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Tem sido um mercado de transferências relativamente calmo no FC Porto. Poucas entradas, poucas saídas, no entanto algo salta à vista: todos estes negócios envolvem outros emblemas portugueses.
Cláudio Ramos, Carraça, Zaidu e Taremi, até à data, únicos reforços do plantel às ordens de Sérgio Conceição, revelam uma aposta forte por parte da estrutura azul e branca no mercado interno, aposta que, convenhamos, não é de todo novidade.
Com isso em mente, decidi elencar alguns aspetos menos positivos desta estratégia de mercado e assim trazer alguns argumentos que vão de encontro àquilo que pessoalmente penso: o mercado português, na vasta maioria dos casos, fica muito aquém das necessidades de um clube como o FC Porto.
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>🔵⚪ Primeiras declarações do nosso novo avançado, Fernando Andrade
🎙 “Quando cheguei a Portugal, disse que a minha vontade era jogar no FC Porto”
Declarações completas👉 https://t.co/wcLnMAOJzP #FCPorto #BenvindoFernando pic.twitter.com/0rSA3NVvff— FC Porto (@FCPorto) January 4, 2019
Histórico recente – Começo por fazer um breve retrospeto das últimas janelas de mercado. Desde a temporada 2015/16, os dragões viraram-se para o mercado interno por 21 vezes. Para além das recentes quatro contratações, nomes como os de Loum, Osório, Fernando Andrade, Manafá, Vaná, Soares, Danilo Pereira, Marega ou Sérgio Oliveira são também exemplos de atletas contratualmente ligados ao FC Porto que são provenientes de clubes portugueses. Desta enumeração de jogadores é possível retirar algumas ilações. Primeira: a qualidade das contratações efetuadas no mercado nacional têm vindo a decrescer ano após ano. Se, em 2015/16, os azuis e brancos reforçaram-se com jogadores que viriam a afirmar-se de dragão ao peito, como Danilo e Marega, ambos contratados ao Marítimo, mais recentemente os reforços vindos do nosso campeonato pouco ou nada têm vindo a acrescentar.
Outro aspeto é o tempo que estes jogadores geralmente levam para se afirmar. Dos 17 contratados nas últimas temporadas (aqui, excluo as desta época), apenas Danilo Pereira e Soares tiveram impacto imediato. Mesmo que acrescentássemos nomes como os de André André ou de Maxi Pereira à equação (apesar deste último ser um caso à parte), ainda assim seria curto.
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📝 #lcfc have agreed terms with FC Porto for the transfer of defender @ricbpereira: https://t.co/P1cHxjd5rp pic.twitter.com/o8qgFXSmVT
— Leicester City (@LCFC) May 19, 2018
Vendas pouco significativas – No seguimento do ponto anterior, foco agora na vertente financeira das anteriores contratações. Para além do pouco retorno desportivo das mais recentes contratações efetuadas deste lado da fronteira, a nível financeiro o retorno também tem andado longe de ser positivo. Ainda no mesmo recorte temporal (as últimas cinco temporadas), o top 10 de vendas mais caras inclui apenas um jogador contratado a um emblema português.
Ocupando a oitava posição, Ricardo Pereira, contratado em 2013/14 ao Vitória SC, foi vendido ao fim da primeira época da era Conceição ao Leicester, por 22M€. Note-se, ainda, que o período que levou até afirmar-se foi enorme, sendo mais um exemplo claro de que os jogadores contratados em território português geralmente levam algum tempo a adaptar-se.
Olhando para o presente, parece-me difícil que algum dos jogadores provenientes de clubes nacionais bata a barreira dos 20/30 milhões, o que, possivelmente, fará com que o lateral internacional português se mantenha sozinho na lista das vendas mais caras dos últimos anos do FC Porto.
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🎥 Imagens exclusivas da apresentação do atacante português Francisco Trincão 🇵🇹
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— FC Barcelona (@fcbarcelona_br) August 27, 2020
Um mercado cada vez mais inflacionado – Ainda olhando para fora das quatro linhas, os clubes portugueses, sobretudo aqueles habituados às posições cimeiras da tabela, estão a inflacionar cada vez mais as suas pérolas. Exemplos claros disso mesmo são os eternos rivais do Minho: Braga e Vitória SC.
É cada vez mais difícil resgatar um jogador diferenciado a estes dois emblemas, muito por conta dos preços pelos quais recentemente foram fechados diversos negócios. Falamos de um Trincão vendido ao Barcelona por algo a rondar os 30M€, de um Rafa vendido ao Benfica por valores superiores aos 15M€, de um Tapsoba que custou ao Bayer Leverkusen cerca de 18M€, etc.
Sendo que são estes os dois emblemas que mais se aproximam dos grandes, quer a nível classificativo, quer a nível de exigência dos adeptos, entende-se que a maioria dos pontos fora da curva de mediocridade do nosso futebol encontrem-se em clubes como estes. Todavia, os valores impeditivos, forçam o FC Porto a procurar um pouco mais abaixo na tabela, onde, na minha opinião, as chances de sucesso são normalmente menores.
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🎙 Paulinho: “Vim para acrescentar. Sou mais um e espero ajudar o clube.”
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Muitos vêm sem provas dadas – Este ponto não deixa de estar conectado ao anterior. Visto que os valores pedidos pelos emblemas tradicionalmente mais fortes no futebol português são, muitas vezes, demasiado volumosos, as atenções acabam por dirigir-se para opções mais low-cost. E, por mais baratos, entende-se também que os alvos estejam menos preparados para representar um FC Porto, menos preparados para jogar todos os jogos para vencer, menos preparados para adeptos exigentes, menos preparados para um grande.
Devido a isso, muitos acabam por acusar a pressão e passar longe dos registos que obtiveram nos seus outros clubes. Exemplos disso são o que não faltam: Ghilas (vem de marcar 16 golos pelo Moreirense), Licá (era um dos destaques daquele Estoril comandado por Marco Silva que termina o campeonato na quinta posição), Paulinho (encantava no Portimonense) ou Fernando Andrade (participa diretamente em sete golos num Santa Clara que se encontrava na metade superior da tabela).
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O fosso que separa os grandes dos “outros” – Por fim, o fator mais relevante. Em Portugal, existem duas categorias no campeonato: os grandes e os “outros”. Gostemos ou não, a realidade é esta. Outro facto é que o fosso que separa estas duas subdivisões tem vindo a se acentuar cada vez mais: os “grandes” cada vez maiores, os “pequenos” cada vez menos capazes de fazer frente aos mais poderosos.
Deste modo, reforçar o plantel nos clubes pequenos é, na minha opinião, seguir a tendência destes mesmos clubes: a de construir plantéis cada vez menos competitivos.
Aposte-se na formação, que se procure em mercados mais periféricos (leste da Europa, América do Sul, México); já disse e repito: encontrar jogadores de equipa grande em Portugal é cada vez mais difícil, portanto não vale a pena tentar encontra-los por tentativa e erro.
Artigo revisto por Joana Mendes








