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Nuno Espírito Santo e a equipa do FC Porto viviam, antes da visita a Setúbal, e pela primeira vez esta época, uma espécie de estado de graça. Dificilmente os responsáveis azuis e brancos poderiam pedir um mês de Outubro mais favorável já que, tivesse o Porto vencido no Bonfim (historicamente não seria a mais difícil das deslocações para o FC Porto), passaria incólume e com 100% de vitórias pelo 10º mês do ano (há mais de 2 anos que o Porto não completa um mês só com vitórias). Durante este período, e até ao empate de ontem, foram obtidas vitórias nas três principais competições. Vitórias categóricas para a Liga NOS (Nacional e Arouca), vitória tranquila para a Taça de Portugal (Gafanha) e uma outra sofrida e com aquela marca registada do minuto 92 para a Liga dos Campeões (Club Brugge). Ao 5º e derradeiro jogo do mês o Porto volta a cair e com estrondo (um empate com o Setúbal quase representa, dados os resultados dos rivais na véspera, uma derrota).
Depois de um início de época atribulado e com uma grande desconfiança a pairar sobre a equipa e o treinador, o Porto parecia, finalmente, estar a entrar nos eixos. A mensagem de Nuno (aquela que teve direito a explicação artística na conferência de imprensa pós jogo com o Arouca) começava a entrar no seio da equipa e o casamento equipa/adeptos aparentava estar a ganhar forma. Acrescente-se, ainda, que mesmo tendo perdido em Alvalade, o Sporting havia sido deixado para trás (e assim se mantém) e a perseguição ao Benfica continuava a ser feita à distância de apenas 3 pontos (passou para 5), sendo que “O Clássico” da jornada 10 está aí ao virar da esquina.
No entanto, permitam-me utilizar aquela velha máxima do “futebolês”: Nem tudo estava mal no princípio da temporada, nem passou a estar tudo bem após a, já abordada, série de bons resultados, longe disso. Apesar de uma notória evolução, a qualidade de jogo da equipa deixava, e deixa, muito a desejar e está a uma considerável distância daquilo que é pretendido e exigido a um candidato ao título e a uma equipa da dimensão do FC Porto. Como se viu no jogo de ontem, no qual a 55 minutos bastante satisfatórios e incisivos com a criação de inúmeras oportunidades para matar a partida se seguiram 35 cinzentos e sem ideias onde o famoso “Kick and Rush” britânico parecia palavra de ordem.

Fonte: FC Porto
Assumindo o risco de estar a cometer um sacrilégio, dada a recente ligação do FC Porto à MEO, devo confessar que o slogan que a NOS (na altura ZON) outrora utilizava para publicitar a sua marca e um dos seus produtos não me sai da cabeça. O slogan dizia algo como: “Há uma linha que separa”.
Passo a explicar. Na vida, e principalmente no futebol, um universo onde a memória curta impera, a linha que separa a euforia da depressão é muito ténue. Poucos se recordarão que o Porto de Paulo Fonseca liderava à 8ª jornada com 5 pontos de avanço ou que, no ano transato, o Porto versão 2.0 de Lopetegui chegava à época natalícia no 1º posto do Campeonato. Mais, depois do jogo de ontem já serão poucos aqueles que darão relevo à anterior série de vitórias, assim como este empate será esquecido com uma vitória no próximo domingo.
Olhemos, então, para o calendário do FC Porto antes de nova paragem para as seleções: Club Brugge (Casa) e Benfica (Casa). O Porto tem, no espaço de uma semana, dois jogos perante os seus adeptos fundamentais na consolidação do seu processo enquanto equipa (tanto a nível de qualidade de jogo como de união do grupo) e para demonstrar que o jogo, e respetiva exibição, de ontem não foram mais que um acidente de percurso que dificilmente se voltará a repetir. Está, portanto, obrigado a conquistar os 6 pontos em disputa (3 para a Liga NOS e 3 para a Liga dos Campeões) para confirmar o bom momento e, por um lado, encurtar para 2 os pontos de distância que o separam do Benfica na tabela classificativa no Campeonato e, por outro, dar o salto na classificação do grupo G da Champions para lugar de apuramento para os oitavos de final da competição.
Em suma, o Porto está num processo evolutivo e é imperativo que o mesmo se desenvolva de braço dado com vitórias para que se crie uma onda e uma envolvente positiva entre toda a nação portista, sem nunca, no entanto, embandeirar em arco. Porque lembrem-se, há sempre uma linha que separa e, neste momento, essa linha tem dois nomes: Club Brugge e SL Benfica.













