Ainda não desistimos de ti (Carta aberta ao plantel do FC Porto)

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Cinco de maio de 2018. Estádio José Alvalade. Foi ali. Bem sei que não estávamos lá, mas foi ali que tudo acabou. Ali, da forma mais irónica possível, arrisco a dizer, tudo acabou. Aqueles que tinham a tarefa de impedir a nossa conquista caem, de mãos dadas, vencidos pelo cansaço, e abrem-nos definitivamente o caminho para aquela icónica avenida. A guerra chegara ao fim. Aquela bandeira, azul, branca, indomável, imortal, hasteada, trémula ao vento, assim o confirmava. Finalmente, o tão esperado fim.

A gente, por fim, podia sair às ruas. Pela primeira vez, após aqueles quatro rigorosos e longos invernos, os sorrisos, os abraços, as lágrimas de realização dominavam aquela paisagem. Aquela paisagem que outrora fora dominada por descrer, desilusão e apatia voltava à vida. O mar azul voltava a ser azul. Porquê? Porque vocês foram o nosso combustível, a razão pela qual percorríamos quilómetros atrás de quilómetros, a razão pela qual deixávamos família e amigos para trás, a razão pela qual milhares se deslocavam até ao Dragão, a razão pela qual outros tantos sofriam à distância.

Fizeram-nos acreditar de novo. Fizeram-nos vencer de novo. Fizeram-nos encarar o futuro, que muitos previam negro, com enorme esperança e expetativa. O Porto voltou a ser Porto. O homem que não vinha para aprender relembrou-nos o que é ser Porto. Desde o “nós vamos ser campeões” depois do empate em Alvalade até às lágrimas que escorreram pelo seu rosto aquando do erguer do troféu no centro do relvado do Dragão. Sérgio, tu, mais que ninguém, representas o “ser Porto”, representas o sentimento que julguei extinto no nosso clube.

Sérgio Conceição conseguiu trazer de volta os títulos à Invicta
Fonte: FC Porto

Foi a teu lado que passámos por derrotas nas grandes penalidades, por eliminações nas taças, por “atropelamentos” frente ao Liverpool FC, mas, inclusive nesses momentos negativos, tinhas um mar azul a teus pés a cantar “Eu quero o Porto campeão”. Apesar de teres caído diversas vezes, em todas essas ocasiões tinhas um Dragão inteiro a estender-te a mão para que, juntos, continuássemos a história que, durante décadas, homens como Pedroto arquitectaram para esta instituição. Sérgio, tu não és apenas o nosso treinador, és muito mais do que isso: és uno di noi.

E tu, Hector? Tu que viveste juntamente connosco todo aquele jejum, como foi levantar aquele troféu? Sentiste os nossos dedos entrelaçados nos teus quando ergueste aquela taça? E tu, Alex? O que te passou pela cabeça quando, após aquele pénalti frente ao CD Aves, apontaste para o símbolo que carregas ao peito e exigiste respeito pelo FC Porto? E tu, Brahimi? O que te fez garantir ao árbitro em Santa Maria da Feira que “nós vamos ganhar”? E tu, Éder? Qual foi a razão pela qual, após aquela derrota pesada na Champions, sentiste a necessidade de exprimir o orgulho que sentias em vestir esta camisola? E tu, portista? O que sentiste ao ver o Herrera, o Alex, o Brahimi, o Éder e tantos outros sentir o clube da mesma forma que nós sentimos? O que sentes quando gritas “Oh Conceição, faz o Porto campeão”? Voltas no tempo? Relembras Dublin em 2011? Ou então Gelsenkirchen em 2004? Viena? Talvez Tóquio? As noites memoráveis nas Antas?

Qual o denominador comum entre todos estes acontecimentos? O “Porto à Porto”. E se há uma coisa que aprendemos em 125 anos de história é que o “Porto à Porto” estará sempre um passo à frente dos adversários na luta pela conquista de qualquer competição. E nós sentimos que temos um “Porto à Porto”. Nós sentimos que vocês serão capazes de vencer este campeonato, independentemente das dificuldades impostas pelos adversários, contra tudo, contra todos. Façam-no por nós!

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

José Mário Fernandes
José Mário Fernandeshttp://www.bolanarede.pt
Um jovem com o sonho de jogar futebol profissionalmente. Porém, como até não tinha jeito para a coisa, limita-se a gritar para uma televisão quando o FC Porto joga.                                                                                                                                                 O José escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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