Bolas paradas: a chave para o (provável) título

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O FC Porto está a um passo pequeno, apenas um empate, do título de campeão nacional, depois de um ano algo conturbado e que nem sempre correu bem aos Dragões. E se for preciso escolher um fator do jogo da equipa que tenha sido mais determinante nesta caminhada, ninguém tem dúvidas da resposta: bolas paradas. O domínio que a equipa de Sérgio Conceição exerceu, e continua a exercer nesta época, tem garantido pontos absolutamente fulcrais para que o clube esteja na posição que está hoje.

Aquilo que claramente dá mais nas vistas são os golos marcados nestas situações, mas também não podermos descartar a competência dos Dragões a defender bolas paradas. O FC Porto lidera tanto os golos marcados como os menos sofridos (esta última juntamente com o SC Braga, se excluirmos os penáltis). É claramente um cunho muito pessoal que Sérgio Conceição quis imprimir no clube.

Para além dos dois centrais que são já os jogadores mais perigosos seja em que clube for, há uma aposta clara de Conceição em jogar também com dois avançados altos e fortes no jogo aéreo, ainda que isto possa ser prejudicial noutras alturas do jogo. Isto combina também muito com o estilo de jogo, mesmo em jogo corrido, com uma alta aposta em cruzamentos e na fisicalidade dos jogadores.

E realmente os números não mentem, desde a chegada do treinador português ao clube da Invicta, o FC Porto tem dominado nas bolas paradas. Em 2017/2018, foi apenas batido pelo SC Braga com 18 golos contra os 19 dos bracarenses, se excluirmos mais uma vez os pontapés de grande penalidade. Já em 2018/2019, ainda que o título tenha fugido para o SL Benfica, os portistas contaram com uns estonteantes 24 golos (cerca de 32% do total) contra 18 do clube da Luz. Na presente época, o FC Porto lidera mais uma vez esta estatística, com uma margem considerável. São para já 20 os golos de bola parada, não contando sequer os oito penáltis. O Benfica é o segundo com 13.

Um dado que também é relevante nesta discussão da dependência nas bolas paradas nos três anos de Conceição no FC Porto é que, a cada época que passa, a equipa marca menos golos. Em termos de golos em jogo corrido, a diferença é notória. Na primeira época, a equipa marcou 51 golos, número bem superior aos 39 do ano passado e aos 32 desta presente época (faltam ainda três jogos). Ainda que a dependência nestes lances não seja tão grande como na época passada (cerca de 30% contra os 32% já mencionados), é ainda assim muito significativa.

Alexandre Matos
Alexandre Matoshttp://www.bolanarede.pt
O Alexandre é um jovem que estuda Ciências da Comunicação no Porto. Apaixonado por tudo o que seja desporto, encontra a sua maior obsessão no futebol. Como não tinha grande jeito para jogar, decidiu que o melhor era apostar no jornalismo desportivo. Amante incondicional de bom futebol, não tem medo de dar a sua opinião nem de ser polémico. Sendo qualidades inerentes à profissão que deseja exercer no futuro, rege-se pela imparcialidade e pelo critério jornalístico na sua escrita.

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