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Ainda as arbitragens…

Ricardo Anselmo · 6 min

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A arbitragem está “doente”. É inegável. Vítor Pereira deixou um organismo completamente despedaçado e o seu sucessor, José Fontelas Gomes, parece nem sequer ser capaz de atenuar os problemas, tendo mesmo conseguido que estes se agravassem. O “polvo” tem vindo a crescer e o que se pretende neste espaço é desmascarar o estado degradante a que chegou o setor. Para isso, tomei como linha orientadora o programa do Porto Canal “Universo Porto” da última quarta feira, com a sábia participação de Bernardino Barros (comentador), José Cruz (antigo jornalista), José Leirós (ex-árbitro) e Francisco J. Marques, Diretor de Comunicação do FC Porto.

Comecemos, então, pelo início. O jornalista Tiago Girão, moderador do debate, começa por fazer um retrato bem elucidativo da situação atual: “Boa noite. A época arrancou há já, sensivelmente, cinco meses. Há cinco meses que o FC Porto anda a ser mal tratado. Há cinco meses que a história que se anda a contar não é a história real. Há cinco meses que quem tem responsabilidades no futebol português não dá a cara. Hoje vamos dar nome a esses responsáveis. Hoje vamos mostrar quem se esconde no manto protetor. A arbitragem de Luís Godinho (…) no Moreirense – FC Porto foi apenas mais um episódio no chorrilho de erros que tem caracterizado esta temporada”.

Dado o pontapé de saída, foi tempo de o ex-árbitro José Leirós partir para a análise dos lances que motivaram a ira dos portistas, nomeadamente o penálti não assinalado sobre André André e a inacreditável expulsão de Danilo, elevada a anedota internacional.

Rapidamente se apressou a refutar a ideia que alguma “imprensa” tratou de inventar de que o segundo amarelo se deveu a “bocas”. Se assim fosse, as regras ditam que seja imediatamente aplicado o cartão vermelho. Além disso, fica claro que mal se apercebe do jogador em quem esbarrou. A reação de Luís Godinho é a de admoestar o jogador, sem sequer consultar qualquer um dos seus assistentes para constatar o que realmente se passou. E, com isto, um dos pilares fundamentais da organização defensiva do FC Porto fica impedido de atuar em Paços de Ferreira. Bem jogado, Sr. Godinho! Só foi pena aquele momento à Stevie Wonder aquando do atraso do jogador do Moreirense perante o seu guarda-redes.

Francisco J. Marques mostrou-se bastante crítico na análise ao jogo Fonte: Porto Canal
Francisco J. Marques mostrou-se bastante crítico na análise ao jogo
Fonte: Porto Canal

Quando está de frente, este artista não vê nada, mas graças às novas tecnologias consegue aperceber-se bem do que se passa atrás de si. Leirós não hesitou em descrever esta situação como “mais uma façanha deste árbitro, e mais uma façanha desta nomeação”. Já Francisco J. Marques reconhece que este foi o “lance mais caricato” que já viu em 40 anos. “Isto é o grau zero da arbitragem”, completou. Bernardino Barros vai mais longe e refere que “o relatório é, todo ele, uma mentira”. Além disso, os embustes de alguns jornais são tão facilmente desmascarados que ainda o relatório não havia sido escrito e já circulavam notícias (na opinião do comentador encomendadas pelo Conselho de Arbitragem) de que a expulsão de Danilo se devera a insultos. Para os mais distraídos, é de referir que o jogador vê primeiro o amarelo e só depois reage, insurgindo-se contra o árbitro. Essa é a ordem natural das coisas. Mas para alguns não! Importa ainda relembrar que Fontelas Gomes deu conta da sua intenção (aquando da tomada de posse) de tornar públicos os relatórios dos árbitros. É melhor sentarmo-nos.

José Cruz, à boa imagem que caracteriza a indignação nortenha, reconhece que este é “um lance que ilustra bem como as coisas estão montadas”, referindo que a forma de atuação deste CA é o “colinho ao Benfica, prejudicando todos aqueles que se lhe oponham”. Simples, mas eficaz. Perante a situação atual, completamente orquestrada a favor de uns e desfavor de outros, urge a intervenção de Fernando Gomes, presidente da FPF, segundo a opinião do antigo jornalista.

