– A importância de Mathieu e os elogios a Jonas –

BnR: Reparei que no Valência tinhas franceses no plantel, como o Mathieu, que agora joga no Sporting, mas também portugueses, o João Pereira e o Ricardo Costa. Com quem te davas mais?

C: O Mathieu foi muito importante para mim, quando joguei lá. Recebeu-me e mostrou-me a cidade e os sítios importantes. O João [Pereira] e eu vivíamos no mesmo condomínio, estávamos juntos muitas vezes no ginásio e na piscina. Eu jogo na Turquia e ele também, é sempre bom quando conseguimos estar juntos e jogar um contra o outro.

Cissokho jogou com Jonas no Valência
Fonte: Instagram Cissokho

BnR: Jonas também fazia parte do plantel do Valência nesse ano. Ele teve muito sucesso na sua passagem pelo SL Benfica, mas não chegou com um rótulo de grande jogador, antes pelo contrário. No Valência ele destacava-se?

C: Sim, sim. Ele surpreendeu-me imenso, porque, quando olhas para ele, fisicamente, achas que ele não é muito forte. Mas quando ele tinha a bola no pé… a técnica, a inteligência, era incrível. Para mim, não me surpreende que ele tenha marcado tantos golos no SL Benfica.

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BnR: O que achaste da qualidade do futebol na Liga Espanhola?

C: Era uma liga muito técnica. A qualidade técnica era enorme em todas as equipas, e jogava-se a um ritmo muito rápido. O nível é muito alto.

BnR: Mudando de país, tens boas memórias do Liverpool e da Premier League?

C: O Liverpool é um grande clube, e a Premier League é uma liga muito boa, muito competitiva. Todas as equipas jogam a um bom nível. Foi espetacular jogar lá.

BnR: Como era o Steven Gerrard como capitão e colega de equipa?

C: Ele é uma lenda. Foi um dos melhores médios do mundo, para além de ser o capitão de um clube com a grandeza do Liverpool. Foi uma oportunidade fantástica jogar com um jogador deste calibre. Mas também tive a sorte de jogar com outro grande jogador: [Philippe] Coutinho.

BnR: E que tal jogar em Anfield?

C: [Cissokho ri-se com gosto] Anfield… De todos os sítios onde joguei, esse é onde há o melhor ambiente. Os adeptos são incríveis. Ouvir o estádio inteiro a cantar é especial, muito especial.

BnR: Ao entrar no túnel, também tocavas no símbolo do Liverpool que está por cima da parede?

C: Alguns jogadores tocavam, mas eu não, ehehe. Antes do jogo fazia só as minhas orações. Mas é um estádio com muita história, e a prova é que vêm pessoas de todo o lado para ver um jogo apenas. Vêm da Malásia, da Noruega… de todo o lado.


BnR: Como é que os adeptos se comportavam quando te encontravam na rua?

C: Em Inglaterra, eles deixam o jogador em paz, não gostam de vir incomodar para tirar fotografias e assim. Podes andar na rua à vontade. Os adeptos vão ao jogo, apoiam até ao fim e, depois do jogo, estão ok. São muito simpáticos. Quer ganhes ou percas, no fim, eles aplaudem.

BnR: Aqui em Portugal não é tanto assim…

C: [Sai mais uma gargalhada estrondosa] Não, em Portugal é diferente. Quando ganhas, é bom, mas, se não ganhas, não é o mesmo.

BnR: Tiveste algum momento na rua onde os adeptos do Porto manifestaram o seu desagrado?

C: Não, não dessa forma. Era mais no final dos jogos. Se perdesses, aí eles [Cissokho imita um assobio], ehehe. Mas é normal, em qualquer equipa grande tens sempre pressão. Se perdes, tens de aceitar que os adeptos não estão satisfeitos.