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Bolas paradas: a chave para o (provável) título

Alexandre Matos · 4 min

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O FC Porto está a um passo pequeno, apenas um empate, do título de campeão nacional, depois de um ano algo conturbado e que nem sempre correu bem aos Dragões. E se for preciso escolher um fator do jogo da equipa que tenha sido mais determinante nesta caminhada, ninguém tem dúvidas da resposta: bolas paradas. O domínio que a equipa de Sérgio Conceição exerceu, e continua a exercer nesta época, tem garantido pontos absolutamente fulcrais para que o clube esteja na posição que está hoje.

Aquilo que claramente dá mais nas vistas são os golos marcados nestas situações, mas também não podermos descartar a competência dos Dragões a defender bolas paradas. O FC Porto lidera tanto os golos marcados como os menos sofridos (esta última juntamente com o SC Braga, se excluirmos os penáltis). É claramente um cunho muito pessoal que Sérgio Conceição quis imprimir no clube.

Para além dos dois centrais que são já os jogadores mais perigosos seja em que clube for, há uma aposta clara de Conceição em jogar também com dois avançados altos e fortes no jogo aéreo, ainda que isto possa ser prejudicial noutras alturas do jogo. Isto combina também muito com o estilo de jogo, mesmo em jogo corrido, com uma alta aposta em cruzamentos e na fisicalidade dos jogadores.

E realmente os números não mentem, desde a chegada do treinador português ao clube da Invicta, o FC Porto tem dominado nas bolas paradas. Em 2017/2018, foi apenas batido pelo SC Braga com 18 golos contra os 19 dos bracarenses, se excluirmos mais uma vez os pontapés de grande penalidade. Já em 2018/2019, ainda que o título tenha fugido para o SL Benfica, os portistas contaram com uns estonteantes 24 golos (cerca de 32% do total) contra 18 do clube da Luz. Na presente época, o FC Porto lidera mais uma vez esta estatística, com uma margem considerável. São para já 20 os golos de bola parada, não contando sequer os oito penáltis. O Benfica é o segundo com 13.

Um dado que também é relevante nesta discussão da dependência nas bolas paradas nos três anos de Conceição no FC Porto é que, a cada época que passa, a equipa marca menos golos. Em termos de golos em jogo corrido, a diferença é notória. Na primeira época, a equipa marcou 51 golos, número bem superior aos 39 do ano passado e aos 32 desta presente época (faltam ainda três jogos). Ainda que a dependência nestes lances não seja tão grande como na época passada (cerca de 30% contra os 32% já mencionados), é ainda assim muito significativa.

Quando falamos da eficiência do FC Porto nas bolas paradas, também não nos podemos esquecer de quem bate as bolas paradas. E neste momento do jogo há um nome que claramente se destaca dos demais: Alex Telles. O lateral-esquerdo tem sido, a par de Marega, o jogador mais importante do reinado de Conceição, e muita dessa importância passa pela sua fantástica capacidade de bater bolas paradas, sejam elas cantos, livres ou, mais recentemente, penáltis.

Alex Telles tem sido um dos protagonistas em golos de bolas paradas nos Dragões, especialmente através da marca dos onze metros.
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

E, claro, também não podemos ignorar a competência que a equipa apresenta a defender estas mesmas situações. Nas três épocas de Sérgio Conceição ao leme, só não foi a que menos golos sofreu de bola parada na primeira. Nessa até tinha ficado atrás do SC Braga (três sofridos) e Sporting CP (seis sofridos) com sete golos contra. Mas houve uma clara melhoria nas duas época seguintes, pois sofreu menos nestas duas juntas do que na primeira, com dois golos sofridos em 2018/2019, e três para já nesta presente época.

O FC Porto é certamente uma das melhores equipas da Europa nas bolas paradas, disso não há grandes dúvidas. A quantidade de golos que marca e que evita é crucial para o recente sucesso da equipa. Ainda assim, olho também com alguma preocupação para a dependência nestes lances. É obviamente importante ser forte nas bolas paradas, especialmente para equipas que lutam por campeonatos, mas isso não pode ser em detrimento de outras fases do jogo.

Sinto que por vezes o FC Porto aposta em demasia em jogadores fortes nestes lances, mas que têm muitas falhas noutros. É preciso que exista um equilíbrio, e não me parece que os Dragões o tenham alcançado, por muito fortes que sejam no jogo aéreo. Mas é esta a filosofia de jogo de Sérgio Conceição, e, independentemente de alguma falta de qualidade dos rivais, a verdade é que este está prestes a conquistar o seu segundo título em três épocas.

Foto de Capa: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Artigo revisto por Joana Mendes

Alexandre Matos

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