A história do titular que era suplente

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Contratado no verão da temporada transata, o defensor congolês foi uma das maiores apostas (em termos financeiros) do FC Porto para o ataque aos objetivos traçados para 2018/19. Em termos efetivos, o valor que o clube desembolsou para contratar Mbemba nunca foi verdadeiramente traduzido em minutos; por uma razão ou por outra, Sérgio Conceição não via as qualidades necessárias no africano para que este pudesse se sobrepor hierarquicamente a jogadores como Éder Militão, Felipe ou Pepe.

Todavia, com as saídas dos dois centrais brasileiros rumo a Madrid no verão passado, o jogador ex-Newcastle era agora visto como uma espécie de “terceiro central”, a primeira opção caso fosse necessário substituir algum dos habituais titulares.

Mas, se a princípio perspetivava-se que Mbemba se apresentasse única e exclusivamente como esse tal “terceiro central” da equipa, o facto é que agora este jogador pode ser facilmente comparado a um canivete suíço, muito por conta das suas excelentes exibições, quer a defesa central, quer a médio defensivo, quer, inclusivamente, a lateral.

Apesar de algumas exibições em alto nível, Mbemba nunca se conseguiu afirmar como titular no FC Porto
Fonte: FC Porto

Vem acumulando minutos, vem conquistando os adeptos, enfim, vem justificando cada vez mais um lugar no onze base do FC Porto. A questão é: em que posição?

Bom, a presença de Chancel Mbemba seria mais importante na zona central do terreno, seja a defesa central ou a médio mais recuado, remetendo para o banco de suplentes Iván Marcano ou Danilo Pereira.

Relativamente ao espanhol, pouco mais há para dizer: Mbemba é claramente superior a Marcano, transmite uma outra segurança, é forte nos duelos e é claramente central de equipa grande (algo que o espanhol, a meu ver, não é nem nunca será).

Contudo, e apesar dessa disparidade de qualidade de que falei acima, atualmente, colocaria Mbemba no lugar do nosso atual capitão. Para esta alteração no onze não utilizo como justificação a mesma que usei para Marcano, porque, apesar da má fase, é impossível não reconhecer qualidade ao internacional português.

E, é precisamente por reconhecer essa qualidade em Danilo que vejo como obrigatório o surgimento de alguém que o tire da zona de conforto, que o tire do posto de intocável no onze, que o tire das más prestações. Só com o surgimento de um concorrente de peso é que um atleta se vê forçado a dar o máximo de si e isso é uma das coisas que falta a Danilo (apesar de faltar algumas outras coisas a este jogador).

Por último, ressaltar o enorme profissionalismo e espírito de grupo que Mbemba revelou durante todo este período de azul e branco: apesar de ter perfeita noção de que deveria ser titular “de caras” nesta equipa, não ouvimos uma palavra proveniente da sua boca contra o treinador, não vemos “caras feias” no banco de suplentes, não vemos uma diminuição nos seus níveis de entrega e dedicação. Será que é isso que lhe falta para ser titular?

Foto de capa: FC Porto

Artigo revisto por Joana Mendes

 

José Mário Fernandes
José Mário Fernandeshttp://www.bolanarede.pt
Um jovem com o sonho de jogar futebol profissionalmente. Porém, como até não tinha jeito para a coisa, limita-se a gritar para uma televisão quando o FC Porto joga.                                                                                                                                                 O José escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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