o FC Porto de André Villas-Boas em outras quatro ocasiões.

Desses quatro encontros entre dragões e águias, resultariam momentos que ficarão para sempre na história do clube da Invicta: os 5-0 no Estádio do Dragão, a remontada formidável na Luz, a contar para a Taça de Portugal e o inesquecível campeonato festejado em pleno Estádio da Luz.

4.

Fonte: FC Porto

Bruno Moraes – Esta é mais uma daquelas histórias protagonizada por um herói extremamente improvável: desta vez, Bruno Moraes. O avançado brasileiro, desde a sua chegada à Invicta, nunca teve vida fácil, sendo incapaz de se afirmar verdadeiramente de dragão ao peito.

Contudo, e já após uma saída por empréstimo para o Vitória FC, este ponta de lança veria o seu estatuto ser elevado ao de “salvador da pátria”, exatamente num clássico frente ao SL Benfica, no Estádio do Dragão.

Estavam apenas jogadas sete jornadas e a luta pelo primeiro posto não podia estar mais ao rubro: os três grandes encontravam-se empatados pontualmente, todos com dezasseis pontos conquistados. Devido a isso, esse primeiro duelo entre dragões e águias na época 2006/07 era encarado como uma oportunidade de ouro para um deles descolar-se da restante concorrência. E quem aproveitaria essa oportunidade seria o FC Porto, com uma mãozinha do camisola vinte e nove.

Aliás, não uma mãozinha, mas sim uma cabeçada, uma cabeçada em resposta a um esférico que surgira no interior da área encarnada após um lançamento de linha lateral, já com o cronómetro para lá dos noventa minutos.

Num campeonato que seria anormalmente disputado até à última pelos três crónicos candidatos, estes três pontos revelar-se-iam fundamentais na conquista desse título.

3.

Fonte: FC Porto

Hulk – De um herói improvável para um herói mais que previsível. É agora altura de dar destaque a um dos jogadores mais impactantes da história azul e branca recente: o incrível Hulk. Nascido na Paraíba no ano de 1986, Givanildo Vieira de Souza, como foi outrora chamado, chegou à Invicta para reforçar o plantel às ordens de Jesualdo Ferreira, no verão de 2008. O resto, como se costuma dizer, é história. E uma linda história, diga-se.

Com as cores do FC Porto, o extremo brasileiro apontou setenta e sete golos e contribuiu, ainda, com mais de seis dezenas de assistências, tudo isto repartido pelas cinco épocas que esteve em Portugal.

Se tais números não fossem por si só dignos de registo, uma vez que não falamos propriamente de um ponta de lança, algo que salta ainda mais à vista são os seus registos em clássicos. O “homem verde” possui participação direta em oito golos frente ao SL Benfica, destacando-se, dentre esses, o bis na goleada por 5-0 e o golo de grande penalidade que seria decisivo para os festejos do FC Porto no Estádio da Luz.

Ah, e só mais um dado: em todos os clássicos em que Hulk marcou ou assistiu, os dragões não conheceram outro resultado para além da vitória. Efetivamente, um registo incrível apenas ao alcance do Incrível.

2.

Fonte: Bola na Rede

Héctor Herrera – A história deste herói tinha tudo para ter um melancólico final, não fosse pela perseverança e determinação do mesmo. Falamos de Héctor Herrera.

O mexicano, ex-Pachuca, chegava ao Dragão envolto em expectativa, não fosse ele o reforço mais caro que estaria às ordens de Paulo Fonseca para o ataque àquela temporada. Contudo, 2013/14 não foi, de todo, uma época de efetiva afirmação para Herrera, assim como não foram aquelas que se seguiram: apesar de, individualmente, ter consolidado cada vez mais o seu lugar de elemento preponderante na equipa, o jejum de títulos que o FC Porto atravessava fazia com que a sua qualidade, muitas vezes, fosse colocada em causa pela massa adepta.

Essa contestação atingiria o seu ápice precisamente num clássico frente ao SL Benfica, em 2016/17, onde as principais críticas recaíram sobre o internacional mexicano, por conta do golo de empate que este “ofereceu” ao adversário.

Daí por diante, o médio era visto como um “patinho feio” pela maioria dos portistas, até que, na temporada seguinte, sob o comando de Sérgio Conceição, o mundo daria uma volta de cento e oitenta graus: o jogador, que outrora era “apedrejado” em praça pública, era agora o herói no regresso do clube aos títulos, ao marcar o golo decisivo, em plena Luz, já bem perto do apito final.

Como o mundo do futebol dá voltas…

1.

Fonte: FC Porto

Kelvin – Por fim e, quiçá, o nome mais óbvio, temos Kelvin. O extremo brasileiro, formado no Paraná Clube, aterrou no Porto no verão de 2011. Sem espaço no plantel principal, o jovem foi emprestado ao Rio Ave FC, onde conseguiu somar minutos, apesar de nunca se ter conseguido, efetivamente, afirmar em Vila do Conde. Na época seguinte, permaneceu no FC Porto, onde foi revezando entre equipa B e principal. Mas, seria na equipa principal que o brasileiro, à época, com dezanove anos de idade, iria ser verdadeiramente preponderante.

Após alguns deslizes no campeonato, Vítor Pereira vira o SL Benfica cavar uma vantagem de quatro pontos para a sua equipa, que se encontrava na segunda posição. Contudo, um empate surpreendente em casa frente ao GD Estoril Praia, na antepenúltima jornada, deixava a formação comandada por Jorge Jesus com uma vantagem mais apertada, uma vez que, uma eventual derrota no Dragão, na jornada seguinte, entregaria o título aos dragões.

E essa derrota haveria mesmo de ocorrer: da pior forma para os encarnados, da forma mais saborosa para os azuis e brancos – aos noventa e dois minutos.

Kelvin surge pela esquerda, tabela com Liedson e remata a bola para o fundo das redes, deixando o Dragão ao rubro e Jesus ajoelhado.

O FC Porto era tricampeão e Kelvin tinha uma grande participação nesse feito, participação essa que até hoje está eternizada nos corações portistas.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

José Mário Fernandes

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