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Académica OAF 1-2 FC Porto: Falhada oportunidade única de degolar um dragão frágil

Pedro Machado · 4 min

Académica OAF 1-2 FC Porto: Falhada oportunidade única de degolar um dragão frágil

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O FC Porto assegurou, em Coimbra, o playoff da Liga dos Campeões do próximo ano ao vencer a Académica por 2-1. Um resultado algo lisonjeador para a formação portista, conseguido numa tarde em que Helton regressou à guarda da baliza portista e em que o apoio portista esteve em falta (estiveram pouco mais de 5000 espectadores nas bancadas menos de um quinto da assistência registada com o Benfica).

O FC Porto, como favorito para esta partida, entrou a dominá-la, assumindo a responsabilidade de ter a bola, porém, nem sempre soube bem o que fazer com ela, fosse pelo posicionamento dos estudantes, fosse pelo medo de falhar que pareceu assolar os jogadores da Invicta (face ao mau momento que atravessa).

Ou seja, os portistas dominavam, mas não conseguiam dar efeitos práticos a esse domínio, atacando apenas pela certa e criando, apenas no início da partida, ocasiões de golo (Rúben Neves, de longe, no ressalto de um canto aos 2 minutos, Maxi, isolado, aos 12, e Varela, sozinho, aos 18, a falhar o encosto que o cruzamento de Herrera pedia), dando algum alento à Académica, que até se apresentou menos fechada, que, por exemplo, no jogo com o Benfica, há duas semanas atrás não deixando de arriscar saídas em ataque continuado.

Seria, porém, o jogo directo a patrocinar o primeiro golo dos estudantes, com a Rabiola a ser lançado pela defensiva, ganhando em velocidade a Maxi, que fez falta à entrada da área. Na cobrança do livre, Pedro Nuno inaugurou o marcador, beneficiando de uma jogada estudada, em que três companheiros de equipa formaram uma barreira secundária, condicionando a visão de Helton.

O golo não mexeu com o estado de alma do Porto. Não se foi abaixo nem acelerou os processos. Manteve-se o marasmo, que só um forte pontapé poderia resolver. Foi o de Ruben Neves, fora da área. Estava reposta a igualdade, o 1-1 com que ambas as equipas foram para os balneários.

No regresso dos balneários nada de novo. O mesmo marasmo, agora em sintonia com a apatia da Académica, incapaz de aproveitar o menor fulgor do adversário, que avisou do que era capaz aos 56 minutos, com André Silva a obrigar Pedro Trigueira a grande defesa, após excelente iniciativa na área estudantil. Isto parece ter acordado a Académica, que a partir daqui ficou por cima do encontro, circulando a bola no meio-campo contrário. E exemplo disso foi a forma como a equipa se envolveu ofensivamente, dois minutos depois do lance de inspiração do jovem avançado portista, isolando Aderlan, que perdeu, em fintas desnecessárias, um golo feito.

Os Super Dragões não falharam, mas o apoio dado ao FC Porto deixou um pouco a desejar face a anos anteriores
Os Super Dragões não falharam, mas o apoio dado ao FC Porto deixou um pouco a desejar face a anos anteriores

A Académica estava melhor, embalada no ataque, mas isso teve custos. Aproveitando esse balanceamento, o FC Porto marcou. Brahimi (3 minutos depois de entrar), fez uma espécie de cruzamento-remate que acabou na baliza de Trigueira. Um lance fortuito em que André Silva acabou por ter papel decisivo – arrastou a marcação de Ricardo Nascimento e foi o facto de não ter tocado na bola que atrapalhou o guardião academista.

Isto não abalou os espíritos academistas, pelo contrário, espicaçou-os: Aderlan disparou à figura de Helton, e Pedro Nuno, após nova jogada colectiva bem conseguida, atirou por cima nos lances imediatamente a seguir ao do golo portista.

O jogo ficou mais partido, propenso a golos, mas o selo de 3-1 que a bola de Corona saiu centímetros ao lado do poste direito da baliza de Trigueira, Pedro Nuno finalizou por cima um lance de grande envolvência ofensiva academista, quando João Real (defesa central) já fazia de ponta-de-lança e Nii Plange, fugindo aos centrais desde o centro para a direita, e vendo Helton adiantado, mediu mal o chapéu (terminou na trave da baliza do brasileiro).

Esse foi mesmo o último suspiro de uma Académica que se estará, agora a penitenciar por achar que perdeu uma oportunidade única de vencer um jogo que não era do seu campeonato.

A Figura:

Pedro Nuno  – O golo é redutor para ilustrar a exibição do médio ofensivo, que foi o principal motor da equipa e o veículo de fé num resultado diferente daquele que se verificou no final do encontro, criando outras oportunidades e aproveitando cada mílimetro de terreno que lhe era concedido para explorar o meio-campo contrário.

O Fora-de-jogo:

Aderlan – Foi do seu lado que surgiu o segundo golo portista, teve uma situação de golo, perdida por querer fintar-se a si mesmo e ainda revelou algumas falhas posicionais que podiam ter custado caro à sua equipa.

SALA DE IMPRENSA:

Filipe Gouveia:

“Em termos anímicos acho que não saímos afectados, o Porto estava a ter muitas dificuldades em entrar no nosso reduto. Entramos a ganhar, mas depois o Porto faz um grande gollo, mas parece que tudo nos acontece.

Mas vamos continuar a trabalhar e a acreditar.

O grupo esta triste, porque perdeu, mas satisfeito pela exibição. Temos tido algumas limitações físicas (o Rabiola estava em dificuldades, o Pedro Nuno já tinha pedido para sair… hoje precisava de mais 3 ou 4 substituições hoje).

Vamos continuar a trabalhar para ganhar na Madeira, que vai ser uma autêntica final se tudo corer dentro da normalidade em Alvalade. “

José Peseiro:

“Criámos oportunidades suficientes para sair daqui com outro resultado, mas estamos satisfeitos com este triunfo frente a uma equipa que se organiza muito bem,com grande atitude, sofre poucos golos e tem tido resultados apertados contra os grandes.

Agora vamos descansar para pensar no próximo jogo.”

Pedro Machado

Redação Bola na Rede · ver artigos