Fontelas Gomes, num artigo de opinião publicado no Jornal “Público”, reconhece que é tempo de mudar comportamentos, dirigindo-se a dirigentes e treinadores. Porém, Francisco J. Marques mostra-se indignado com o facto de o presidente do CA “ameaçar para fora e esquecer-se de olhar para dentro”. Além disso, no mesmo artigo, o dirigente mostra-se satisfeito com o trabalho dos árbitros, que diz ser globalmente positivo. É de rir. Urge, então, “vir a público explicar o que está a acontecer”.

Foto de Capa: Porto Canal

Aqui, questiona-se o porquê de, com este ângulo de visão, o árbitro assistente não ter dado indicação para ser marcada grande penalidade. Isto porque o árbitro principal está longe, muito longe. Muito mal colocado. Um árbitro internacional. Mas já lá vamos.

Mais um para a coleção. Já vai em quantos? Mas os papagaios desta vida continuam a achar que a balança dos erros estará equilibrada no final da época. Para eles, o FC Porto continua a não se poder refugiar nos argumentos contra a arbitragem.

Posto isto, porque até já cansa, vamos então ao cerne da questão. O critério (que na realidade não existe) para a internacionalização dos árbitros é de bradar aos céus, contrariando as próprias regras da FIFA. Francisco J. Marques considera que “foi criado um monstro que controla tudo isto, e foi esse monstro que propiciou este tipo de coisas. O árbitro Luís Godinho fez o seu primeiro jogo no ano de 2017. A partir de agora é internacional. O que fez o Luís Godinho para ser internacional? Fez o seguinte: arbitrou 14 jogos do campeonato português. Desses, nenhum foi dos três principais clubes, que são os de maior exigência do ponto de vista mediático.

Mais um lance que merece críticas por parte dos adeptos portistas Fonte: Porto Canal
Mais um lance que merece críticas por parte dos adeptos portistas
Fonte: Porto Canal

“Um árbitro para poder ser internacional tem de ter experiência, traquejo”. E vai mais longe, referindo que Luís Godinho até é bem experiente se o compararmos com o caso de João Pinheiro, que chegou a internacional depois de arbitrar dois jogos da primeira liga (Moreirense-Setúbal e Académica-Boavista). “Isto é uma vergonha”, atira. Também a Tiago Martins bastou dirigir o Belenenses-Arouca e o Nacional-Arouca para chegar à categoria de internacional, o que é no mínimo estranho, tendo em conta que a FIFA prevê dois anos no primeiro escalão até que um árbitro possa ser nomeado internacional. Mas cá no nosso Portugal não é assim. Para terminar, soltemos mais uma gargalhada com a situação de Fábio Veríssimo, que arbitrou cinco jogos até ser mais um internacional. “Este monstro foi criado para controlar a arbitragem. Controlando a arbitragem controla-se o curso normal das competições. (…) E quem fez isto foi o Benfica; não tenhamos dúvidas disso.

“O Sr. João Pinheiro é conhecido em Barcelos como Mostovoi, porque é adepto do Benfica. Ele tem todo o direito de ser adepto do Benfica. Tem todo o direito de ser adepto do Benfica e de ser árbitro de futebol. Mas sendo adepto do Benfica e árbitro de futebol não tem o direito de prejudicar sistematicamente o FC Porto como tem feito. Isso não é sério. E as pessoas da arbitragem sabem isto. Sabem e não fazem nada. (…) Um dos árbitros do jogo de ontem colocou, há um ano, um like numa página de Facebook de propaganda do Benfica que se chama “Hugo Gil”. Toda a gente sabe que isso é uma página de propaganda oficiosa, controlada pelo Benfica. As pessoas do CA sabem isso perfeitamente. O que é que fazem? Não fazem nada”.

Caro leitor, aqui ficaram explanadas a intervenções mais importantes do referido debate, contudo, a visualização, na íntegra, tratará de o elucidar ainda melhor do tal monstro de que tanto se tem falado. Se assim o pretender, veja e ouça, aqui. À parte disto, é importante ter sempre em conta as seguintes palavras: “É mais importante conseguir lugares na Liga do que contratar bons jogadores.” A quem pertence esta pérola? A esse mesmo.

A pergunta agora é: Quando é que isto vai acabar?

Ricardo Anselmo

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