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É comum dizer-se que aprendemos mais com as derrotas do que com as vitórias. Verdade seja dita, ninguém gosta de perder, sobretudo num clube da dimensão e da exigência do FC Porto. Porém, visto que “chorar sobre o leite derramado” poucos frutos trará, resta a Sérgio Conceição refletir sobre todo o percurso da sua equipa nas diversas provas em que esteve inserida e retirar as devidas ilações. O que terão os dragões de fazer diferente na próxima temporada? Aqui estão cinco sugestões.
5.

Jogos grandes também são para ganhar – Comecemos por um ponto que foi indiscutivelmente um dos principais alvos da insatisfação dos adeptos portistas: as derrotas nos clássicos. Sem dúvida, uma das principais razões do insucesso da época 2018/19 para os lados do Dragão foi a incapacidade da equipa se impor perante os principais rivais na conquista por títulos em Portugal. A contar para o campeonato, duas derrotas frente ao SL Benfica; a contar para ambas as taças, duas derrotas nas decisões frente ao Sporting CP. Para além das evidentes consequências por detrás dos maus resultados em ambas as finais de taça, de salientar o facto de o FC Porto, após as derrotas frente ao rival da Luz, a contar para o campeonato, ter perdido a primeira colocação para os “encarnados” em ambas as ocasiões, sendo que, na última delas, não houve mesmo volta a dar. É, sem dúvida, algo que clama por melhoria já na próxima época.
4.

Penalty bem batido é aquele que entra – Esta é a típica frase que encerra qualquer discussão de bar. E tem a sua lógica, admitamos: no fundo, o importante é a bola entrar. E esse tem sido um dos graves entraves para o FC Porto na sua incessante busca por títulos. Sucessivos jogos mata-mata perdidos, sucessivas finais perdidas: é quase que unânime entre os adversários a ideia de que se conseguirem levar o jogo para as grandes penalidades, a vitória frente ao FC Porto está “no papo”. Honestamente, acho que para desvanecer todo este fantasma “basta” vencer um jogo neste método de desempate. Contudo, o tal “basta” tarda a materializar-se. Seria, certamente, importantíssimo se essa materialização acontecesse na época que se avizinha.
3.

Os “reforços” de inverno – A janela de transferências, aquando da sua reabertura em janeiro, proporciona aos clubes a possibilidade de colmatar algumas lacunas nas suas equipas, visando, naturalmente, uma subida de rendimento do grupo como um todo. Bom, tudo isto no papel, uma vez que no plano real as coisas parecem não acontecer dessa forma (pelo menos do lado azul e branco da realidade). Reforços de inverno? Ultimamente, nem vê-los. “Reforços” de inverno? Desses tivemos imensos, inclusivamente no ano em que o FC Porto conquistou o seu 28º título de campeão nacional: nomes como os de Paulinho, Waris, Osorio, ou então, mais recentemente, os de Loum e Manafá são alguns que entram facilmente neste cardápio de flops de inverno. Ninguém gosta de chegar a janeiro e levar com um Fernando Andrade no sapatinho, por exemplo. Se for para isso, não há necessidade de o Pai Natal fazer horas extra. Ironias à parte, facto é que, consecutivamente, o FC Porto vem falhando no ataque ao mercado de inverno e, se tal cenário persistir, este primeiro mês do ano poderá ser um grande antagonista na luta pelo título.
2.

Água mole em pedra dura, tanto bate mas não fura – A persistência numa determinada ideia, no mundo do futebol, pode conduzir a caminhos verdadeiramente antagónicos: o caminho do sucesso, onde todos reconhecem que determinada ideia, no final das contas, estava correta, ou o caminho do insucesso, onde todos apontam o dedo à cabeça que arquitetou todo aquele plano. Infelizmente para Sérgio Conceição, as suas persistências têm-no conduzido para o segundo caminho descrito. Uma das maiores “teimosias” do atual técnico azul e branco acabou por resultar, recentemente, na perda de um dos maiores talentos em bruto a habitar no futebol português: o espanhol Óliver Torres. As suas constantes idas para o banco de suplentes, os seus poucos minutos dentro das quatro linhas em contraste com os muitos que este passava em zona de aquecimento: tudo isto assente na justificativa da “pouca intensidade” do antigo número dez. Em sentido oposto, temos jogadores que foram (ou serão) constantes apostas e que pouco fizeram para o justificar. Como exemplo basta pegar em alguns dos nomes que citei no ponto anterior. Mas, como diz o outro, uns são filhos, outros são enteados.
1.

Demasiado conforto pode tornar-se incómodo – Se quisesse descrever a campanha do FC Porto no campeonato na época passada, escolheria uma frase muito semelhante a esta. Uma equipa que consegue abrir uma vantagem confortável sobre o principal rival na luta pelo título e que, a certa altura, chegou a ser de sete pontos, não pode, em circunstância alguma, vê-la desvanecer. O SL Benfica esteve forte após a entrada de Bruno Lage, contudo se a equipa de Sérgio Conceição não tirasse o pé do acelerador dificilmente o primeiro lugar fugiria aos dragões. Ilações necessariamente devem ser retiradas de toda a segunda metade da temporada, de modo a prevenir que tal escorregão se volte a repetir em 2019/20.
Foto de Capa: FC Porto













