Depois da conquista do 31.º título dos azuis e brancos, seguiu-se um verão onde André Villas-Boas e Francesco Farioli fizeram de tudo para manter as principais peças da equipa do FC Porto e, ao mesmo tempo, reforçar um plantel que tinha dado provas de estar preparado para lutar pelos principais objetivos. A ideia passava por não mexer demasiado numa equipa campeã, mas aproveitar o mercado para corrigir algumas lacunas e aumentar as opções ao treinador italiano.
No capítulo das entradas, André Silva foi o primeiro nome a chegar. O avançado português chegou a custo zero, proveniente do Elche, numa operação que dificilmente pode ser vista como um risco para os dragões. Além da questão financeira, há ainda o fator casa: André Silva conhece o clube, a exigência e o contexto, chegando para assumir um papel secundário no ataque, como segunda ou terceira opção. É um reforço que oferece profundidade sem obrigar o clube a um grande investimento.


Na defesa, Jakub Kiwior e Jan Bednarek foram duas figuras fundamentais para o sucesso desportivo da equipa. No mercado de verão de 2025, Jakub Kiwior chegou ao Dragão num negócio muito positivo para os azuis e brancos, tendo em conta a realidade financeira do clube. O internacional polaco rapidamente justificou o investimento e tornou-se numa das peças importantes do setor defensivo, contribuindo para a consistência que permitiu ao FC Porto conquistar o campeonato. O seu rendimento acabou por levar o FC Porto a comprar o restante do passe do internacional polaco, garantindo a continuidade de um jogador que já tinha demonstrado ser importante para a equipa.
Entre os guarda-redes, João Afonso chegou proveniente do Santa Clara. É uma contratação mais virada para o futuro do que para o presente. O jovem guarda-redes alternará entre a equipa principal e a equipa B, num processo pensado para a sua evolução e para preparar uma possível sucessão na baliza portista nos próximos anos.
No meio-campo, Hwang In-Beom representa talvez uma das contratações com um perfil mais diferente daquele que o FC Porto já tinha à disposição. O médio sul-coreano, de 29 anos, chegou do Feyenoord e oferece versatilidade a Francesco Farioli. É um jogador com boa visão de jogo, capacidade para ligar setores e, sobretudo, para perceber quando acelerar ou baixar o ritmo. É também um médio capaz de funcionar como temporizador do jogo, algo importante numa equipa que nem sempre precisa de jogar à mesma velocidade.


Por empréstimo chegaram ainda Seko Fofana, Santiago Giménez e Souza. Fofana regressa a um sítio onde já foi feliz e oferece a Farioli mais uma opção para o meio-campo, acrescentando experiência e capacidade física ao setor.
Santiago Giménez chega ao Dragão num negócio muito semelhante ao de Jakub Kiwior, também com o objetivo de dar ao jogador uma nova oportunidade para se afirmar. O avançado mexicano procura relançar a carreira e voltar a atingir o nível que apresentou no Feyenoord, ou até superá-lo. No FC Porto, parte como mais uma alternativa para o ataque e terá de disputar um lugar com os restantes avançados. Samu continua a recuperar da lesão e ainda deverá esperar algum tempo até voltar aos relvados, o que torna a chegada de Giménez ainda mais importante nesta fase da época.
Já o lateral-esquerdo brasileiro Souza chega ao Dragão por empréstimo, numa operação pensada sobretudo para a sua evolução. O jogador terá a oportunidade de ganhar ritmo competitivo, experiência e maturidade num contexto de maior exigência. Com esta chegada, o FC Porto passa a ter três opções para a posição, embora Francisco Moura não seja uma das primeiras escolhas de Francesco Farioli. O treinador italiano tem optado, em algumas ocasiões, por adaptar Martim Fernandes à esquerda, enquanto Zaidu ficará afastado dos relvados durante algum tempo devido a lesão.


Por fim, chegou Gabriel Mec. O extremo brasileiro, considerado uma das apostas de maior potencial deste mercado, custou 11 milhões de euros e vem colmatar uma carência que o plantel já apresentava. Oskar Pietuszewski encontra-se lesionado, Borja Sainz tem sido sobretudo uma opção para entrar a partir do banco, deixando Pepê e William Gomes como as principais soluções para a posição. Gabriel Mec chega, assim, para aumentar a concorrência e oferecer a Farioli mais uma alternativa numa zona onde as opções eram mais reduzidas.
No que toca às saídas, o FC Porto também procurou rentabilizar alguns dos seus ativos. Alarcon e Domingos Andrade deixaram o clube, enquanto Rodrigo Mora, Stephen Eustáquio e Deniz Gül permitiram aos azuis e brancos realizar encaixes financeiros importantes.
A saída que mais descontentamento gerou entre os adeptos foi, sem dúvida, a de Rodrigo Mora. O jovem português acabou por ser vendido por 25 milhões de euros, num negócio que poderá ainda render até 50 milhões aos cofres portistas. Apesar dos valores envolvidos, a saída de um jogador formado no clube e que tinha assumido um papel importante na equipa acabou por não ser bem recebida por uma parte significativa dos adeptos, que esperavam ver Mora continuar no Dragão.


Stephen Eustáquio encerrou o seu ciclo no FC Porto depois de ser vendido por quatro milhões de euros. O internacional canadiano encontrava-se em final de contrato e não entrava nas contas de Francesco Farioli, pelo que a saída acabou por ser uma solução para ambas as partes. Evitou-se a saída a custo zero e o clube ainda conseguiu retirar algum retorno financeiro de um jogador que já não fazia parte dos planos do treinador.
Já Deniz Gül representa um dos negócios mais interessantes do mercado portista. O avançado turco foi vendido por 10 milhões de euros, depois de ter sido contratado por cinco milhões. Ou seja, o FC Porto conseguiu vender o jogador pelo dobro do valor pelo qual o tinha comprado. É precisamente este tipo de operação que pode fazer a diferença na gestão financeira de um clube como o FC Porto e, neste caso, há mérito no trabalho de André Villas-Boas na valorização e posterior venda do jogador.
Ao longo do verão e com o decorrer do mercado, o FC Porto acabou por ser criticado pelos adeptos pela pouca movimentação, tanto nas entradas como nas saídas. A expectativa era ver o campeão reforçar-se, mas a realidade financeira dos azuis e brancos obrigava a uma gestão mais cautelosa.
Para contratar, é necessário criar margem financeira, e as vendas assumem, por isso, um papel importante. As saídas de Rodrigo Mora, Stephen Eustáquio e Deniz Gül permitiram ao clube realizar encaixes e ganhar maior margem para avançar no mercado. Até essas operações acontecerem, o FC Porto esteve naturalmente mais limitado na capacidade de investir.


André Villas-Boas procurou, ainda assim, não contratar apenas para responder à pressão dos adeptos, apostando em oportunidades de mercado, empréstimos e jogadores a custo zero. Ao mesmo tempo, Farioli manteve a confiança numa equipa que tinha acabado de ser campeã. No final, o mercado portista acabou por ser marcado mais pela gestão e pelo equilíbrio financeiro do que pelo número de contratações.

