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A Taça Maldita

Bernardo Lobo Xavier · 3 min

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Arranca nesta Quarta-Feira, para o FC Porto, mais uma edição da Taça Maldita, a Taça da Liga. A competição vai na 13ª edição sem que os dragões tenham deitado a mão ao caneco e começa agora, no Estádio do Dragão, frente ao CD Santa Clara, mais uma tentativa. Desde o surgimento desta competição, o FC Porto (ou os seus responsáveis) têm vindo, por via do discurso, a desdenhar e a retirar importância àquela que, através do seu principal patrocinador, agora se denomina Allianz Cup. Mas qual é, afinal de contas, a verdadeira postura do clube e a relevância dada a esta prova?

Será esta irrelevante como os dirigentes têm feito crer ao longo dos anos? Será mais uma competição importante do nosso calendário desportivo? Ou poderá, afinal, ser considerada como prioritária para o clube? Por mais paradoxal que possa parecer julgo que a competição é um pouco de tudo o que questionei no anterior parágrafo e, mais à frente, explicarei e sustentarei esta opinião.

Como foi referido anteriormente, no final de cada participação na Taça da Liga, os responsáveis azuis e brancos sempre lhe conferiram o estatuto de insignificante. À boleia de sucessivos maus resultados nas mais variadas fases da competição (sendo que o FC Porto foi finalista vencido em três ocasiões) a direção do clube preferiu sempre olhar para as derrotas como um pequeno percalço na época e nunca como um irreversível fracasso. Ainda assim, pelos alinhamentos iniciais das equipas do FC Porto na prova (principalmente desde que Sérgio Conceição chegou ao clube) e, por exemplo, pelo esforço de gabinete levado a cabo para manter o FC Porto na competição aquando do polémico diferendo com o Sporting CP na época 2013/14, sou levado a acreditar que apenas nas edições iniciais da competição o FC Porto, verdadeiramente, se alheou do real objetivo de a vencer.

ACREDITAS NUM TRIUNFO DO FC PORTO NESTA JORNADA INAUGURAL? ENTÃO, APOSTA JÁ NESTE ENCONTRO!

No princípio do presente artigo de opinião conferi à Taça da Liga o poder de encerrar em si, ao mesmo tempo, graus de importância distintos. Vários fatores e argumentos concorrem para justificar tão confusa afirmação. Se tivermos em conta que se trata, indubitavelmente, da competição com menos expressão do nosso futebol (Liga, Taça e Supertaça ocupam as primeiras três posições nesta hierarquia) e que a vitória na Liga Portuguesa adquire, este ano e uma vez mais, o estatuto de imprescindível e urgente, podemos ser tentados a tratar a competição quase como irrelevante.

O FC Porto defrontará CD Santa Clara, GD Chaves e Casa Pia no grupo D
Fonte: Liga Portugal

No entanto, atendendo à grandeza de um clube como o FC Porto, nomeadamente no panorama nacional, nunca o desdém por qualquer competição (seja ela qual for) se compadecerá com tais pergaminhos e, como tal, sendo a Taça da Liga uma prova integrante do calendário oficial de competições do futebol português terá sempre importância e relevância. Por fim, ao concluir que o FC Porto ainda não foi capaz de inscrever o seu nome na lista de vencedores da Allianz Cup, sendo que até clubes mais pequenos, nomeadamente o Vitória FC ou o Moreirense FC (com o maior dos respeitos que estas duas prestigiadas instituições me merecem) já o fizeram. E quando o maior rival do clube já leva sete títulos conquistados, começa a tornar-se prioritário vencer uma competição nacional que, mesmo com mais de uma dezena de anos de idade, ainda não se vestiu de azul e branco.

Honra seja feita a Sérgio Conceição que terá sido, tanto nas palavras como nos atos, o primeiro a assumir uma real vontade de vencer a competição e, não tivesse sido a malapata das grandes penalidades, já poderia e deveria tê-lo alcançado. Parece-me, portanto, evidente o cariz de extrema importância que a presente edição deverá merecer por parte de todas as pessoas envolvidas no comando dos destinos da equipa sendo que, ainda assim, nunca servirá para salvar uma época. Um clube como o FC Porto tem a obrigação de lutar afincadamente por todas as competições que disputa em Portugal e, este ano, falhada a presença na Liga dos Campeões e tendo caído para a Liga Europa, terá que ter aspirações de vencer no plano europeu também.

Posto isto, parece-me então que a importância dada à Taça da Liga não é mais nem menos do que a que esta merece. É para ganhar? Sim, sem dúvida. É um objetivo? Está claro que sim. O principal? Não. Salva uma época? Jamais, em tempo algum.

Foto de capa: Liga Portugal

Revisto por: Jorge Neves

Bernardo Lobo Xavier

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